Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

PRIMEIRAS EDIçõES >   AMAURY JR. vs. RECORD

Keila Jimenez

Por lgarcia em 02/10/2002 na edição 192

TV PAGA

“TV paga se arma para driblar a crise”, copyright O Estado de S. Paulo, 29/09/02

“Novos programas, canais e planos comerciais não faltam ao mercado de TV paga, disposto a traçar estratégias para driblar a crise e fisgar anunciantes. Essa foi a pauta de muitos negócios acertados no Maximídia, encontro internacional de comunicação que reuniu o mercado publicitário e meios de comunicação de todo o País na semana passada, em São Paulo.

Em sua 12.? edição, o Maximídia foi palco de anúncio de novidades na TV por assinatura.

Prevendo um crescimento de cerca de 30% em seu faturamento em 2003, o canal National Geographic está lançando novas séries em outubro. O pacote traz, entre outros títulos, Enigmas da Morte, Exploradores e Cinco Casamentos e Alguns Funerais.Esta última estréia dia 7, tendo como destaque a diversidade cultural da África do Sul, por meio de imagens de casamentos e funerais de várias tribos locais.

Animação – O Cartoon Network também tem estréia em outubro. Amanhã, chega ao canal, às 18 horas, a série de ação Street Fighter. Entre as novidades está ainda Todos os Cães Merecem o Céu, que começa no próximo domingo, contando as aventuras de Charlie, um adorável pastor alemão, e Sarnento, seu companheiro inseparável. Os dois são enviados à Terra para trabalharem como anjos da guarda.

Bart e as bruxas – A Fox aposta em um pacote de Halloween para fisgar anunciantes. Em comemoração ao Dia das Bruxas, o canal exibe, no final de outubro, um especial com 4 episódios de Os Simpsons.

Nele, Bart e sua família se envolvem em engraçadas e assustadoras aventuras.

A partir de novembro, o canal reorganiza sua programação, com a estréia das séries de comédia Girls Club e Apesar de Tudo.

Batgirls – Na Warner, as novidades vêm mais adiante, em novembro. O canal traz novas séries e novas temporadas de seus sucessos.

Entre os lançamentos está Birds Of Prey, um drama que reúne um grupo de heroínas de Gotham City, criado pelos mesmos produtores de Smallville, série sobre a juventude do Superman. Depois que Batman abandonou Gotham City, a defesa da cidade fica por conta de um estranho trio de batgirls, composto pela filha do comissário Gordon, a filha secreta da Mulher-Gato com Batman e uma garota paranormal.

Novas temporadas – A legião de fãs de ER, Friends e de The West Wing pode se acalmar. Novas temporadas chegam em novembro na Warner, cheias de novidades. Em ER, Dr. Greene e os funcionários do hospital se metem em uma situação complicada com a morte misteriosa de um paciente, um serial killer.

Em Friends, o impasse do triângulo romântico composto por Ross, Rachel e Joe será resolvido. Ross leva a melhor. A turma terá também mais um motivo para se divertir: o bebê de Rachel, que agora faz parte da trupe.

Novo canal – A Fox aproveitou a feira para anunciar o lançamento do Fox Sports Brasil, novo canal de esportes da marca, que começa a operar em fevereiro de 2003. Com programação 24 horas, Fox Sports terá entre suas atrações a transmissão de campeonatos de futebol, como a Copa Libertadores da América, torneios de tênis (como APT Tour), de futebol americano (como NFL), e de golfe (como o PGA Tour). A promessa é narrar tudo em português. Esportes aquáticos, beisebol, boxe, automobilismo e esportes radicais também têm espaço no novo canal.

Filmes – Os canais Telecine já alardearam alguns dos longas que exibirão em 2003. Entre os filmes, está o vencedor de quatro Oscars, Uma Mente Brilhante. O longa deve ganhar uma vasta campanha de divulgação e forte plano comercial.

O pacote também traz Assassinato em Gosford Park, Terra de Ninguém, Spider e Hollywood Hong Kong, entre outros.”

 

FANTÁSTICO

“Eles fazem da realidade um bom show”, copyright O Estado de S. Paulo, 29/09/02

“Eles caminham na tênue linha de fazer comédia de uma boa história, sem cair na chacota. Têm como talento detectar por detrás da aparente banalidade o que há de mais terno e humano em episódios protagonizados por cidadãos anônimos. Maurício Kubrusly e Denise Fraga não têm em comum somente o programa em que aparecem, o Fantástico. Levam à TV, por meio de seus quadros – o Me Leva Brasil e o Retrato Falado – uma sensível e bem-humorada homenagem à gente brasileira.

É assim que eles vêem seus respectivos trabalhos. É assim que o povo os vê na TV. Para Kubrusly e Denise, não faltam reconhecimento do público e muito a contar.

Caderninho – Kubrusly, que há algum tempo cobria para o Fantástico as principais festas típicas espalhadas pelo País, costumava anotar em um caderninho personagens e histórias interessantes que ouvia em suas andanças. Daí veio boa parte do material ?humano? para o início do Me Leva Brasil, que surgiu para comemorar os 500 anos do Descobrimento do Brasil, e nunca mais saiu do ar. Logo, cartas, e-mails e sugestões do público nas ruas – essa, a maior fonte de captação de pautas – passaram a abastecer a equipe do quadro, que é composta por Maurício, uma produtora e um cinegrafista. ?As pessoas chegam a fazer fila para falar comigo nos aeroportos, principalmente nos de Brasília e Recife, que têm conexão para todos os cantos?, conta Kubrusly. ?Procuro atender a todos, por isso, sempre ando com meu caderninho. É nesse contato que surgem as melhores histórias.?

