Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > TV CULTURA EM CRISE?

LAÇOS DE FAMÍLIA

Por Renato Janine Ribeiro em 31/01/2001 na edição 106

"Uma ignorância muito conveniente", copyright O Estado de S. Paulo, 28/01/01
"A ricaça Alma leva um susto, na novela Laços de Família, ao ouvir que a empregada Ritinha teria que trabalhar para sustentar seus filhos assim que nascessem. Não poderia cuidar deles, brincar com os bebês à vontade. A família de Rita até vive melhor que muita gente – eles têm uma casa ‘normalÂ’, diz ela, com dois quartos. Não devem ser favelados. E isso quer dizer que um dos quartos é para os pais dela, o outro, para os irmãos menores. Para que Rita e os gêmeos tivessem lugar, alguém seria deslocado para a sala – cômodo, aliás, que milhões de brasileiros nem possuem.
Alma parece sinceramente surpresa: não tinha noção do que é ser pobre. (E olhe que um terço de nossa população tem uma renda que não dá para pagar o mínimo de despesas necessárias no dia-a-dia. Isso é pobreza). Aliás, ela nem tem idéia do que são leis trabalhistas. Quis despedir Rita, quando soube que estava grávida do marido dela, Alma. Mas a lei brasileira é clara: toda grávida é estável no emprego até depois do parto.
A ignorância de Alma não é inocente. Como ignora as leis, o que faz pela empregada grávida é bondade sua. Não é visto como direito da funcionária, mas como obséquio, gentileza da patroa. Ela poderia ter enxotado a moça? É claro que não, devido a uma lei feita para impedir, justamente, a prepotência dos patrões, e para não reduzir o que é direito a favor.
É curioso: Laços de Família detalha a mais alta tecnologia médica, mas cala o que é o bê-á-bá das leis. Notem que não falo do aspecto técnico do direito, mas do mínimo a respeitar nas relações humanas. Algumas leis, como as trabalhistas, mexem com o cotidiano de todos, mais do que certas moléstias que no fundo afetam poucas pessoas. Por que será mais fácil falar da dor, quando sua causa está no corpo, do que quando é gerada pelas relações humanas?
Sofremos, todos nós, com o calvário de Camila. (Sorte que ela fica tão bonita de cabeça raspada, o que atenua seu caráter trágico.) Mas desculpe a banalidade: seu drama é pequeno perto do cotidiano de dezenas de milhões que moram pior que a família de Rita.
Aqui percebemos o limite do que a dramaturgia televisiva consegue dizer. As novelas, tenho insistido nisso, contribuem muito para rever as relações afetivas. São capazes até de sutileza psicológica. Personagens como Helena, Capitu, Miguel têm uma densidade afetiva que aparece em matizes preciosos.
Mas, quando os problemas são de alcance social, a novela tem pouco a dizer.
Pode traduzi-los no plano pessoal e recomendar saídas psicológicas, morais.
Trate bem os próximos. Leve a empregada grávida ao médico. Não minta para quem você ama. Mas é tudo. A novela não pode lidar com o social. Se as pessoas moram mal, isso tem a ver com os comerciais que aparecerão no intervalo – os carros, que roubam a prioridade que deveria ser do transporte coletivo, a distribuição iníqua de renda, que não deixa dinheiro para programas sociais, o consumo perdulário de uns, que faz outros receberem salários insuficientes.
Há dois anos o New York Times se impressionou ao saber que São Paulo tem a terceira maior frota de helicópteros privados do mundo, atrás só de Manhattan e Tóquio. Mas isso não levou o NYT a elogiar nossa cidade. Muito ao contrário. Achou escandaloso. Fui consultado por seu correspondente no Brasil. Concluímos que nossos ricos não se sentem responsáveis pela sociedade em que vivem. Sentem como se a desigualdade viesse de Marte, não de nós – ou deles – mesmos. E por isso Alma pode chegar à idade madura mais analfabeta em Brasil do que o Times. (Renato Janine Ribeiro é professor de Ética e Filosofia Política da USP)"

