Quarta-feira, 18 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

PRIMEIRAS EDIçõES >   DIGITAL VIDEO RECORDER

José Paulo Lanyi

Por lgarcia em 07/10/2003 na edição 245

INTERNET

“Audiência bandida”, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 1/10/03

“?Você é um incompetente!?, acusou o internauta. Nem lembro mais o que discutíamos no programa. Alguém então perguntou aos entrevistados sobre o que pensavam acerca da obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo. Mais tarde, ao saber a minha opinião, o internauta persistiu: ?Só mesmo um sem-diploma para ser tão incompetente?. ?Eu tenho diploma?, respondi no chat. ?Você não devia estar aí, é um incompetente!?. Foi no ?Comunique-se? do sábado passado.

Estes tempos de Internet nos ajudam a endurecer o lombo. Já me habituei a todo tipo de manifestação. Até mesmo às alucinadas, como essa do internauta que me pegava o pé a cada palavra que eu dizia. Tudo bem, posso ser incompetente (como sou, às vezes), mas não em todas as circunstâncias. Olho para a câmera, lá vem ele: ?Incompetente!?; dou boa-noite: ?Incompetente!?; chamo o comercial: ?Incompetente!?.

Atrapalha. Na allTV, enquanto apresentamos, formulamos as perguntas, prestamos atenção ao entrevistado, administramos a produção, ficamos atentos aos detalhes técnicos- como nas emissoras convencionais-, temos também de acompanhar a sala de bate-papo. Não pense que são poucas as pessoas que nos solicitam: é gente pedindo beijo, abraço e bom-dia-boa-tarde-boa-noite; é gente falando do penteado ou da camisa; é gente fazendo piada sobre os assuntos do programa ou sei-lá-o-quê; é gente conversando sobre temas que só outra gente conhece; é gente fazendo perguntas interessantes aos entrevistados e aos apresentadores; é gente formulando questões e comentários ofensivos sobre todo mundo, como ?Pergunte aí a esse idiota…?; é gente escrevendo palavrão de fazer o Imundo corar; é gente que acabou de chegar e quer saber ?que programa é esse, tão falando do quê??; é gente que critica com propriedade; é gente que protesta com os chamados floods – seqüências repetitivas de frases e de ?emoticons? (aquelas carinhas que transmitem emoções), em um curto espaço de tempo, só para chamar a atenção. O usuário não só é deseducado como provoca lentidão nos servidores e atrapalha os apresentadores e os demais internautas; é gente que não sabe esperar a sua vez; é gente que quer saber se você recebeu o e-mail; é gente que está sempre a favor ou sempre contra; é gente que você conhece e aparece para lhe dar um abraço; é gente que pede emprego; é gente que pergunta se é casado, solteiro, tem dinheiro ou tá a fim; é gente eufórica, é gente deprimida, é gente apaixonada pelo apresentador ou pela apresentadora; é gente que ?canta? os entrevistados, sobretudo as entrevistadas… ?O áudio está ruim?, reclama um; ?o entrevistado está falando baixo?, diz outro; ?o meu chat travou, avisa o ‘allmaster’!?… É gente que compõe, afinal, uma audiência viva.

Como tudo no mundo, os vivos têm virtudes e defeitos. Tanto os vivos da audiência quanto aqueles que estão lá na frente ou atrás das câmeras. O bom disso é que a informalidade permite o entendimento. Exemplo: alguém diz que você está com cara de sono, devia ir para a cama. Resposta ao vivo: ?É mesmo, trabalhei como um cão durante o dia, estou cansado?. O internauta compreende, há uma empatia e, mais importante, a sagração da espontaneidade. Nas emissoras convencionais, o apresentador sonolento ou despenteado perde o emprego.

Há quem se exaspere. Alguns âncoras quase ?saem na mão? com a audiência. Reagem ao que chamam de ?ditadura do chat?, de gente que quer atropelar a conclusão do pensamento do entrevistado e, por impaciência, põe-se a criticar ?a falta de interatividade por culpa do apresentador?. É um exagero. Mas, de fato, um ou outro profissional acaba ignorando momentaneamente a imposição da fórmula. Os internautas são implacáveis. Chegam a mandar e-mails para a direção. Mas quem é bom peita a audiência e acaba ficando, com a recomendação de não esquecer o público.

?Incompetente!?, prosseguiu o internauta.

Se há algo que desprezo nesse campo é a covardia dos que dizem sandices e ofendem escudados pelo pseudônimo, pelo nickname. Não o fariam pessoalmente.

Também acontece aqui no Comunique-se. É um misto de covardia e desonestidade com os que debatem com o nome, a empresa e o sobrenome no crachá eletrônico. A interatividade perde com esses abusos. ?Mas isso é democracia?, pode-se argumentar. Discordo. A democracia tem mecanismos contra os excessos individuais e coletivos.

Na Internet, um dos filtros é a expulsão da sala, depois de reiterados avisos do moderador. Não funciona. O internauta cujo apelido é ?banido? pode voltar com outro nick, desta vez com a agressividade nos píncaros. Outra medida é o descadastramento. No entanto, ainda que se bloqueiem os endereços IP (Internet Protocol, os números que identificam as máquinas na Internet), – atitude discutível, há quem diga que é censura- os ofensores voltarão. Basta que procurem outro computador para se cadastrar e entrar no chat.

A fiscalização dos sites tem-se revelado ineficaz. De forma genérica, não há pessoal suficiente para analisar os cadastros e observar o que não presta. A quem acha que o título deste artigo é exagerado: injúria, difamação e calúnia são crimes. Quem não deparou com pseudônimos, com nicknames que os praticam à larga?