Mas nem sempre foi assim. Retratando histórias de anônimos espalhados pelos confins do Brasil, Kubrusly diz que as pessoas demoravam a acreditar que o Fantástico estava em sua cidadezinha, no fim do mundo, para gravar uma reportagem. ?É raro a TV noticiar algo sobre algumas localidades escondidas do País e, quando mostra algo, é só desgraça?, fala. ?Por isso, no início, quando chegava nesses lugares, cansava de ouvir gente perguntar: ?é do Linha Direta?? ?Quem morreu??, continua Kubrusly, rindo. ?Agora, chego em lugares que não existem nem no mapa e logo escuto : ?Me Leva Brasil?. Sou recebido até com bandinha na praça, como se fosse autoridade local.?

Lágrimas – Mesmo com a correria das gravações – o Me Leva grava de 8 a 10 matérias em apenas 3 dias no local – Kubrusly ainda tem tempo de colecionar amigos e histórias por onde passa e de se emocionar com muitas delas, só de contar. Uma das que marcaram o jornalista é a de uma senhora escultora, que vive no Tocantins.

?Entrei na casa dela já com a câmera ligada, para filmar as esculturas no quintal e ela ficou parada, olhando, sem entender nada?, conta. ?Me perguntou o que eu estava fazendo, o que era aquilo na mão do cinegrafista, e eu disse: ?estamos filmando, sou da Globo, sou o Maurício Kubrusly, a senhora nunca me viu na TV?? Com o mesmo olhar desconfiado, ela respondeu: ?não tenho isso não, moço?.?

O jornalista conta que teve de conter a emoção para não chorar, e que, mesmo sem saber o que a visita dele representava, a escultora o tratou maravilhosamente bem. ?Não temos noção do que há espalhado pelo Brasil. Não conhecemos nem a metade da miséria, dos problemas, das festas, da história de um povo que parece até fazer parte de um outro mundo?, fala. ?No Me Leva, passei cinco dias em uma viagem de ônibus, comi refeições a R$ 2,15 e dormi em lugares que ninguém imagina. Mas tudo valeu a pena, cada dificuldade, cada história. Sou muito grato a tudo que esse quadro me acrescentou e acrescenta.?

Despedida – A mesma gratidão tem Denise Fraga ao seu Retrato Falado. Diferentemente de Kubrusly, que enfoca as interessantes histórias de anônimos, a atriz as interpreta. Chegava a passar horas por dia com seu walkman, ouvindo cada detalhe do depoimento da personagem real, para criar o papel principal da história.

Sabe de cor cada nome e a ordem de cada caso que interpretou. Guarda as fitas com os depoimentos dos personagens reais das histórias e fica com a voz embargada só de lembrar que o quadro vai sair do ar em dezembro. Segundo Denise, o núcleo montado em São Paulo para o programa – do qual ela e marido, o diretor Luiz Villaça, fazem parte – vai tocar novos projetos em 2003. ?Foram 127 Retratos Falados, eu me lembro de cada Maria, de cada Ana e de cada Rosa das histórias. Rosa, foram três?, fala, empolgada. ?Em toda a minha carreira, nunca fiz nada tão gratificante. Gravei o último Retrato Falado há 20 dias e acabei chorando, de tanta emoção.?

O resultado de quase quatro anos de quadro é visto nas ruas, conta Denise.

Como Kubrusly, vive recebendo do público, no trânsito, na fila do cinema, na reunião da escola de seus filhos, sugestões de histórias interessantes.

?Algumas das personagens que interpretei me marcaram muito. A da caminhoneira Terezinha, que sustentou os filhos dirigindo o caminhão do marido, foi uma delas. Os dizeres daquela mulher guerreira nunca mais saíram da minha cabeça.?, conta Denise. ?Acho que, quando se coloca o holofote em cima de uma realidade tão interessante, tão rica, o resultado só pode ser bom. É por isso que acho o Retrato plenamente ressuscitável.? Tomara.”

 

AMAURY JR. vs. RECORD

“?O objetivo da Record é a evangelização?, diz Amaury Jr.”, copyright Folha de S. Paulo, 29/09/02

“A saída de Amaury Jr. da Record, após ter seu programa tirado do ar na semana passada, motivou a retomada da discussão sobre a influência ideológica da Igreja Universal, proprietária da emissora, sobre a programação. ?O objetivo da Record agora, com essa nova direção, é a evangelização?, afirma Amaury, que segundo o TV Folha apurou, já negocia sua contratação com a Rede TV!. ?Sofri muitos cortes e proibições?, diz. Ele confirma que a emissora proíbe o uso de medalhas ou imagens de santos nos programas.

O apresentador afirma ainda que cada edição de seu programa era pré-aprovada por um grupo de bispos da Universal. ?Deveriam assumir a evangelização. Eles tentam impor suas convicções à programação?, diz. ?Além disso, minha audiência, de classes A e B, talvez não interesse à Universal.?

Entre os supostos cortes citados por Amaury, estão uma entrevista com o músico Lobão, cerimônias religiosas católicas e uma música de Ivete Sangalo que faz referência ao Candomblé. ?Não podemos aceitar qualquer iniciativa que lembre censura?.

Gerente desmente proibições na emissora

Segundo o gerente de Comunicação da Record, Roque Freitas, a emissora não faz distinção relativa a religião. Ele nega cortes no programa de Amaury Jr.: ?Ele confunde qualidade de programação e imposição dos preceitos da igreja Universal. Não existe aprovação de pré-pauta pela direção da emissora?, diz Freitas. ?Aqui, todos têm liberdade de usar ou mostrar o que quiserem, de acordo com a crença de cada um.?”

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