TV CULTURA EM CRISE?
Jorge da Cunha Lima
"TV Cultura: muito além do castelo", copyright Folha de S. Paulo, 23/01/01
"Jornalista há 50 anos, desde sempre prefiro uma liberdade de imprensa indevidamente exercida à censura. Fui criança na guerra e adulto no regime militar. Abomino qualquer atitude que tolha a liberdade dos jornais, dos jornalistas e dos leitores de afirmar, de pensar, de sonhar e mesmo de errar. Em reportagem publicada na Ilustrada (11/01), a Folha errou.
A TV Cultura, instituição da Fundação Padre Anchieta, tem 37 anos e não quer ficar encastelada. Conheceu desafios diversos no decurso do tempo. Começou educativa, sonhando implantar no Brasil a educação à distância. Hoje é educativa, cultural e informativa. Persegue a idéia da TV pública nem comercial nem governamental, condição que vem alcançando graças ao esforço de seus profissionais, ao apoio de empresas e de governos -notadamente o de São Paulo- e ao respeito da sociedade.
Depois de um período de crise, da demissão de 500 de nossos 1.600 funcionários e de muita ação, reequilibramos as finanças, como atestam os balanços auditados pela Andersen. Reestruturamos a área administrativa e temos tido êxito na busca de fontes alternativas de financiamento. A TV Cultura saneou suas contas a ponto de poder ampliar a sua programação. E, mais importante, sem sacrificar a qualidade. De onde, então, saíram as extravagâncias publicadas na contraditória reportagem da Ilustrada?
Talvez do fato de que as transformações tecnológicas e o impacto delas nas relações de mercado tenham aumentado o ritmo e a velocidade exigidos aos meios de comunicação, reduzindo -a ponto de quase dispensar- a reflexão para a produção de uma opinião. Esse mercado impôs uma exigência de emoção que se alimenta da violência, do escândalo, da denúncia fria. Esse mercado se encanta com os equipamentos e negligencia o pensamento; troca a qualidade pela audiência e, em decorrência, só tem um critério de avaliação: o Ibope.
As consequências desses constrangimentos são arrasadoras. O aviltamento da qualidade da TV atinge a todos nós, mas, proporcionalmente, fez da TV Cultura e da Rede Globo as mais prejudicadas em audiência: a Globo porque disputa melhor quando produz qualidade; a TV Cultura porque só pode disputar produzindo qualidade. Na imprensa escrita constatamos que a prática do erramos ou o hábito salutar das cartas dos leitores já não são suficientes para restaurar a honra das pessoas ou a imagem das instituições.
Com esses constrangimentos estruturais, exibe-se na mídia, por vezes, uma classe média subdominante, que tem comportamentos dolosos. Detém pequeno poder, com efeitos altamente destrutivos. O dolo é praticado (impresso ou televisionado) quando subordinado virtuosamente aos interesses mercadológicos do patrão ou quando é irrelevante para esses interesses.
Uma transformação como a que realizamos na TV Cultura não se faz sem atingir interesses, os quais encontram em profissionais de mídia canais para destilar seus ressentimentos. Certamente foi a partir desse caldo de motivações estruturais e circunstanciais que o editor da Ilustrada e a repórter Laura Mattos arbitraram-se em auditores da TV Cultura, decretando sua falência financeira e intelectual, minimizando as informações otimistas e verdadeiras que transmiti à repórter em mais de duas horas de entrevista e desconsiderando o que tem ido ao ar na programação.
Nossos críticos teriam razão se as mudanças e novidades implementadas tivessem sido para pior. Do lado financeiro, pela primeira vez estamos no azul. Do lado intelectual, produzimos 110 documentários nos últimos dois anos, contra uma média anual anterior de cinco, e pusemos no ar 21 novos programas -110 só são piores que cinco se ficar demonstrado que foram documentários muito ruins. Não é o caso, como comprovam as premiações recebidas.
Com base em que fundamentação nossos três novos programas jornalísticos poderiam ser tomados como piores do que nenhum? Ao constatarmos a pouca incidência de um jornalismo para o cidadão, avesso à pauta ditada pelo sensacional e mais centrado no esclarecimento, desenvolvemos o conceito de jornalismo público. Com base nele, ainda requerendo o ajuste cotidiano ditado pela humildade da experiência, pusemos no ar três novos programas informativos, o ‘Matéria PúblicaÂ’, o ‘Diário PaulistaÂ’ e o ‘Conversa AfiadaÂ’.
Essa nova ênfase no jornalismo não nos levou a abandonar a tradição na área de programação infantil -tradição essa que teve seu momento mais saliente nos idos do ‘Castelo Rá-Tim-BumÂ’, quando tivemos a fortuna de aliar a genialidade dos realizadores, liderados por Cao Hamburguer e Flávio de Souza, à condição circunstancial de sermos os únicos na programação infantil e de dispormos de mais dinheiro. Cientes, por isso mesmo, de que o incrível sucesso de crítica e audiência então alcançados não podem ser colocados como meta, estamos agora em fase de produção da ‘Ilha Rá-Tim-BumÂ’.
Com o enfraquecimento do ensino público fundamental e com a diluição progressiva da influência da família, a TV virou fator relevante na formação das crianças. Queremos propor a elas a construção de um mundo mais civilizado, mais ecológico, de solidariedade cotidiana. Percebemos que o adolescente é o grande abandonado da TV, que é feita para adultos e para crianças. O jovem quer ação, esporte, música, sexo e amizade. Já estão no ar alguns programas: de debates com eles (‘RGÂ’); de música para eles (‘MusikaosÂ’, ‘EnsaioÂ’ e ‘Bem BrasilÂ’); de conhecimento atual (‘VitrineÂ’) e outros com acento no entretenimento esportivo (‘MovixÂ’).
Pergunto-me quem paga pelos danos morais e materiais da devastadoramente falsa reportagem de primeira página, encimada pela manchete catastrófica: ‘TV Cultura: um castelo em ruínasÂ’.
A imprensa livre? O direito de um jornalista ou de um veículo de comunicação de emitir sentenças condenatórias a outro veículo de comunicação, apenas baseados em insatisfações isoladas de algum fornecedor ou intelectual procurado pela repórter? O preconceito dos que não aceitam uma TV pública que busca sua autonomia intelectual, administrativa e financeira, preferindo-a eternamente subordinada ao governo? Os interessados em desmoralizar uma administração que luta por uma verdadeira TV pública no Brasil? (Jorge da Cunha Lima, 69, jornalista e escritor, é diretor-presidente da Fundação Padre Anchieta)"

