Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES > REPÓRTER DRAG QUEEN

Keila Jimenez

Por lgarcia em 17/07/2002 na edição 181


REDE TV!


"Trajano estréia na RedeTV!", copyright O Estado de S. Paulo, 13/7/02

"Sai Jorge Kajuru, entra José Trajano. A partir de amanhã, é ele quem assume a cadeira que era de Kajuru no programa Bola Na Rede, debate esportivo da RedeTV! que vai ao ar às 20h15. Com o novo comentarista, serão mantidos Juca Kfouri e Sócrates. Juarez Soares fará participações esporádicas no programa.

Kajuru deixou a emissora na semana passada junto com o diretor de Jornalismo
da rede, Alberico de Souza Cruz. Juca Kfouri ameaçou sair, mas acabou
voltando atrás e renovou seu contrato.Trajano, que apresenta um programa
esportivo na ESPN Brasil às segundas-feiras, deve se manter também
no canal pago."

 


HEBE SEM GRACINHA


"?Hebe? promove circo de horrores", copyright O Estado de S. Paulo, 14/7/02

"Foi o programa mais ultrajante da TV brasileira nos últimos tempos. Não representa pouca coisa, porque os Ratinhos e as Lucianas Gimenez da vida continuam a postos na sua missão de deseducar o povo brasileiro em proveito próprio. Mas o programa de Hebe Camargo da última segunda conseguiu superar-se. Hebe já foi até objeto de tese universitária. A madrinha encarna a própria história da TV brasileira. Que ela morde e assopra, todo mundo sabe. Hebe diz os maiores impropérios e, no minuto seguinte, posa de moralista. Certa vez, denunciou a pouca-vergonha das novelas da Globo e, no mesmo programa, com a maior cara-de-pau, mostrou um desfile de mulheres seminuas, exibindo o que era mesmo? Roupas de noite, algo assim. Cada uma era seguida de comentários sobre o que aquilo ia render em matéria de noites ardentes.

Hebe, quando não tem o que mostrar ou sabe que a audiência anda baixa, não vacila. Chama Dercy Gonçalves para alavancar o Ibope. O povo adora Dercy. Ela diz palavrões, é engraçada. O povo brasileiro permite a Dercy tudo o que a maioria teria vergonha de dizer no banheiro, que dirá em público – e via TV, para todo o País. Na segunda-feira, Dercy soltou o verbo, como sempre. Estava na ?boa? companhia de Raul Gazolla, moço fino e inteligente. Brincadeirinha, claro. Gazolla tirou o curso de troglodita na mesma escola de Alexandre Frota. Aplicou-se tanto que é difícil saber qual dos dois faz mais justiça à definição.

O programa teve pérolas de incorreção política. Elba Ramalho levou o novo marido, Gaetano. Relembrou que estava tentando engravidar. Como o bebê não dava sinais de vir, ela e o cara fizeram exames. Descobriram que ele é estéril. Hebe fez o maior auê: ?Que maravilha, que coragem, assumir isso; em geral os homens não admitiriam uma coisa dessas e você vem e diz.? No minuto seguinte, Elba revela que está na fila da adoção. ?Não faça essa bobagem?, berra lá do seu canto a Dercy. ?Você vai se arrepender, isso é só incomodação.? Bravos, Dercy, você não sabe o que fez para milhares de crianças que esperam para ser adotadas e para os casais que querem adotá-las. Estimulou o preconceito, mas, enfim, se Dercy falou está falado.

Conversa vai, conversa vem e o assunto caiu em Gretchen, que ia se casar naquele dia ou no anterior, mas o jovem pretendente a marido tomou um pileque e deu uma de Rambo, arrebentando a futura mulher. Homem que bate em mulher já é o fim do mundo. Em mulher, criança, até em outro homem. Coisa menos civilizada. Para tentar coibir esses abusos houve na terça, no centro de São Paulo, o ato público pelo desarmamento. Dercy já havia provocado certa perplexidade ao perguntar por que a Gretchen tinha apanhado, por que ele tinha batido? A própria Hebe, que não é lá muito politicamente correta, teve de fazer ver à velha senhora que não há justificativa para esse tipo de agressão doméstica.

Gazolla, com aquela sutileza que lhe é característica, chamou
o agressor de burro. ?Por causa de um dia? Ele podia ter casado e batido depois.?
Há-há, muito divertido. Gazolla estava acompanhado pela mulher.
A coitadinha, grávida, fazia cara de assustada e o marombeiro teve de
dizer que era brincadeirinha. Tomara que sim. E ele insistia: ?O cara podia
não saber por que estava batendo, mas a Gretchen sabia por que estava
apanhando.? Tudo isso ocorreu em horário nobre. Por essas e outras é
que a TV brasileira vai mal. Vai continuar indo, enquanto essa gente estiver
por aí, aumentando sua conta bancária à custa das desgraças
dos outros."