?Incompetente!?. Eu não respondi, mas outros internautas puseram-se a enfrentá-lo. ?Se você não gosta dele por que não muda de canal??, perguntou um. ?Você está atrapalhando?, disse outro. E o ?crítico? acabou capitulando: murchou e ficou na dele.

A vantagem é esta: há mais olhos e ouvidos do que o próprio Orwell conceberia, e isso pode ser bom. Ainda que de forma tímida, a decência e a responsabilidade fazem frente à ousadia dos canalhas. Mas é pouco. Por enquanto, o usuário é um indivíduo, quase nunca um cidadão. A Internet nos deve essa.?”

 

DIGITAL VIDEO RECORDER

“Aparelho que grava da TV e exclui anúncios chega em novembro”, copyright Cidade Biz (www.cidadebiz.com.br), 3/10/03

“Um videocassete capaz de gravar programas da TV e pular os comerciais pode parecer uma invenção genial para o telespectador comum. Mas, para um publicitário, pode ser sinal de perigo. Desde que foi lançado nos Estados Unidos, em 1999, o Digital Video Recorder, ou DVR, nome genérico do aparelho que parece um vídeo, mas dispensa as fitas e armazena as imagens e som num disco rígido, tem provocado polêmica. Inclusive por aqui, onde o debate deve esquentar a partir de novembro, quando a engenhoca chegará às lojas brasileiras.

Há quem diga que os equipamentos da família TiVo, marca que domina o mercado americano, à frente da ReplayTV, fabricada pela SonicBlue, hão de solapar a TV aberta. Além de pular os comerciais, estes aparelhos permitem ao usuário gravar, voltar e pausar a imagem da TV ao vivo, para, por exemplo, levantar da poltrona e ir à cozinha pegar um petisco. São funções que se constituem em bons atrativos para o consumidor.

Apesar de ainda não ter se convertido num sucesso de vendas, nem nos EUA, nem na Europa, diversas pesquisas indicam vida longa e promissora para o DVR, também chamado de PVR, de Personal Video Recorder – gravador pessoal de vídeo. Estudo recém-divulgado pelo instituto Yankee Group aposta que até 2007 um quinto das famílias americanas terão um destes aparelhos em casa.

Segundo a pesquisa, intitulada ?A morte do comercial de 30 segundos?, o mercado publicitário só vai sentir o impacto da nova tecnologia daqui a dois anos, quando o aparelho tiver espaço na casa de 10 milhões de famílias. Hoje, o DVR está presente em menos de 2% das residências americanas, porém, com alta taxa de aprovação. No ano passado, quando estava em 1 milhão de lares, tinha 88% de aceitação.

Como funciona e conquista

Aqueles que já possuem um falam do produto com paixão e entusiasmo. ?Não imagino a vida sem ele hoje em dia?, disse à revista Wired Shelby Mast, vendedor de uma empresa americana de internet. O modelo que ele usa pode gravar 35 horas de programação televisiva. Uma das funções que mais agrada a Mast é a gravação automática de determinado programa. ?Se um programa que me interessa está passando e eu esqueci, ele grava automaticamente, não preciso me preocupar.?

O vendedor contou que o aparelho é especialmente útil para assistir eventos esportivos com seus amigos, que também já compraram o equipamento. ?Se você precisa pegar mais uma cerveja, é só pausar a imagem?, afirmou.

Muito parecido com qualquer videocassete, o DVR se conecta à eletricidade e também pode se ligar, por meio do telefone, à internet ou qualquer outro suporte em linha que ofereça programação. Operando seu menu de opções, que aparece na tela, o telespectador não só pode escolher o que gravar, mas também programar a gravação de todos os capítulos futuros de sua série favorita, por exemplo.

E, como é bastante inteligente, o DVR gravará inclusive alguns programas similares aos selecionados pelo usuário.

O controle remoto tem outros botões exclusivos: um que leva impresso na superfície a imagem de uma mão fechada com um polegar para cima e outro com o polegar para baixo. São ferramentas interativas especialmente desenhadas e introduzidas para que o telespectador possa fazer sua análise – e informar seu DVR – sobre os programas que passam na TV.

Deste modo, enquanto o telespectador vê TV, a TV a vê, e pouco a pouco aprende a conhecê-lo cada vez mais e melhor, para logo antecipar suas escolhas.

TV aberta em pé de guerra

Nos EUA, um TiVo já custa a partir de US$ 199. O preço deve cair mais em breve, com a penetração do aparato nas massas. Com medo do pior, todas as emissoras abertas dos EUA encomendaram a seus departamentos jurídicos algum mecanismo que as defenda do aparelho, tido como nefasto para uma indústria que vive em sua maior parte, quando não totalmente, da publicidade.

Viacom, Walt Disney (ABC), NBC e Time Warner intimaram os produtores de DVRs a rever seu modelo de negócio. Argumentaram que, ao gravar e permitir ao usuário assistir ao que quiser, infringem as leis de propriedade intelectual que protegem as atrações.

Esta ação levou a outra: em 2002, a corte federal americana impôs à fabricante SonicBlue, que produz o ReplayTV, que investigasse o arquivo de seus usuários, para saber se a prática de pular comerciais já havia se tornado rotina. Mas a ação foi logo derrubada por outra corte, que preferiu defender a privacidade do telespectador.

Vitoriosos na Justiça, os fabricantes de DVR projetam um futuro animador. Com o Brasil nos seus planos.”

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