Painel do Leitor – FSP

QUALIDADE NA TV


LAÇOS DE FAMÍLIA

"Uma ignorância muito conveniente", copyright O Estado de S. Paulo, 28/01/01

"A ricaça Alma leva um susto, na novela Laços de Família, ao ouvir que a empregada Ritinha teria que trabalhar para sustentar seus filhos assim que nascessem. Não poderia cuidar deles, brincar com os bebês à vontade. A família de Rita até vive melhor que muita gente – eles têm uma casa ‘normal’, diz ela, com dois quartos. Não devem ser favelados. E isso quer dizer que um dos quartos é para os pais dela, o outro, para os irmãos menores. Para que Rita e os gêmeos tivessem lugar, alguém seria deslocado para a sala – cômodo, aliás, que milhões de brasileiros nem possuem.

Alma parece sinceramente surpresa: não tinha noção do que é ser pobre. (E olhe que um terço de nossa população tem uma renda que não dá para pagar o mínimo de despesas necessárias no dia-a-dia. Isso é pobreza). Aliás, ela nem tem idéia do que são leis trabalhistas. Quis despedir Rita, quando soube que estava grávida do marido dela, Alma. Mas a lei brasileira é clara: toda grávida é estável no emprego até depois do parto.

A ignorância de Alma não é inocente. Como ignora as leis, o que faz pela empregada grávida é bondade sua. Não é visto como direito da funcionária, mas como obséquio, gentileza da patroa. Ela poderia ter enxotado a moça? É claro que não, devido a uma lei feita para impedir, justamente, a prepotência dos patrões, e para não reduzir o que é direito a favor.

É curioso: Laços de Família detalha a mais alta tecnologia médica, mas cala o que é o bê-á-bá das leis. Notem que não falo do aspecto técnico do direito, mas do mínimo a respeitar nas relações humanas. Algumas leis, como as trabalhistas, mexem com o cotidiano de todos, mais do que certas moléstias que no fundo afetam poucas pessoas. Por que será mais fácil falar da dor, quando sua causa está no corpo, do que quando é gerada pelas relações humanas?

Sofremos, todos nós, com o calvário de Camila. (Sorte que ela fica tão bonita de cabeça raspada, o que atenua seu caráter trágico.) Mas desculpe a banalidade: seu drama é pequeno perto do cotidiano de dezenas de milhões que moram pior que a família de Rita.

Aqui percebemos o limite do que a dramaturgia televisiva consegue dizer. As novelas, tenho insistido nisso, contribuem muito para rever as relações afetivas. São capazes até de sutileza psicológica. Personagens como Helena, Capitu, Miguel têm uma densidade afetiva que aparece em matizes preciosos.

Mas, quando os problemas são de alcance social, a novela tem pouco a dizer.

Pode traduzi-los no plano pessoal e recomendar saídas psicológicas, morais.