 


REPÓRTER DRAG QUEEN


"Repórteres que não parecem nem são", copyright Folha de S. Paulo, 14/7/02

"Pródiga em (re)criar tipos e (re)inventar modas, a TV brasileira abriu espaço nobre há cerca de um ano para um personagem: a drag queen repórter. Nada de novo, se é que alguém lembra de Ru Paul e seu ?talk show?, ?The Ru Paul Show?, da VH1 norte-americana, que chegou a ser exibido no Brasil pelo Multishow no final da década de 90.

A diferença, entretanto, está na aparente longevidade das versões nacionais. ?Essa história de dar ibope por ser drag queen já passou. Hoje, se eu tivesse entrado na TV só por isso, já teria perdido meu emprego. Não estou aqui por ser gay, mas por ser competente?, afirma Léo Áquilla, 25, repórter e produtor do programa ?Noite Afora?, da Rede TV!. Ele não revela seu verdadeiro nome e diz não aparecer oficialmente na emissora sem estar devidamente caracterizado. ?Se tem alguma reunião lá, meio-dia, a bicha chega ?montada?. Vou aplicar o golpe da Tiazinha: para tirar a máscara, eu quero ganhar?, diz, rindo. Há pouco mais de um ano na tela, Áquilla começou no ?Noite Afora? com o quadro semanal ?Sonho Erótico?. Depois, passou a acumular outro bloco, diário, chamado ?Blitz Noite Afora?. A apresentadora Monique Evans se refere a ele como ?a estrela do programa?. Apesar da deferência, é certo que a verdadeira estrela entre as drags repórteres é Nany People, 37. Ela é a responsável por alguns dos momentos mais divertidos do programa ?Hebe?, no SBT. Está na atração desde 2001, mas é uma das pioneiras do gênero na TV. Nany estreou em 1997, no ?Comando da Madrugada? da extinta Manchete. Quando a emissora saiu do ar, a personagem se mudou por dez meses para o ?Flash?, de Amaury Júnior. Depois, retornou ao ?Comando?, à época na TV Gazeta, onde ficou até o ano passado. Como Áquilla, Nany também não revela seu nome nem é vista sem estar produzida. ?Eu exijo não aparecer ?desmontada?. Você já viu a Branca de Neve sem aquele vestido e a gola alta? Ela está lá, limpando a casa, de vestidão e gola alta. Quanto à identidade, o [ator] Paulo Goulart disse uma vez: ?Esse é seu nome artístico, não é? Para que saber mais??.?

Semelhanças Esconder o nome e manter publicamente a personagem não são os únicos fatos que unem Áquilla e Nany. Os dois começaram suas carreiras no teatro e descobriram o papel de drag queen como uma forma melhor remunerada e destacada para ganhar a vida. ?Consegui como drag o que não consegui como ator. Nunca pensei que fosse chegar tão longe como artista?, diz Nany.

Áquilla, que começou a se vestir de mulher aos 13 anos, após interpretar uma boneca em uma peça infantil, afirma estar mais interessado em ser conhecido do que em dinheiro. Em 1999 vendeu seu apartamento e alugou a casa de shows paulistana Palace, por uma noite, para apresentar um musical protagonizado por sua personagem.

Afirma que a frase que mais ouviu na época foi: ?Bicha, cê tá louca??. Comprou a idéia e lançou o CD independente ?Tô Lôca?, também em 99. Um ano depois, alugou outra casa de shows, o Tom Brasil. Para breve, pretende subir ao palco do Olympia, também em São Paulo.

?Estar na TV é uma maneira de me manter em evidência. Com os shows, havia um burburinho antes e depois, mas acabava logo. Eu amo televisão e pretendo continuar trabalhando com isso. Só gostaria de um dia poder aparecer sem ela [a personagem?. Adoraria ir a um programa e só ter de passar um pó para entrar no ar. Hoje, gasto duas horas para me transformar?, diz.

Os dois artistas também combinam na hora de falar de suas vidas com e sem seus personagens. ?Montada?, você tem uma autonomia que não tem normalmente. Primeiro por estar 20 centímetros acima do nível do mar [referindo-se ao tamanho do salto que usa?. Quando chego em casa e tiro tudo isso, sou só o filho da dona Ivone?, diz Nany.

?Tenho dupla personalidade. Sou um panaca, sou tímido, muito tímido. Ela [a personagem] é atirada, chega quebrando tudo, dando ordem. Às vezes, me vejo no vídeo e penso: gente, eu não acredito que isso sou eu?, afirma, rindo, Áquilla."

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