Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

PRIMEIRAS EDIçõES > INCÊNDIO NO XUXA PARK

Léa Agostinho e Claudia Fernandes

Por lgarcia em 20/01/2001 na edição 105

INCÊNDIO NO XUXA PARK

"Cenários de TV são áreas de risco", copyright Jornal do Brasil, 15/01/01

"No cenário do Xuxa Park eram muitos os materiais inflamáveis: resina, gelatina líquida, polietileno e vinil

A TV Globo trabalhou no limite do risco. De acordo com a relação do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), no cenário do estúdio F do Projac, onde ocorreu o incêndio que deixou 28 feridos, havia resina, polietileno, gelatina líquida e vinil em profusão no cenário do Xuxa Park. Todos materiais altamente inflamáveis. A maioria dos feridos, que estão internados em estado grave, inalou os gases tóxicos decorrente da alta temperatura que atingiu a combustão desses materiais.

De acordo com cenógrafos brasileiros, o risco poderia ser reduzido se fossem usados materiais feitos na Europa. Mas o custo seria dez vezes maior. ”Os materiais de cenografia são altamente inflamáveis. E os plásticos menos inflamáveis, fabricados no Brasil, têm poucas opções de cores. O que temos aqui é muito limitado”, diz o cenógrafo Gringo Cardia, especializado em montagens de peças teatral e shows.

As normas de aprovação concedida pelo Corpo de Bombeiros, em tese, não levam em consideração essas dificuldades. Por lei, todos os materiais devem ser anti-incêndio, ou tratados com produtos que retardam a ação do fogo. ”Essa orientação consta do certificado de aprovação e vale para equipamentos, peças, cenários e carpetes”, explica o coronel Jorge Lopes. Os bombeiros admitem que, concedido o alvará, teatros e estúdios não são vistoriados a cada novo espetáculo.

Para Gringo Cardia, a única forma de evitar acidentes como o que ocorreu no estúdio do programa Xuxa Park seria a prevenção. ”No teatro existe o que chamamos de parede corta fogo, de ferro, que separa o palco da platéia e é acionada em caso de incêndio”, destaca. Mas, no caso dos cenários dos programas infantis a porta corta-fogo seria inútil, já que muitas crianças estão dentro do palco, integrando o cenário.

Mas segurança, para o pesquisador da Coppe Moacyr Duarte, é planejamento. Para ele, a TV Globo se preocupou ”em ter a câmara mais moderna, o melhor cenógrafo e um estúdio superequipado”, mas foi esquecido, por exemplo, a instalação de um detector de fumaça. ”Pelas cenas que vi na televisão, quando a Xuxa viu o que estava acontecendo, já tinha fogo”, lembra.

Segundo o pesquisador, que é especialista em planejamento de emergência, é preciso levar em conta tudo o que poderia pegar fogo. ”Era preciso calcular a temperatura a que chegariam esses materiais no caso de incendiar e a velocidade da propagação. Não adianta dizer que em dois minutos a brigada de incêndio retirou todo mundo do local. É preciso confrontar o tempo de evacuação do estúdio com o tempo que levou para queimar o cenário”.

O pesquisador criticou a existência de uma grade de proteção entre o palco e a platéia no estúdio F. ”Como não pensaram que aquela grade poderia atrapalhar a circulação das pessoas em caso de incêndio?”, indagou. Outra coisa que chamou a atenção de Moacyr Duarte foi o fato de crianças ficarem justamente no local com maior carga de incêndio, próxima ao cenário. ”Elas ficaram isoladas num monte de plástico, como aquela que ficou presa na roda gigante”, criticou.

O especialista dá um exemplo de planejamento que poderia ser adotado pelas empresas. ”Quando você pega um avião, a aeromoça explica todos os procedimentos em caso de queda. Por que não fizeram isto com as pessoas que foram assistir a gravação do programa?”, indaga e ensina: ”A regra é a seguinte: se você quer que tudo dê certo, prepare-se para o pior”, aconselha o pesquisador, que já fez planejamento de emergência para Angra dos Reis e Reduc."

"Fogo marca a história da TV", copyright Jornal do Brasil, 15/01/01

"O incêndio ocorrido na TV Globo, durante a gravação do programa Xuxa Park, foi o sexto na história da emissora. O primeiro ocorreu no dia 29 de novembro de 1971, durante uma gravação do programa de Moacir Franco. No dia 4 de junho de 76, outro incêndio destruiu quase toda a central de transmissão da Globo. Em setembro do mesmo ano o fogo voltou a ameaçar a TV. Em 92, um dos estúdios da sucursal paulista pegou fogo e um princípio de incêndio destruiu os arquivos da sucursal em Brasília.

Mas o primeiro incêndio numa emissora de televisão brasileira aconteceu no dia 29 de julho de 1966, na TV Record, em São Paulo, que voltou a arder em março e julho de 69. Mais uma vez, o fogo castigou a Record em 92. Nesta última ocasião, foi constatado que o incêndio havia sido criminoso e o ”bispo” Edir Macedo, da Igreja Universal Reino de Deus e proprietário do canal foi indiciado.

A TV Excelsior queimou em 1967 e em 1970 e em julho de 69, um incêndio destruiu a TV Bandeirantes. Em 1972, foi a vez da Rádio e TV Gaúcha, em Porto Alegre. A TV 31 de Março, em Aracaju, queimou em outubro de 1974 e o fogo inutilizou os equipamentos de gravação da TV Itapoã em julho de 1975 e depois a nova aparelhagem, então recém-comprada pela TV Tupi, em outubro de 1978. Este mesmo ano, aliás, foi marcado por outros incêndios: no estúdio Silvio Santos, na TV-Rádio Clube, de Recife e na TV-E e em 86 na TV Cultura pegar fogo."

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