Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

PRIMEIRAS EDIçõES >   LA BÜNDCHEN & MÍDIA

Keila Jimenez

Por lgarcia em 15/07/2003 na edição 233

CANAL GAY

“DirecTV planeja canal para gays”, copyright O Estado de S.Paulo, 11/7/03

“A DirecTV planeja lançar no Brasil um canal de filmes em pay-per-view voltado para o público gay. O projeto, que teve entrar em andamento ainda este ano, tem como inspiração a iniciativa da DirecTV nos Estados Unidos.

O operadora lançará lá, no final de agosto, um serviço de pay-per-view direcionado à audiência homossexual. A intenção da DirecTV é colocar de quatro a oito filmes mensais disponíveis nesse novo serviço, a maioria deles, fornecida pela Here, serviço de programação especializada da produtora californiana Regent Entertainment.

Um dos primeiros filmes a ser exibido no serviço americano será Sordid Lives, trama que traz a história divertida de uma família texana que perde sua matriarca e descobre durante o funeral da mesma que um de seus membros é gay.

Mercado novo – Mas não é só a DirecTV que está de olho nessa fatia de público, que, segundo pesquisas do mercado, possui alto poder de consumo. A empresa americana Viacom e a MCD Entertainment têm planos de criarem canais com conteúdo voltado ao público GLS nos EUA.

Essa série de iniciativas chega dois anos depois do lançamento da primeira TV voltada para o público gay, a americana Pridevision TV.

Na Europa, um dos primeiros países a investir nesse segmento foi a Itália, que lançou em 2002 a Gay TV, canal voltado para homossexuais do sexo masculino, na faixa etária de 25 a 44 anos. Na França, o primeiro canal do gênero entrou em funcionamento só em abril, a Pink TV. O canal é pago tem um número específico de conteúdo pornográfico – determinado pelo conselho audiovisual francês – para exibir por ano.

Por aqui, uma das poucas iniciativas do gênero partiu da operadora de TV a cabo Tec Sat- com cerca de 20 mil assinantes – que investiu em um serviço de pay-per-view de filmes homossexuais há cerca de um ano.

Mas não deve demorar muito para outras empresas investirem nesse segmento, seja pela demanda desse público, seja pelo sucesso de séries como a comédia Will & Grace , exibida aqui pelo Sony, e Queer as Folk (Os Assumidos), série mais picante, que está em sua terceira temporada, no Cinemax (TVA e DirecTV).”

 

TV GLOBO

“Globo fecha exclusividade de 5 anos com festa de Barretos”, copyright O Estado de S.Paulo, 12/7/03

“Mais uma vez, a cobertura televisiva da Festa do Peão de Boidadeiro de Barretos, a maior do gênero no País, será exclusiva da Rede Globo. Os outros canais poderão, no máximo, registrar cenas da festa fora do estádio do Parque do Peão. A Globo teve exclusividade do evento em 2000 e no ano passado. Em 2001, o negócio foi fechado com o SBT.

A cobertura do ano passado serviu como uma espécie de experimento para a Globo. E parece que o resultado foi bom, pois a emissora fechou um contrato de exclusividade por cinco anos. Ou seja, até 2006 a festa só poderá receber equipes de TV da Rede Globo.

Para fazer valer o investimento (o valor do acordo não foi divulgado), a emissora já está preparando algumas estratégias. Nada que mexa com a grade de programação da emissora. Até agora, a Globo divulgou apenas que a cobertura será feita pelas emissoras regionais e a cobertura nacional, a princípio, está fechada somente para os programas esportivos. Outras ações ainda não foram definidas.

No ano passado, a emissora destinou uma edição inteira do Globo Repórter para a festa. Além disso, exibiu matérias nos programas de Luciano Huck, Faustão e Ana Maria Braga, e abriu espaço para o tema em seus noticiários.

Parte do elenco da novela Esperança também visitou a festa, numa estratégia para alavancar o ibope da trama e o da própria festa – tradicional reduto de celebridades do evento, o camarote da Brahma esteve fora desse ritmo no ano passado. Este ano, estuda-se levar a Barretos uma turma da novela Agora é Que São Elas.

Incentivo – A Festa do Peão de Barretos, que está na 48.? edição e será de 21 a 31 de agosto, é a maior do gênero no País, mas já teve dias melhores. Por isso, os organizadores têm tentado mudar o perfil da festa para abranger um público mais ?familiar?. A idéia é torná-la uma opção de diversão para toda a família. E nada melhor do que ter a emissora considerada a de maior abrangência nacional para incentivar os aficionados pelo mundo country a participar do evento.”

 

LA BÜNDCHEN & MÍDIA

“O furacão La Bündchen, quem diria, explica a mídia espontânea”, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 8/7/03

“Uma das maiores brigas das Assessorias de Comunicação, no composto do relacionamento com a Imprensa, é a conquista, em maior quantidade, do que foi convencionado se chamar de ?Mídia Espontânea?. Por isso o envio de tantos e-mails, faxes, os telefonemas e os malditos follow-ups. Vale tudo desde a composição do release até a publicação de, pelo menos, uma notinha, uma linha, uma pequena citação em um texto sobre nosso cliente, assessorado, etc.

