Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES > VASCO vs GLOBO

Lancenet

Por lgarcia em 31/01/2001 na edição 106

QUALIDADE NA TV

VASCO vs GLOBO

"Provocação pela TV", copyright Lancenet (www.lance.com.br), 19/01/01

"A logomarca do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão) utilizado na camisa do Vasco, ontem, viola o artigo 27-A, parágrafo 5º, da Lei do Esporte. A legislação proíbe que empresas de comunicação, como emissoras de TV e rádio, patrocinem entidades desportivas. A punição é de suspensão do clube, mas não há previsão de número de partidas – essa decisão teria de ser tomada pela comissão disciplinar da Copa João Havelange.

A propaganda foi uma forma de o Vasco protestar contra a TV Globo. O dirigente declarou à CPI da Câmara que a emissora era a culpada pela desordem no calendário do futebol brasileiro e que fora perseguido pela empresa, que teria feito uma edição de imagens que o responsabilizava pelos incidentes ocorridos no segundo jogo da final da Copa João Havelange, em São Januário.

Segundo o advogado Heraldo Panhoca, o São Caetano pode recorrer à CBF e à Justiça Desportiva.

– Se a CBF quisesse cumprir a Lei Pelé, deveria baixar um ato administrativo, punindo o Vasco por essa atitude. Mas para que houvesse um efeito mais profundo, isso deveria ter sido feito no momento da partida – explicou Panhoca.

O advogado diz que, pela lei, o Vasco estaria impedido de iniciar a partida e, portanto, o São Caetano seria o campeão da Copa JH. Tanto o São Caetano quanto a Rede Globo, os possíveis prejudicados, poderiam entrar com um pedido na Justiça. O problema é que a Lei do Esporte prevê apenas suspensão do clube, o que impossibilitaria a punição, já que a partida de ontem foi a última da Copa João Havelange.

O presidente do São Caetano, Nairo de Souza, afirmou ontem que não pretende entrar na Justiça para ganhar o título no tapetão.

– Para nós, a Copa João Havelange terminou. Essa competição virou uma novela que ninguém agüenta mais. Estou cansado disso tudo. Daqui para a frente não reivindicar mais nada – afirmou.

Segundo Nairo, as atenções agora estão voltadas para o futuro.

– Pela primeira vez em nossa história disputaremos três competições num mesmo semestre. Mas a prioridade é o Campeonato Paulista.

O presidente de honra do Vasco, Antônio Soares Calçada, tentou explicar a posição do Vasco no episódio.

– Foi uma homenagem que o Vasco fez ao SBT, ao Sílvio Santos, que eu conheço há 30 anos – disse.

O dirigente afirmou que o símbolo não foi utilizado como provocação, mas informou que a logomarca não continuará estampada na camisa do clube. – Foi só para a final da Copa João Havelange."

"SBT, a TV do Eurico", copyright no. (www.no.com.br), 18/01/01

"Até agora, às 18h30, a diretoria do SBT ainda não sabe explicar por que o time do Vasco entrou em campo na final da Copa JH exibindo a logomarca da emissora na camisa – o patrocinador do time era a marca de sabão Ace. O caso já foi encaminhado ao departamento jurídico da empresa, que deve se pronunciar amanhã."

"Marketing provocativo na final da JH", copyright Valor Econômico, 19/01/01

"O que parecia ser uma tacada de mestre de Silvio Santos revelou-se outra demonstração do jogo bruto do presidente eleito do Vasco da Gama, Eurico Miranda. O time carioca, que se sagrou ontem campeão brasileiro, colocou seus jogadores em campo vestindo camisas com o logotipo do SBT. Com um detalhe desconcertante: o clube não é patrocinado pela emissora e não pediu autorização para usar sua imagem.

Foi uma provocação à Rede Globo, que transmitiu os jogos do torneio com exclusividade e vinha fazendo críticas a Eurico. A assessoria de imprensa do SBT informa que a questão foi levada ao Departamento Jurídico, que decidirá as providências cabíveis.

Foi um desfecho à altura de um campeonato marcado por mudanças de calendário, desrespeito ao regulamento e pouco público nos estádios. Mais uma pedra na chuteira de fundos de investimento e empresas de marketing esportivo que se aventuraram nos gramados do Brasil.

Episódios como este e os ocorridos em São Januário em dezembro; incertezas trazidas pela Lei Pelé, e as imprevisíveis CPIs do Futebol na Câmara e no Senado estão afastando os investidores.

‘Isso tudo é uma burrice’, resumiu Édson Arantes do Nascimento, o Pelé, durante o anúncio da sua parceria com o canal esportivo PSN, ontem, em São Paulo. Ele afirma que, por culpa de um pequeno grupo de dirigentes atrelados a seus próprios interesses, o futebol tornou-se fonte de prejuízo para os clubes e as empresas que os patrocinam.

O melhor exemplo de time ‘abandonado’ por patrocinadores é o Palmeiras – que inaugurou a era das parcerias, ao firmar, em 1992, um contrato de co-gestão com a Parmalat. A dobradinha terminou em dezembro, e a multinacional italiana não se interessou nem em ser o ‘patrocinador de camisa’ do time.

Antes ainda do fim do contrato, a diretoria do Palmeiras vinha costurando um acordo com a empresa suíça de marketing esportivo ISL, que já é parceira do Flamengo e do Grêmio. Um protocolo de intenções chegou a ser assinado em novembro, mas, na última hora, os suíços recuaram. Juntamente com a cúpula flamenguista, a ISL está sob investigação da CPI do Senado.

A história da CIE-Octagon-Koch Tavares é parecida. O consórcio anunciou a intenção de investir US$ 200 milhões em parcerias com o Santos e o Atlético Mineiro em um período de dez anos, mas não fechou acordo com nenhum dos dois clubes.

O fracasso das negociações foi um duro golpe para uma das maiores entusiastas do negócio futebol no Brasil, a economista Elena Landau. Ela deixou o Opportunity, de Daniel Dantas, para se tornar consultora em negócios do mundo da bola. E foi uma das responsáveis pela reestruturação feita para transformar o Atlético Mineiro em uma empresa.

Quem já havia entrado no jogo antes de a crise se abater sobre o futebol brasileiro também dá mostras de insatisfação. O Bank of America, que firmou em 1998 um contrato com o Vasco da Gama, está à procura de outros investidores para dividir com ele o risco de investir no futebol brasileiro. A instituição já desembolsou mais de US$ 150 milhões no clube carioca, mas, no ano passado, decidiu apertar o cinto.

A Vasco da Gama Licenciamentos, empresa que administra a marca Vasco, fechou seu primeiro ano com prejuízo de R$ 2,8 milhões. Para complicar, a Procter & Gamble decidiu não renovar o contrato de patrocínio com o clube, que lhe garantia espaço para a marca de sabão em pó Ace na camisa dos jogadores.

Outro que pisou no freio foi o fundo de investimentos HMTF, parceiro do Cruzeiro e do Corinthians. O time mineiro deu prejuízo de R$ 15 milhões no primeiro ano da dobradinha. O paulista opera com um déficit mensal de R$ 1 milhão. Resultado: a HMTF brecou a contratação de reforços para os dois times.

Por essas e outras, alguns dos principais times brasileiros iniciam a temporada 2001 sem cacife para investir. O modelo de time bom e barato, improvisado pelo Palmeiras no ano passado, deve predominar. E os investidores ameaçam juntar-se aos torcedores – longe dos estádios."

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