Terça-feira, 24 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº963

PRIMEIRAS EDIçõES > BRITÂNICA NA AL-JAZIRA

Keila Jimenez

Por lgarcia em 09/12/2003 na edição 254

MÍDIA NA GUERRA


“?A cobertura de guerra nunca mais será a mesma?”, copyright O Estado de S. Paulo, 7/12/03

“Nem a poderosa rede americana CNN, muito menos a milionária rede inglesa BBC. No dia 20 de março foi uma rede portuguesa, a estatal RTP, que obteve um ?furo jornalístico? mundial ao exibir em primeira mão, às 5h30, as imagens do início do ataque americano a Bagdá na guerra do Iraque. Pura sorte? Segundo o diretor de Informação da rede lusitana, José Rodrigues dos Santos, não.

O jornalista, que esteve em São Paulo na semana passada, participando do II Encontro Internacional de Televisão, falou que a proeza conquistada por seu patrício, o repórter Carlos Fino, é fruto de uma mudança na ordem das coberturas de guerra na TV que se firmou este ano.

?Não é preciso mais ser um gigante para conseguir a melhor reportagem. Todo mundo agora tem chance?, disse ele. ?A responsável por essa maior igualdade entre as equipes de TV é a tecnologia, mais precisamente, o videofone?, continua. ?Antes, a cobertura de guerra ficava limitada às grandes cadeias de informação americanas, que, com muito dinheiro, dominavam tudo. Hoje, pequenas equipes de jornalistas com alguns aparatos e um pouco de astúcia conseguem fazer verdadeiros milagres. A cobertura da RTP em Bagdá é uma prova disso.?

Para José Rodrigues dos Santos, depois da invenção do videofone (aparelho que reúne um notebook, câmera digital, uma antena pequena, um celular e um modem), o público de todo o mundo poderá ver, de agora em diante, uma cobertura de guerra realizada pelo seu país.

?Foi um português, mas poderia ter sido um brasileiro, um italiano, um argentino no lugar do Carlos Fino?, fala o diretor da RTP. ?Nunca ninguém tinha visto uma guerra pela TV direto de um campo de batalha, ao vivo. Tudo sempre foi exibido de longe, sempre gravado. Posso dizer que depois do Iraque nunca mais as coberturas de conflitos serão as mesmas.?

Rodrigues aproveitou a oportunidade para contar um pouco sobre suas experiências de guerra e falou que o público não deve nunca esperar uma cobertura jornalística 100% objetiva em um lugar onde há morte, sofrimento e vidas em risco. ?O que o jornalista relata é um extensão de sua apreciação, com um jornalista de guerra não é diferente?, continua. ?É comum quando se está no meio de um conflito tomar partido de um lado da guerra, até por questões de sobrevivência. Se você está acompanhando uma tropa e ela é bombardeada, você fica com raiva de quem bombardeou, e vice-versa?, continua. ?Ser isento em um conflito desses é um dos maiores desafios do jornalista. Quando uma guerra começa, a primeira baixa é a verdade.?”

“A verdade virá depois. Agora, é só peru”, copyright Comuniqee-se (www.comuniquese.com.br), 3/12/03

“O general americano Ricardo Sanchez, comandante e chefe das forças americanas no Iraque, reconheceu com franqueza, em entrevista coletiva na sexta-feira, 28/11, que até agora não foi encontrada qualquer evidência concreta de ação da Al Qaeda no país.

Isso contraria tudo o que vem sendo dito pelo governo americano. Pelo menos desde setembro de 2002 a imprensa mundial repete declarações incisivas das maiores autoridades e faz ?revelações? de relatórios secretos dos Estados Unidos ? sempre nos ?informando? que, além de possuir ?armas de destruição em massa?, o Iraque dava abrigo à Al Qaeda.

O general Sanchez, de 52 anos, me parece um homem sério. Ele é um dos sete únicos generais de ascendência hispânica em toda a história do Exército americano. Filho de mãe solteira e com seis irmãos, teve de trabalhar desde menino e deu um salto decisivo quando conseguiu uma bolsa para a Universidade do Texas A&M. Daí foi em frente na carreira

?Sanchez é um dos nossos comandantes mais éticos, com mais princípios. Ele não tem medo de dar sua opinião ou agir mesmo que isso possa criar-lhe problemas? ? foi o que disse a seu respeito um companheiro de luta na primeira Guerra do Golfo, general Eric Olsen.