Trate bem os próximos. Leve a empregada grávida ao médico. Não minta para quem você ama. Mas é tudo. A novela não pode lidar com o social. Se as pessoas moram mal, isso tem a ver com os comerciais que aparecerão no intervalo – os carros, que roubam a prioridade que deveria ser do transporte coletivo, a distribuição iníqua de renda, que não deixa dinheiro para programas sociais, o consumo perdulário de uns, que faz outros receberem salários insuficientes.

Há dois anos o New York Times se impressionou ao saber que São Paulo tem a terceira maior frota de helicópteros privados do mundo, atrás só de Manhattan e Tóquio. Mas isso não levou o NYT a elogiar nossa cidade. Muito ao contrário. Achou escandaloso. Fui consultado por seu correspondente no Brasil. Concluímos que nossos ricos não se sentem responsáveis pela sociedade em que vivem. Sentem como se a desigualdade viesse de Marte, não de nós – ou deles – mesmos. E por isso Alma pode chegar à idade madura mais analfabeta em Brasil do que o Times. (Renato Janine Ribeiro é professor de Ética e Filosofia Política da USP)"

TV CULTURA EM CRISE?

"TV Cultura: muito além do castelo", copyright Folha de S. Paulo, 23/01/01

"Jornalista há 50 anos, desde sempre prefiro uma liberdade de imprensa indevidamente exercida à censura. Fui criança na guerra e adulto no regime militar. Abomino qualquer atitude que tolha a liberdade dos jornais, dos jornalistas e dos leitores de afirmar, de pensar, de sonhar e mesmo de errar. Em reportagem publicada na Ilustrada (11/01), a Folha errou.

A TV Cultura, instituição da Fundação Padre Anchieta, tem 37 anos e não quer ficar encastelada. Conheceu desafios diversos no decurso do tempo. Começou educativa, sonhando implantar no Brasil a educação à distância. Hoje é educativa, cultural e informativa. Persegue a idéia da TV pública nem comercial nem governamental, condição que vem alcançando graças ao esforço de seus profissionais, ao apoio de empresas e de governos -notadamente o de São Paulo- e ao respeito da sociedade.

Depois de um período de crise, da demissão de 500 de nossos 1.600 funcionários e de muita ação, reequilibramos as finanças, como atestam os balanços auditados pela Andersen. Reestruturamos a área administrativa e temos tido êxito na busca de fontes alternativas de financiamento. A TV Cultura saneou suas contas a ponto de poder ampliar a sua programação. E, mais importante, sem sacrificar a qualidade. De onde, então, saíram as extravagâncias publicadas na contraditória reportagem da Ilustrada?

Talvez do fato de que as transformações tecnológicas e o impacto delas nas relações de mercado tenham aumentado o ritmo e a velocidade exigidos aos meios de comunicação, reduzindo -a ponto de quase dispensar- a reflexão para a produção de uma opinião. Esse mercado impôs uma exigência de emoção que se alimenta da violência, do escândalo, da denúncia fria. Esse mercado se encanta com os equipamentos e negligencia o pensamento; troca a qualidade pela audiência e, em decorrência, só tem um critério de avaliação: o Ibope.

As consequências desses constrangimentos são arrasadoras. O aviltamento da qualidade da TV atinge a todos nós, mas, proporcionalmente, fez da TV Cultura e da Rede Globo as mais prejudicadas em audiência: a Globo porque disputa melhor quando produz qualidade; a TV Cultura porque só pode disputar produzindo qualidade. Na imprensa escrita constatamos que a prática do erramos ou o hábito salutar das cartas dos leitores já não são suficientes para restaurar a honra das pessoas ou a imagem das instituições.

Com esses constrangimentos estruturais, exibe-se na mídia, por vezes, uma classe média subdominante, que tem comportamentos dolosos. Detém pequeno poder, com efeitos altamente destrutivos. O dolo é praticado (impresso ou televisionado) quando subordinado virtuosamente aos interesses mercadológicos do patrão ou quando é irrelevante para esses interesses.

Uma transformação como a que realizamos na TV Cultura não se faz sem atingir interesses, os quais encontram em profissionais de mídia canais para destilar seus ressentimentos. Certamente foi a partir desse caldo de motivações estruturais e circunstanciais que o editor da Ilustrada e a repórter Laura Mattos arbitraram-se em auditores da TV Cultura, decretando sua falência financeira e intelectual, minimizando as informações otimistas e verdadeiras que transmiti à repórter em mais de duas horas de entrevista e desconsiderando o que tem ido ao ar na programação.

