Terça-feira, 17 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

PRIMEIRAS EDIçõES > OS MAIAS

Kelia Jimenez

Por lgarcia em 20/01/2001 na edição 105

QUALIDADE NA TV

OS MAIAS

"Edição adia estréia portuguesa de ‘Os Maias’", copyright O Estado de S. Paulo, 16/01/01

"Ao contrário do que a Globo anunciou, a minissérie Os Maias não está sendo transmitida simultaneamente em Portugal, pelo canal SIC – Sociedade Independente de Comunicação. O lançamento lá foi adiado, por tempo indeterminado, por conta dos mesmos problemas de pós-produção (edição e sonorização) que atrapalharam a estréia aqui.

Segundo o Gabinete de Comunicação da SIC, a minissérie é aguardada com ansiedade pelos portugueses. Até ontem, nenhuma fita de Os Maias havia sido enviada a Portugal. A equipe da SIC afirma ainda que seus lançamentos costumam ser definidos com pelo menos 20 dias de antecedência, prazo necessário para o trabalho de divulgação. Até ontem, nem material promocional chegou.

A minissérie começou a ser exibida no Brasil no dia 9 e teve boa audiência: 32 pontos de média. A promessa de capítulo especial, porém, não foi cumprida. Por causa do atraso na edição, foram ao ar apenas 22 dos 50 minutos previstos para o primeiro dia. Resultado: o ibope caiu para 24 pontos no segundo capítulo e 17 e 19 nos dias seguintes. A SIC, canal do qual a família Marinho possui 15%, assina a co-produção. A Globo tenta dar a Portugal uma edição final mais caprichada."

"Um atraso capaz de redimir a televisão", copyright O Estado de S. Paulo, 13/01/01

"O atraso na edição do primeiro capítulo da minissérie Os Maias, da Rede Globo, provocou um pandemônio na emissora. Duas horas antes da estréia, o diretor Luiz Fernando Carvalho ainda montava as cenas iniciais. Não deu tempo de acabar e foram ao ar apenas 22 minutos, menos da metade dos 50 previstos.

Mas Carvalho não merece puxão de orelha. É mesmo de se duvidar que o tenha levado. Os Maias é um show de boa televisão, uma prova de que a teledramaturgia pode ser usada para o bem. Graças ao detalhismo do diretor, no pouco que se viu daquele primeiro capítulo estava a antológica cena em que os personagens de Leonardo Vieira e Simone Spoladore flertam em meio a uma tourada. Enquanto o toureiro abatia o animal, Pedro da Maia sucumbia ante a beleza de Maria Monforte.

Carvalho, que elevou solitariamente os padrões de qualidade da telenovela em Renascer (93), estuda cada cena, cada enquadramento, toma conta da luz e das inflexões dos atores, faz TV com capricho e não com pressa de ir para casa.

É quase um E.T. num veículo marcado pelo descaso de quem faz para com quem assiste.

No caso de Os Maias, Maria Adelaide Amaral fez uma adaptação competente – e tomara que não caia no erro de mudar o final do romance de Eça de Queirós. O texto original, aliás, é meio caminho andado para o sucesso. Há momentos em que o ritmo parece arrastado, mas isso deve ser creditado mais ao vício que o telespectador adquiriu na estética frenética do videoclipe. Esta estranheza pode ter sido a razão da queda da audiência no segundo capítulo.

Mas, no terceiro dia, as coisas aconteceram mais rápido: no início do capítulo, Maria Monforte estava fugindo de Pedro; no final do mesmo, já engravidara dele. A minissérie não é lenta, é poética; e realista.

O elenco tem Walmor Chagas perfeito, e o resgate de Leonardo Vieira, que lavou sua alma de ator. Simone Spoladore, Osmar Prado, Stênio Garcia e Ariclê Perez também se destacaram. E como é bom ver Carlos Alberto de novo.

Agora é torcer para que o cuidadoso diretor continue atrasando tudo até o capítulo final. Em nome da boa TV. (A colunista Leila Reis está em férias)"

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