Não tenho certeza de que se possa confiar inteiramente no general Sanchez. Mas sei que não podemos confiar no governo americano. Vejam o que afirmou Ben Bradlee, o lendário editor que comandou o jornal no caso Watergate, em um célebre artigo de 1987 escrito para o jornal britânico The Guardian. Por razões de espaço, alguns parágrafos foram omitidos.

?Eu gostaria de falar sobre mentiras do governo. Mentiras calculadas. A deliberada tapeação do público, para fins políticos, especialmente sob o disfarce de segurança nacional, e que preço terrível pagamos por essas mentiras sob vários nomes: informação errada, desinformação, engano, fraude ou pura e simples desonestidade. (…)

Vamos falar sobre as grandes mentiras, mentiras que mudam a História. Duas delas têm a ver com o Vietnã. (…) Em dezembro de 1963, o Secretário Robert McNamara, disse em uma entrevista coletiva, no aeroporto de Saigon, que estava ?otimista sobre o progresso que já tinha sido feito e poderia se esperar no próximo ano? na luta contra o Vietcong. Isto foi devidamente informado a um público ansioso através da televisão à noite e dos jornais, no dia seguinte.

Ao aterrar na base aérea Andrews, em Washington, ele deu outra entrevista: ?Temos todos os motivos para acreditar que (os planos militares dos EUA para 1964) serão bem sucedidos?. E desapareceu em um helicóptero, rumo à Casa Branca para um encontro a sós com o presidente Lyndon Johnson.

Durante 7 anos e meio essa conversa não foi relatada. Até julho de 1971, e então só depois que a administração levou o New York Times e o Washington Post até ao Supremo Tribunal, num vão esforço para impedi-los de publicar os chamados Papéis do Pentágono, conseguimos saber o que McNamara realmente sentira. (….)

Enterrada naqueles papéis (que só poucas pessoas leram) estava a revelação de que McNamara havia dito ao Presidente exatamente o contrário do que falara à imprensa e, através de nós, ao mundo. O Secretário da Defesa voltara do Vietnã ?carregado de preocupação? de acordo com os documentos. ?Meu melhor palpite sobre a situação é que, de fato, ela está se deteriorando muito mais do que pensamos.?

Pensem por um momento como a História poderia ter mudado se aquelas mentiras não tivessem sido ditas na base Andrews. Reflitam sobre uma das eternas verdades de nossa profissão ? insuficientemente compreendida por nós ou nossos leitores: que a verdade, a completa verdade, emerge com o tempo, e que esse é o caminho que deve ser seguido. (….)

Não pegamos tudo de uma vez, na primeira quebra da casca, por muitas razões, inclusive o fato de que as pessoas ocasionalmente mentem. E pode levar um grande tempo para se saber tudo e se saber direito.

Agora vamos pular oito meses até agosto de 1964, para uma edição da revista Time. Através da escuridão, do oeste e do sul, os intrusos ousadamente aceleraram. Havia pelo menos seis deles, torpedeiras Swatow, fabricação russa, com armas pesadas (37mm, 28mm e P-4s). Às 9h52m elas abriram fogo contra os destróiers e, neste momento, estavam a apenas 2 mil jardas (1.800m). Os sinais luminosos e os holofotes dos barcos clarearam a noite. Dois dos inimigos afundaram.? (…)

Só há um problema. Não houve batalha. Não havia um só intruso, quanto mais seis. Esqueçam os Swatows russos com armas pesadas. Nunca atiraram. Nunca afundaram. Nunca atiraram torpedos. Nunca estiveram ali.

Foram necessários 20 anos para que a verdade emergisse. Minha autoridade é o almirante Jim Stockdale, que escreveu um livro fascinante, No amor e na guerra. Stockdale foi mais tarde derrubado sobre o Vietnã e foi prisioneiro dos vietnamitas por quase sete anos. Mas naquela noite ele estava num jato Sabre e, voando sobre os destróieres Maddox e Turner Joy, vasculhou o mar por mais de duas horas e não viu nada.

Permitam-me recordar que a chamada Batalha do Golfo de Tonquim foi a única base para a Resolução do Congresso, que se tornou a justificativa para a guerra dos Estados Unidos contra o Vietnã.?

