Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

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Keila Jimenez

Por lgarcia em 12/06/2002 na edição 176

REALITY SHOWS

"Depois da fama, a volta ao anonimato", copyright O Estado de S. Paulo, 9/06/02

"Você se lembra da gordinha Elaine, vencedora do primeiro No Limite? Pouca gente lembra. Outro dia, na rua, um homem se aproximou e perguntou se ela não era a Elaine do Big Brother. Manteve o humor e riu, mas reconhece que seus 15 minutos de glória, conquistados com a nova safra de programas que fazem desconhecidos saírem do anonimato ou turbinam carreiras de quem não brilha mais, acabaram.

Elaine ganhou dinheiro, mudou de casa, pôs as filhas em colégio particular, largou o salão de cabeleireiro em que trabalhava e se tornou conhecida no Brasil. ?Era uma loucura, eu mal podia sair na rua?, conta. ?Virei rainha. Eu, uma simples cabeleireira.?

O reinado de Elaine não durou muito. Quase dois anos depois de vencer o programa, sua vida voltou ao normal. Tirando os bens materiais que conseguiu com o prêmio de R$ 300 mil, Elaine já não é cercada por fãs nas ruas, nem é convidada para participar de programas de televisão. Voltou a atender algumas clientes antigas como cabeleireira. ?Ainda sou lembrada, mas entendo que aquele furor passou e aceito isso numa boa?, fala. ?É claro que minha vida não será mais a mesma, mas voltei a trabalhar, não adianta ficar fantasiando com esse negócio de fama.?

Recém-saída do programa, chegou a sonhar. Fez alguns cursos de TV, uma peça de teatro e lançou um livro sobre o programa, mas acabou entendendo que seu momento especial passou.

Apesar de conformada, mostra ressentimento em relação à atenção aos participantes do Big Brother. ?Não tive metade do respaldo e do esquema de divulgação do Kléber Bambam: saiu do programa e foi direto ao Jô, assinou contrato com a Globo?, fala. ?Não tive nada disso?, reclama.

Para a ex-assistente de palco de Gugu Alessandra Iscatena, participante da primeira edição de Casa dos Artistas, do SBT, fama e sucesso são coisas bem diferentes e difíceis de alcançar apenas com a exposição da intimidade em rede nacional. ?Fama pode vir e ir muito rápido, já o sucesso depende de talento. Você tem de ser um ator talentoso, um bom apresentador e ser reconhecido pelo seu trabalho?, fala Iscatena. ?Casa dobrou meus convites de trabalho, mas sei que depende de mim manter isso. Adoro ser reconhecida nas ruas.?

Alessandra está batalhando seu espaço na TV como apresentadora e quer lançar um CD infantil. Enquanto isso, recheia sua conta bancária com desfiles, eventos e campanhas.

O psicólogo José Angelo Gaiarsa é simpatizante dos reality shows e diz que o desejo do ser humano de se destacar na multidão é antigo, mas agora a TV tornou possível que pessoas sem competência nenhuma fiquem famosas. Gaiarsa diz que o problema é quando a luz dessas estrelas instantâneas se apaga. ?É muito comum as pessoas ficarem obcecadas pela fama. ? De acordo com o médico, algumas pessoas passam a viver de seu passado, de seus fantasmas e acha que a fama pode se repetir e fica atirando para todos os lados. ?Aí o conto de fadas deixa de ter um final feliz?, avisa.

Caetano, da primeira edição do Big Brother Brasil, e Taiguara, da Casa dos Artistas, têm algo em comum: não querem perder a fama que ganharam com os reality shows. Com a fama instantânea, vieram os convites para as festas badaladas e desfiles. ?Aproveito a onda para trabalhar bastante. Não quero que isso seja passageiro?, diz Caetano.

Taiguara admite que não sofre tanto assédio da mídia quanto antes, mas acha isso bom. ?Assim dá para tentar um trabalho na Globo?, diz o ator que entrou para a Casa depois de interpretar um papel na minissérie Presença de Anita.

Apesar de ter se ?queimado? na emissora de Roberto Marinho, Taiguara não se arrepende de ter participado do reality show do SBT. ?Só esperava um retorno maior?, admite. Mas ele ainda se considera famoso. ?Quando estaciono meu carro, os flanelinhas pedem mais dinheiro porque sou o Taiguara do programa do Silvio Santos.?"

 

"?Casa dos artistas 3? é mais chato ainda", copyright Jornal do Brasil, 4/6/02

"A estréia de Casa dos artistas 3, domingo, no SBT, lançou na TV tese já comprovada faz tempo no cinema: quanto maior o número da seqüência lá no título, mais chato e distante do original. Pois nem misturando fãs e famosos teve jeito. Foi duro aturar as duas horas de sabatina sobre a princesa do povo Carola Scarpa, o cantor Agnaldo Timóteo, o ator Jorge Pontual, a professora de ginástica Solange Frazão, o gêmeo Flávio Mendonça e a ex-garota da banheira do Gugu Luiza Ambiel. Por um motivo bem simples: tirando Agnaldo Timóteo e seu muito tempo de estrada, os outros não tinham história para contar. Muito menos história que despertasse o interesse do telespectador. Resultado: muita gente trocou de canal e Casa dos artistas 3 rendeu média de 30 pontos de audiência, perdendo para o Fantástico, da Globo, que registrou 32.