Porém, na semana passada, durante a São Paulo Fashion Week, os coleguinhas de Assessoria que leram a matéria assinada por Marta Barcellos – Valor Econômico/Rio, página B3 de 3/07/2003 – devem ter se rasgado ao saberem que a modelo Gisele Büdchen, que cobrou um cachê de R$ 90 mil para desfilar sua beleza magrela na passarela, gerou, nada menos que, R$ 100 milhões de mídia espontânea. Porém, apesar das curvas – ela tem isso? – de Gisele, o dado mais importante apurado pela jornalista foi o que de que ?grifes, patrocinadores e organizadores de eventos de moda? se valem dos cálculos oferecidos pelas empresas de ?clipping? para mensurar o retorno dos seus investimentos na chamada mídia espontânea.

Marta Barcellos dá uma pequena aula de assessoria no seu texto publicado no Valor e diz que ?o trabalho de medição de mídia espontânea inclui a seleção e a edição de todas as reportagens, coluna e editorais que fizeram referências ao evento e às marcas, em jornais, revistas e TV. São considerados dados como números de leitores, circulação das publicações e centímetros ocupados pelas matérias, e quanto seria gasto se o espaço correspondesse a inserções publicitárias?.

Já Eloísa Simão, da versão carioca da Fashion Week, uma das entrevistadas, complementa a aula:

– Como é original e genuíno, o Fashion Rio é notícia?, e emenda dizendo que o evento atrai cerca de 50 jornalistas.

E ainda mais; por trás disto tudo está a carona que estas grifes pegam para internacionalizar suas pretensões. Só para constar, La Büdchen foi capa de cerca de 40 revistas internacionais.

Então quer dizer que se a Gisele desfila-se para um outro evento que não tivesse os objetivos e estratégias de mídia, R$ 90 mil seria muito dinheiro? Talvez sim, já que no viés do planejamento que hoje é bastante valorizado na Comunicação Empresarial / Institucional/ Organizacional, há a preocupação em equilibrar esta relação custo x benefício, de forma a que a frase ?Comunicação é resultado? seja levado como máxima. Prova disso é a preocupação na medição e o cruzamento feito para validar a estratégia. Cabe também lembrar que as oportunidades de surgem com a freqüente utilização desde mercado de acompanhamento de mídia tem gerado a criação de empresas de clipagem altamente profissionalizadas e que utilizam quase que na sua totalidade as inovações tecnológicas. Um bom exemplo deste trabalho é o feito pela empresa Vídeo Clipping e que pode ser conferido em www.clipnaweb.com.br (ao entrar coloque login: alerj, senha: alerj para ter noção do que estou falando).

Se é notícia, emplaca – Então vamos lá: a Fashion Week é sucesso na mídia porque é notícia, e fazer boas notícias, como bem lembra o professor Pedro Celso Campos, em texto publicado no Observatório da Imprensa, em março de 2003, citando o então ombudsman da Folha de S.Paulo, Caio Túlio, entre 1989/1990, em palestras a estudantes de Jornalismo por todo o Brasil, é dever do jornalista. Túlio ensinava que para ser um bom jornalista, captando as informações corretamente e redigindo a notícia com o melhor texto, ?é recomendável, antes de tudo, leitura, leitura e leitura, al&eacuteeacute;m de uma sintonia diária com o mundo, com as ruas, com os problemas do cotidiano, com o que as pessoas estão vivendo?. Aqui deve-se abrir um parênteses e lembrar que o fato de sermos Assessores de Imprensa não nos exime da condição de jornalistas e devemos continuar mirando os procedimentos de uma boa prática do jornalismo.

Sobre a objetividade que o lead comporta, Caio Túlio ensina: ?Objetividade jornalística é uma balela, mas aproximar-se dela é dever do profissional?.

Na opinião do professor Nilson Lage (Estrutura da Notícia. São Paulo: Ática, 1998) ?aprende-se a escrever notícias como se aprende a andar: tentando e levando tombos. Por isso, quem quiser ser jornalista deve ler por hábito e manter-se informado; freqüentar bons autores, a gramática e o dicionário; contar por escrito o que se vê e pode ser interessante para alguém; resumir documentos; interrogar pessoas; colher e processar informações; vencer a inibição; cuidar de ser confiável. Tudo isto até ficar bom, muito bom, perfeito?.

E como bem acentua Cremilda Medina (Notícia, um produto à venda. São Paulo: Summus, 1988), ?fora alguns espaços, como o da história em quadrinhos, por exemplo, onde a mensagem diversional (ou recreativa ) é diretamente vinculada com o lazer, fica muito difícil separar informação de distração no contexto da cultura de massa?. Da citação de Medina eu tiro um exemplo para lembrar que, estar linkado com o assunto ao qual se vai falar é o mais importante. Se a Fashion Week tem La Büdchen, não dá para falar do evento sem falar dela, e não dá para falar dela sem entender esta cultura muito peculiar que é o mundo da moda para, enfim, digerir que o simbolismo presente no desfile de Gisele acaba por alimentar as necessidades de uma mídia cada vez mais fundada neste contexto de entretenimento e massa. Aí, como Assessores devemos saber utilizar os critérios específicos da comunicação a fim de aumentar a probabilidade da notícia ser publicada. Então vale alguns conselhos mais que consagrados:

1- É fundamental ter a certeza que a informação tem valor noticioso;

2- Comece com uma breve descrição da notícia;

3- Em seguida pergunte: de que forma as pessoas vão entender esta comunicação e como vão reagir a ela;

4- Tenha a certeza que as primeiras duas linhas da sua comunicação têm impacto;

5- Utilize só fatos e evite rodeios.

* Jornalista, atua como assessor de imprensa no Grupo Fels Setal e na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. É também professor de Assessoria e Comunicação e Comunicação Empresarial na Universidade Veiga de Almeida, no Rio de Janeiro.”

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