Pequeno adendo ao artigo de Bradlee: a guerra dos Estados Unidos contra a Espanha também foi ?justificada? por uma mentira, histericamente divulgada pela imprensa americana: a de que os espanhóis haviam torpedeado o couraçado Maine. Muitas décadas depois esclareceu-se que a explosão do Maine foi acidental. O espanhol mais próximo estava em terra.”

“Autor ganha fama ao retratar dia-a-dia da guerra em diário on-line”, copyright Folha de S.Paulo, 6/12/03

“Às 5h35 do dia 20 de março (23h35 de 19 de março em Brasília), os primeiros Tomahawks lançados pelos navios norte-americanos ancorados no golfo Pérsico e no mar Vermelho atingiram o complexo presidencial de Saddam Hussein em Bagdá, dando início assim à Guerra do Iraque.

O conflito duraria 43 dias, durante os quais 180 jornalistas estrangeiros permaneceriam na capital iraquiana o tempo todo -pela primeira vez na história recente, repórteres ficariam tanto tempo seguido num fronte.

Menos de 30 minutos depois de iniciada a guerra, via conexão por satélite clandestina, a Redação da Folha em São Paulo recebia os primeiros textos e fotos do bombardeio -o jornal foi o único órgão de imprensa do Brasil com repórter e repórter fotográfico em Bagdá durante o conflito.

Pois bem.

Às 5h56 daquela mesma madrugada, portanto menos de 20 minutos depois de deflagrado o caos, um blog muito particular registrou uma ?entrada?: ?Sirenes de bombardeio em Bagdá, mas os únicos sons que dá para ouvir são as metralhadoras antiaéreas?.

(Para os não-iniciados, blog é abreviatura de ?weblog?, ou diário da rede, um espaço on-line que virou coqueluche há dois anos na internet e pelo qual anônimos fazem na maioria das vezes diários mas também divulgam informações e idéias. Já ?entrada? é um novo texto colocado no blog.)

Seu autor assinava Salam Pax (?paz? em árabe e latim, respectivamente), se dizia iraquiano e vivendo em Bagdá e mantinha o blog desde 2002. Com a guerra, passou de curiosidade de poucos a fonte fundamental de informação para muitos, não a informação estritamente jornalística, mas a do dia-a-dia daquele povo invadido, tão em falta na maioria dos meios naqueles momentos.

Por exemplo, a entrada de sexta, 21 de março: ?A noite passada foi muito quieta em Bagdá. Hoje pela manhã, saí para comprar pão e outros comestíveis. (…) Apenas as padarias abrem, além de algumas mercearias, que cobram quatro vezes o preço normal?.

O inglês correto, o estilo irônico e direto e a improbabilidade de um bagdali normal ter acesso periódico à internet, burlando não só a censura da mukhabarat (a polícia secreta de Saddam) como as constantes faltas de energia, levantaram todo tipo de especulação sobre quem seria Salam Pax.

Os jornalistas discutíamos no lobby do hotel Palestine se ele não seria um de nós. Internautas pelo mundo todo atribuíam seus textos a agentes da CIA ou dos filhos de Saddam Hussein, dependendo da sala de bate-papo.

Temendo pelo burburinho envolvendo seu nome e vivendo num país que, afinal, ainda era comandado por um ditador, Salam Pax parou de ?blogar?. Em vão: seu silêncio começou a ser discutido nas salas. Morreu? Foi assassinado? Ou (pausa) se suicidou?

Até que em junho, num artigo para a revista eletrônica ?Slate?, o jornalista Peter Maass aparentemente resolve o mistério. Salam Pax não só existia como tinha sido seu guia -é prática dos jornalistas contratarem locais que falem inglês por seu conhecimento de árabe, das ruas e da burocracia.

Ele seria um arquiteto iraquiano que havia estudado em Viena, falava um inglês perfeito, adorava a ?The New Yorker? e lia e relia ?O Homem do Castelo Alto?, ficção científica de Philip K. Dick (1928-1982), o autor cult cujo conto daria origem ao clássico longa ?O Caçador de Andróides? (1982).

O mesmo Maass, autor de ?Love Thy Neighbor – A Story of War? (Ama Teu Vizinho – Uma História da Guerra), sobre a Bósnia, cunhou a definição perfeita do fenômeno: ?Salam é a Anne Frank da Guerra do Iraque?.