Nossos críticos teriam razão se as mudanças e novidades implementadas tivessem sido para pior. Do lado financeiro, pela primeira vez estamos no azul. Do lado intelectual, produzimos 110 documentários nos últimos dois anos, contra uma média anual anterior de cinco, e pusemos no ar 21 novos programas -110 só são piores que cinco se ficar demonstrado que foram documentários muito ruins. Não é o caso, como comprovam as premiações recebidas.

Com base em que fundamentação nossos três novos programas jornalísticos poderiam ser tomados como piores do que nenhum? Ao constatarmos a pouca incidência de um jornalismo para o cidadão, avesso à pauta ditada pelo sensacional e mais centrado no esclarecimento, desenvolvemos o conceito de jornalismo público. Com base nele, ainda requerendo o ajuste cotidiano ditado pela humildade da experiência, pusemos no ar três novos programas informativos, o ‘Matéria Pública’, o ‘Diário Paulista’ e o ‘Conversa Afiada’.

Essa nova ênfase no jornalismo não nos levou a abandonar a tradição na área de programação infantil -tradição essa que teve seu momento mais saliente nos idos do ‘Castelo Rá-Tim-Bum’, quando tivemos a fortuna de aliar a genialidade dos realizadores, liderados por Cao Hamburguer e Flávio de Souza, à condição circunstancial de sermos os únicos na programação infantil e de dispormos de mais dinheiro. Cientes, por isso mesmo, de que o incrível sucesso de crítica e audiência então alcançados não podem ser colocados como meta, estamos agora em fase de produção da ‘Ilha Rá-Tim-Bum’.

Com o enfraquecimento do ensino público fundamental e com a diluição progressiva da influência da família, a TV virou fator relevante na formação das crianças. Queremos propor a elas a construção de um mundo mais civilizado, mais ecológico, de solidariedade cotidiana. Percebemos que o adolescente é o grande abandonado da TV, que é feita para adultos e para crianças. O jovem quer ação, esporte, música, sexo e amizade. Já estão no ar alguns programas: de debates com eles (‘RG’); de música para eles (‘Musikaos’, ‘Ensaio’ e ‘Bem Brasil’); de conhecimento atual (‘Vitrine’) e outros com acento no entretenimento esportivo (‘Movix’).

Pergunto-me quem paga pelos danos morais e materiais da devastadoramente falsa reportagem de primeira página, encimada pela manchete catastrófica: ‘TV Cultura: um castelo em ruínas’.

A imprensa livre? O direito de um jornalista ou de um veículo de comunicação de emitir sentenças condenatórias a outro veículo de comunicação, apenas baseados em insatisfações isoladas de algum fornecedor ou intelectual procurado pela repórter? O preconceito dos que não aceitam uma TV pública que busca sua autonomia intelectual, administrativa e financeira, preferindo-a eternamente subordinada ao governo? Os interessados em desmoralizar uma administração que luta por uma verdadeira TV pública no Brasil? (Jorge da Cunha Lima, 69, jornalista e escritor, é diretor-presidente da Fundação Padre Anchieta)"

"Orgulho paulista", copyright Folha de S. Paulo, 25/01/01

"A TV Cultura é um orgulho para nós, paulistas, e, principalmente, para nossos filhos. Quando criança, não perdia um só programa ‘Bambalalão’, assim como hoje meus filhos são assíduos fãs e telespectadores de ‘Mundo da Lua’, ‘Cocoricó’ e a consagrada turma do premiado ‘Castelo Rá-Tim-Bum’, enquanto eu, na TV aberta, só encontro na TV Cultura opções musicais como ‘Musikaos’. Nessa condição, e acompanhando atentamente a publicação e a repercussão da reportagem ‘TV Cultura: um castelo em ruínas’ (Ilustrada, pág. E1, 11/1), não creio que houve maldade na pauta da Folha, que tentou mostrar a realidade da maior e melhor TV pública do país. Mas, também, não tenho como deixar de ser solidário ao artigo do presidente da Fundação Padre Anchieta, Jorge da Cunha Lima (‘Tendências/Debates’, pág. A3, 23/1). Talvez a explicação pelos equívocos do presente seja encontrada nas irregularidades do passado, quando a sociedade paulista acostumou-se a ver o dinheiro público jogado ora ao lixo, ora aos bolsos de esquemas políticos. (Cláudio Messias, Assis, SP)"

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