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Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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PRIMEIRAS EDIçõES > ESPERANÇA

Keila Jimenez

Por lgarcia em 09/10/2002 na edição 193

ESPERANÇA

“?Esperança? investe em flash-backs para driblar atraso”, copyright O Estado de S. Paulo, 6/10/02

“Quantas vezes você já viu a cena em que Camile (Ana Paula Arósio) quebra a escultura de Maria (Priscila Fantim) a pauladas em Esperança? E a do assassinato de Martino (José Mayer)? Provavelmente, muitas. Um festival de flash-backs invadiu a novela das 8 da Globo nos últimos dias, deixando ao telespectador a impressão de estar assistindo ao Vale a Pena Ver de Novo.

Apesar de a emissora não assumir, o uso de tantas reprises nada mais é do que reflexo do atraso nas gravações da trama. Mesmo com o elenco gravando cerca 12 horas por dia e até nos finais de semana, o folhetim está sendo exibido com apenas um capítulo editado em relação ao que vai ao ar – o normal seria ter pelo menos cinco capítulos prontos em relação ao que o público vê.

?É quase um programa ao vivo?, brinca Priscila Fantim. ?Se fosse ao vivo, seria até melhor, pois gravaríamos apenas 1 hora por dia.?

Assim como Priscila, boa parte do elenco tem recebido seus scripts na noite anterior à da gravação. O autor da novela, Benedito Ruy Barbosa, chegou a se mudar para o Rio, para ficar mais perto de sua cria e antecipar a produção dos capítulos. Mesmo assim, a correria continua.

?Receber os textos tão em cima da hora atrapalha um pouco o trabalho do ator. É mais difícil para decorar e ficamos totalmente à mercê das gravações?, fala Raul Cortez, que vive o Genaro da trama. ?Em toda minha carreira, nunca trabalhei nesse ritmo tão puxado. Não sei quando terei folga, quando terei de gravar, em que final de semana estarei livre. O que compensa é saber que o resultado final da novela é uma obra de arte.?

Como um dos protagonistas da novela, Cortez conta que está gravando cerca de 11 horas por dia e que nem consegue sair da cidade cenográfica para almoçar.

Artesanal – Conhecendo o esquema de trabalho do autor, Benedito Ruy Barbosa, e do diretor, Luiz Fernando Carvalho, dá para entender o ritmo das gravações de Esperança. Enquanto os outros autores trabalham com três ou mais colaboradores, Benedito escreve sua história sozinho, com uma mãozinha aqui, outra ali de suas duas filhas. Carvalho é um perfeccionista. Cineasta, costuma ter uma preocupação artesanal com iluminação e edição das cenas, o que já lhe rendeu um pequeno atraso na finalização dos capítulos da minissérie Os Maias.

O diretor da Central Globo de Comunicação, Luiz Erlanger, assume que o ritmo de Esperança muito tem a ver com as características de trabalho da dupla Carvalho e Benedito. Mas alega que o atraso nas gravações é devido ao fato de o autor de um folhetim sempre sentir a necessidade de reposicionar histórias e personagens. ?Cada novela tem um timing particular e isso não significa um problema?, diz Erlanger.

Se para a Globo não é problema, para o telespectador não é bem assim.

Noveleira de carteirinha, a dona de casa Júlia Sartorine, de 63 anos, conta que chegou a pensar que a emissora estava reprisando um capítulo inteiro da novela.?Chamei o meu marido na sala e perguntei: ?Isso já passou ou estou ficando louca??, conta ela. ?Novela é uma coisa que acompanhamos todos os dias. Se repetem demais, começo a me sentir enganada. Entendo que eles precisam encher lingüiça, mas não em um capítulo inteiro, né??

O publicitário Renato Andrade, de 25 anos, diz que percebeu logo de cara que os flash-backs eram para preencher buracos. ?É evidente que as reprises de cenas em Esperança não têm função dramática, não têm proposta nenhuma. Outro dia vi a Maria (Priscila Fantim) tendo um flash-back de uma cena que ela nem viveu. Estava contando para a dona da pensão sobre o casamento do Toni (Reynaldo Gianecchini) e a novela reprisou toda a cena das lembranças dele?, fala. ?Em Pantanal (da extinta TV Manchete), víamos muitas cenas de flash-back, mas eram paisagens, cada hora eles mostravam um animal diferente. Isso não cansava tanto o público.?

Segundo Erlanger, da Globo, o flash-back é um recurso artístico importante em Esperança. ?Ele tem a função de levar o telespectador a vivenciar novamente as emoções da história, a se envolver, a gerar empatia .? Haja empatia, e paciência.”

“?Esperança? será encurtada em duas semanas”, copyright Folha de S. Paulo, 5/10/02

“A atual novela das oito da Globo, ?Esperança?, irá perder pelo menos duas semanas de sua duração. Programada para acabar em 14 de fevereiro, terá seu final antecipado para 31 de janeiro de 2003. A decisão foi tomada pela cúpula da área artística da emissora na quarta, mas pode haver mudança.

Na Globo, são fortes os rumores de que ?Esperança? teria seu final antecipado para dezembro e que seria substituída pela minissérie ?A Casa das Sete Mulheres?, programada para a faixa das 22h30 a partir de 7 de janeiro. Essa hipótese, improvável, é totalmente descartada pela assessoria de imprensa da TV. Até porque a minissérie é ?forte? demais para a faixa das 21h e foi classificada pelo Ministério da Justiça para as 22h.

A antecipação em duas semanas do final de ?Esperança? tem a ver com audiência e atraso nas gravações, mas não só isso. Com média de cerca de 40 pontos, a novela não é um sucesso estrondoso, mas também não é um fracasso _apesar de ter dado 35 pontos na Grande São Paulo anteontem, com capítulo mais curto.

O motivo mais provável da antecipação do final seria que, se estreasse em 17 de fevereiro, sua sucessora, ?Mulheres Apaixonadas?, entraria no ar apenas duas semanas antes do Carnaval, o que a prejudicaria no Ibope. Com um mês, a nova novela de Manoel Carlos, que pressionou para adiar a estréia para março, terá tempo para emplacar até o Carnaval.”

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