Guardadas as proporções, seus escritos realmente podem ser comparados aos da menina judia que, escondida dos nazistas com a família num cubículo durante a Segunda Guerra Mundial, deixou um diário em que narra o dia-a-dia de todos que comove pela simplicidade e pungência.

Diferentemente de Anne Frank, porém, que morreu antes de ver a guerra acabar, Salam Pax virou em vida um ídolo pop -e isso talvez diga mais sobre a diferença entre as épocas do que propriamente entre os dois diários.

Continua não revelando quem é ou seu nome, mas há alguns meses vem escrevendo uma coluna para o diário britânico ?The Guardian?. Na última, de 10 de novembro, anuncia que seu blog virou um photolog e que o filme que fez quando saiu pelas ruas de Bagdá, registrando o que via, iria ao ar naquele dia, pela BBC2.

Mais: tudo o que foi registrado no seu blog entre 7 de setembro de 2002 e 28 de junho de 2003 virou livro, ?O Blog de Bagdá?, que está saindo agora no Brasil.

Como livro, não vale grande coisa -a transferência para o papel de textos produzidos especificamente para a internet lembra o esforço vão e de certa forma infantil de tentar segurar a água que jorra da torneira. Além do mais, ?O Blog de Bagdá? limita-se a transpor uma coisa a outra, sem nenhuma reflexão ou intervenção. Mas como experiência e, mais, como ?zeitgeist? (o espírito de um tempo), é sensacional.

?O Blog de Bagdá?

Autor: Salam Pax

Tradução: Daniel Galera

Editora: Companhia das Letras

Quanto: R$ 35 (264 págs.)”

 

BRITÂNICA NA AL-JAZIRA

“Despedimento de Jornalista Britânica da Al-Jazira Envolto em Mistério”, copyright Público, 8/12/03

“Há dois anos esteve no topo das notícias. Presa em 28 de Setembro de 2001 pelos taliban, quando tentava entrar ilegalmente no Afeganistão, a jornalista britânica Yvonne Ridley permaneceu cativa durante dez dias. Mais tarde converteu-se ao islamismo e foi trabalhar para a televisão Al-Jazira. No mês passado, perdeu o emprego da cadeia árabe de informação em contínuo.

?Estou desorientada?, disse Ridley a ?The Independent? na semana passada. ?Até saber porque é que fui despedia, ou ter recebido uma comunicação escrita, não posso dizer mais nada a não ser que estou completamente devastada e intrigada?, afirmou, segundo a BBC citando o ?Gulf News?. A jornalista, 45 anos, era a editora sénior do serviço em inglês da Al-Jazira, onde trabalhava desde Julho.

Há várias teorias a circular sobre as razões por que, um dia às 11 da manhã, um secretário da estação foi a sua casa dizer-lhe que estava despedida, com a informação adicional de que não deveria voltar às instalações, pois os guardas estavam instruídos para não a deixarem entrar.

Mas a história que envolve o percurso de Yvonne Ridley nos últimos dois anos está semeada de acontecimentos insólitos. Foi descoberta a tentar entrar no Afeganistão enquanto enviada especial dos jornais britânicos ?Sunday Express? e ?Daily Express?, usando o traje tradicional das mulheres afegãs, que as cobre da cabeça aos pés, a burqa, quando estava iminente o ataque dos Estados Unidos, na sequência dos atentados de 11 de Setembro. Os taliban começaram por justificar a sua prisão com a necessidade de averiguar suspeitas de espionagem.

Ridley foi casada com um ex-coronel da OLP (Organização de Libertação da Palestina), Daoud Zaarour, de quem tem uma filha agora com dez anos, Daisy. Há dois anos, Zaarour descreveu a sua ex-mulher como ?uma jornalista de grande integridade e coragem que não mostra medo de ir atrás de uma história?. Outros testemunhos davam-na também como uma profissional bastante experiente que não corria riscos desnecessários. Ainda durante o cativeiro no Afeganistão, a Al-Jazira noticiou que fôra casada até 1999 com o israelita Ilan Roni Harmouch, possivelmente um agente dos serviços de informação do seu país, tendo mostrado uma fotografia dos dois com Daisy.