Ibope bem menor do que o alcançado na segunda edição do programa, em fevereiro, que estreou com 42 de média e 50 de pico, contra 23 do Fantástico. Nem as novidades da casa – um curral e um galinheiro -, mostradas de relance, animaram a morna estréia. ?Não dá para entender nada com esses clipes. Isso aqui virou a MTV??, reclamou Silvio Santos diante das imagens selecionadas pela produção.

No palco, 18 fãs – três de cada artista – responderam a cinco perguntas sobre seus ídolos. O público escolheu os seis vencedores entre os que acertavam a maior quantidade de questões (Adriane Garcia, fã de Flávio Mendonça; Bernardo Romero, de Luiza Ambiel; Flávia Cavalcanti, de Jorge Pontual; Sérgio Paiva, de Solange Frazão; Silvana Santos, de Agnaldo; e Marcelo Mathias, de Carola).

Até lá, o que se desenrolou foi uma sabatina sobre a passagem dos artistas pelos programas do SBT. Exemplos: ?Quem o gêmeo Flávio homenageou no quadro Loucuras de amor do Domingo legal??; ?Em que programa Luiza Ambiel fazia o quadro Banheira do Gugu??; ?Que personagem Pontual interpretou em Direito de nascer??.

Para piorar a situação, os fãs, todos com pinta de modelo que quer ser ator, não convenciam no papel de fãs. ?Que música do Agnaldo você mais gosta??, perguntou Silvio a uma jovem candidata. ?Aquela da mamãe?, respondeu a ela, vagamente. O interessantíssimo quiz do SBT revelou ainda informações fundamentais, como a parte do corpo de Solange Frazão que seu ex-marido Humberto Martins mais gostava. Ou que as Sheilas Mello e Carvalho participaram do vídeo de ginástica dos gêmeos Flávio e Gustavo.

O melhor, sem dúvida, foi descobrir que Carola Scarpa mente descaradamente a idade. ?Tenho 22 anos só, Silvio?, disse ela, enquanto ia ao ar uma cena em que aparecia na novela Cortina de vidro, exibida pelo SBT em 1989, quando deveria ter, pelo menos, 10 anos a mais que os 9 de seu calendário particular. Por aí dá para ter uma idéia do que está por vir…"

 

"?Casa 3? encalha no mercado publicitário", copyright Folha de S. Paulo, 5/06/02

"Com fórmula já em saturação, ?Casa dos Artistas 3? está encalhada no mercado publicitário. Sucesso comercial nas duas primeiras edições, o programa sofre agora com a queda no Ibope e consequente falta de anunciantes.

Anteontem, o SBT relançou o plano de merchandising da atração, primeiramente oferecido em abril. Até agora, nenhum merchandising para ?Casa 3? foi vendido. A segunda edição entrou no ar com vários previamente negociados, como água, cerveja e eletrodomésticos. No plano relançado, o SBT vende até festas temáticas. Cita como exemplo a ?Festa do Sorvete?, por R$ 330 mil. Oferece ainda 30 inserções de marcas de produtos (detergente, por exemplo) por R$ 550 mil.

Além disso, o SBT só vendeu uma das duas cotas de patrocínio de ?Casa 3?. Foi para a Fiat, por R$ 6,5 milhões (preço de tabela, 42% a menos do que ?Casa 2?).

Guilherme Stoliar, superintendente comercial do SBT, acredita que agências e anunciantes esperaram a estréia de ?Casa 3? para então investir. ?Foi bom, logo teremos sucesso comercial?, diz.

Na estréia, ?Casa 3? deu 30 pontos (12 a menos que ?Casa 2?) e perdeu para a Globo (32). Mas é ainda um bom produto comercial. Anteontem, deu 17, contra 51 da Globo, com noticiário da Copa. A crise também atinge outros ?reality shows?, como ?BBB 2?, da Globo, que só vendeu três das quatro cotas, e ?Fama? (nada).

OUTRO CANAL

Barriga 1

Deve acabar em pizza na Record o trote transmitido ao vivo pelo ?Cidade Alerta? no sábado. Por telefone, um falso assessor do pagodeiro Belo _acusado de envolvimento com o tráfico de drogas_ disse no programa inicialmente que o cantor iria se entregar à polícia e, depois, que ele estava internado em coma.

Barriga 2

A produção do jornalístico e o apresentador Ney Gonçalves Dias caíram como patos no trote. Sequer questionaram a inverosimilhança da hipótese de coma _ao contrário do que fizeram Globo e Rede TV!. Mas a direção da Record avalia que o erro é perdoável, porque a polícia também caiu no trote.

Brinquedo

A Globo Marcas irá lançar um RPG (?role-playing games?) de ?O Clone?. O objetivo dos jogadores será dar finais diferentes para a novela.

Monopólio

A Globo alardeou que a audiência de 64 pontos de Brasil x Turquia, anteontem, foi recorde. Foi sim seu maior ibope em Copa desde 1986. Mas o número é idêntico ao da estréia do Brasil no Mundial de 98, que deu 50 pontos na Globo e 14 nas concorrentes.

Cash

Um mês após ser contratado pela Rede TV!, José Luiz Datena agora dá lucro à emissora. Seu ?Datena Repórter Cidadão? ganhou o patrocínio da Marabrás e já tem dois intervalos de anúncios."

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