Interrogada pelos serviços secretos taliban, acabou por ser anunciado o seu julgamento por ter entrado ilegalmente no Afeganistão, mas foi libertada já depois do início dos ataques. Houve notícias dos esforços da diplomacia britânica para libertar a jornalista, mas ela acabou por acusar os serviços secretos ocidentais de quererem a sua morte. No livro que lançou um livro a contar a sua aventura (?In The Hands of the Taliban?), Ridley dizia que isso faria aumentar o apoio da opinião pública em relação aos ataques ao país.

Conversão ao Islão

O acontecimento seguinte na vida de Ridley que deu que falar foi a sua conversão ao Islão. Na origem desse processo estará a visita de um clérigo muçulmano enquanto esteva presa no Afeganistão, a quem prometeu ler o Corão (o livro de referência do Islão, à semelhança da Bíblia para os cristãos), num esforço para facilitar a sua libertação pelos taliban. O momento da sua conversão foi em Agosto deste ano, já trabalhava na Al-Jazira. Mas porquê, logo uma mulher tão activa e temerária, abraçar uma religião que menoriza e oprime as mulheres em muitas dimensões da vida?

?Comecei a ler o Corão e foi absolutamente de cortar a respiração. Podia ter sido escrito ontem a pensar em hoje?, disse ao serviço ?on-line? da BBC. ?Era claro como cristal que as mulheres são iguais em espiritualidade, valor e educação.? ?Penso que o Islão teve um efeito verdadeiramente positivo sobre a minha vida. Tornou-me mais tolerante, mais filosófica e muito mais calma. Sinto-me muito mais saudável e mais confiante?, disse a ?The Independent?.

Quando começaram a surgir os primeiros rumores da sua conversão ao Islão, recebeu um telefonema de Abu Hamza, um extremista islâmico de Londres que lhe disse que os sequestradores dos aviões de 11 de Setembro eram mártires. ?Ele disse: ?Receberá todo o carinho e apoio que precisar da comunidade muçulmana, e sempre que precisar de ajuda telefone-me.? Foi tão simpático?, conta Ridley

Além da vida religiosa, a vida profissional de Ridley também sofreu uma grande transformação. Deixou o quadro do ?Sunday Express? em Dezembro de 2001. Fez algum trabalho para a BBC rádio no Afeganistão e para o noticiário do Channel Five no Iraque. Nessa altura foi abordada pela Al-Jazira. Foi trabalhar para o seu novo ?site? em inglês, e estava apanhada pela Internet. ?É uma actividade realmente entusiasmante 24/7[24 horas por dia, sete dias por semana]… Se acontece alguma coisa, podemos dá-la de imediato na Internet?, dizia.

Várias hipóteses

Após esta cadeia de acontecimentos, o despedimento de Ridley surge como intempestivo. Um porta-voz da Al-Jazira, Jihad Ballout, começou por dizer. ?O seu gestor considera que ela simplesmente não se enquadra no objectivo do que ele encara como a missão da actividade.? Mas alguns dias depois a advogada de Ridley, Katrina Wilson, veio dizer que agora a Al-Jazira alegava que a jornalista não tinha sido despedida, estando apenas com a actividade suspensa durante uma investigação a um ?alegado erro? não especificado.

Fontes próximas da jornalista citadas por ?The Independent? temem que a Al-Jazira possa ter sido submetida a pressões da Casa Branca para se ver livre da jornalista. Há rumores de que a estação de TV anuiu a pedidos da Casa Branca para retirar dois ?cartoons? do seu ?site?, um dos quais mostrava duas bombas de extracção de petróleo a erguerem-se das cinzas das Torres Gémeas. Ridley terá tido alguma influência sobre este conteúdo. A Casa Branca também não deve ter gostado da última história que Ridley escreveu para o ?site? em inglês: era sobre soldados americanos a atar mulheres e crianças nas suas próprias casas durante buscas casa a casa.

Outra possibilidade é que possa ter irritado so seus empregadores por falar sistematicamente das coisas com que não concordava, como a qualidade da escrita de algumas peças. Além disso, fontes da empresa atribuem o despedimento de Yvonne Ridley a sua forte campanha a favor de mais direitos dos jornalistas no canal e no ?site? em inglês da Al-Jazira, ambos a funcionar a partir de Doha. Antes da sua chegada, os jornalistas do ?site? de notícias trabalhavam frequentemente turnos de 12 horas, seis dias por semana, sem receberem pagamento de horas extraordinárias ou tempo de folga para compensação.”

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