Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > ***

Laura Mattos

Por lgarcia em 19/06/2002 na edição 177

REALITY SHOWS

"Governo pede conteúdo, e Globo exibe sexo", copyright Folha de S. Paulo, 14/06/02

"O secretário nacional de Justiça, João Benedicto de Azevedo Marques, responsável pela classificação que o governo faz dos programa de televisão, ligou para a Globo na sexta-feira passada pedindo que ?Big Brother Brasil? não fosse ?tão fútil, vazio e sem conteúdo? e que passasse ?alguma mensagem? ao telespectador.

Na segunda-feira, o ?reality show? mostrou pela primeira vez uma cena de sexo, entre os participantes Tarciana e Jeferson, que foi eliminado na edição de terça.

Segundo a assessoria da Secretaria Nacional de Justiça, Azevedo Marques, 63, conversou por telefone na sexta com um representante da Globo em Brasília.

?Big Brother Brasil 2? foi classificado como um programa livre, que pode ir ao ar em qualquer horário. E, apesar da cena de segunda-feira, o governo decidiu não reclassificar a atração. ?A Globo está exibindo o programa após as 21h e até agora não houve nada que fizesse com que o ministério mudasse a classificação?, informou a assessoria de imprensa.

Mas as imagens dos dois participantes debaixo do cobertor e os diálogos picantes que se seguiram após a relação sexual desagradaram Marluce Dias da Silva, diretora-geral da emissora. No dia seguinte à exibição das cenas, ela foi pessoalmente ao local onde o programa é produzido para determinar à direção que não colocasse mais cenas de sexo no ar.

O diretor de ?Big Brother?, J.B. de Oliveira, o Boninho, acredita que o nível do programa tenha baixado com a exibição das cenas e dos diálogos sobre sexo.

Ele afirma que decidiu mostrar a relação porque ?era relevante?. ?O nosso objetivo não é focar isso [sexo? na Globo. Mas eles [os participantes? ficaram em torno dessa conversa dois dias e não havia como não colocar no ar?, diz.

Segundo Boninho, o casal teve mais uma relação que não foi ao ar. O diretor nega que tenha sido por determinação de Marluce (?ela já havia pedido cuidado com isso antes mesmo de o programa começar?). Diz que censurou a cena porque era ?sexo explícito?.

Preservativo

Além da chamada da direção, os responsáveis pelo ?reality show? também receberam uma carta de Paulo Teixeira, coordenador do programa de doenças sexualmente transmissíveis e Aids do Ministério da Saúde, recomendando que os participantes usassem preservativos (leia trecho ao lado).

Boninho afirma que Jeferson e Tarciana tiveram relações sexuais duas vezes e que só usaram preservativos na segunda.

?Eu imagino que eles tenham levado em consideração os testes que todos os participantes fazem no processo de seleção. Eles sabem que ninguém lá tem Aids ou hepatite C, por exemplo?, afirma.

Mesmo assim não seria um exemplo ruim aos telespectadores? ?Claro. É uma loucura total o que eles fizeram. Mas agora acho que isso vai acabar?, afirma.

Depois da polêmica, então, as cenas de sexo serão censuradas? ?Não é bem isso. Eu acho que não vai mais acontecer nada assim lá dentro [da casa do ?Big Brother?].?

Ibope

Às terças-feiras, quando vai ao ar sua principal edição, ?BBB 2? aumentou a média de audiência da Globo de 20 para 33 pontos na faixa horária em que é exibido.

Aos domingos, o segundo dia mais importante, o programa tem média de 32 pontos, três a mais do que a da primeira edição (cada ponto equivale a 47 mil domicílios na Grande São Paulo)."

"Cenas de sexo reclassificam ?Big Brother?", copyright Folha de S. Paulo, 14/06/02

"Devido às cenas de sexo exibidas na última segunda, o Ministério da Justiça decidiu reclassificar o ?Big Brother Brasil?, da Globo, de livre para inadequado para menores de 16 anos. Com isso, o governo recomenda -e não obriga- que a emissora exiba o ?reality show? somente após as 22h.

A determinação será publicada no ?Diário Oficial? da União na próxima semana, mas é válida a partir de hoje. A Rede Globo já foi informada da decisão, tomada ontem."

***

"Programas de TV com violência e sexo dificultam memorização de comerciais", copyright Folha de S. Paulo, 15/06/02

"Para vender espaço comercial em programas de televisão não deveria bastar ter boa audiência. Seria preciso também exibir os programas certos. É o que sugerem pesquisadores da Universidade Estadual de Iowa, nos EUA. Eles afirmam que programas com forte conteúdo sexual e violento ?diluem? a capacidade da audiência de se lembrar dos comerciais exibidos ao longo da programação.

Os pesquisadores fizeram um estudo com 324 participantes de várias idades, submetendo-os a programas de TV violentos e neutros. Depois da exibição, pediram a cada um que se lembrasse dos comerciais transmitidos durante o programa. Os que assistiram ao conteúdo neutro conseguiram se lembrar mais das propagandas do que os que acompanharam programas violentos ou com cenas de sexo.

Os resultados, publicados na edição de junho do ?Journal of Applied Psychology? (www.apa.org/journals/apl.html), confirmam dados de pesquisas anteriores, mas não explicam o porquê do efeito mnemônico.

?Uma possível razão pela qual sexo e violência desabilitam memória para comerciais?, diz o psicólogo Brad Bushman, um dos autores, ?é o fato de as pessoas prestarem atenção ao sexo e à violência, reduzindo a atenção que podem ter aos comerciais. Outra hipótese é que o conteúdo sexual e violento desperte pensamentos sexuais e violentos. Pensar em sexo e violência poderia reduzir a memória?, afirmou Bushman, segundo o qual mais pesquisa é necessária para determinar a origem do efeito."

 

"Justiça proíbe ?BBB? antes das 22h", copyright O Estado de S. Paulo, 15/06/02

"O programa Big Brother Brasil, da Globo, voltou a incomodar o Ministério da Justiça. A atração teve sua classificação etária revista anteontem e só poderá ser exibida depois das 22 horas. Por determinação do secretário Nacional de Justiça, João Benedicto Marques, o BBB foi reclassificado para 16 anos, por causa das ?supostas? cenas de sexo exibidas na última segunda-feira entre os participantes Jeferson e Tarciana. A modificação deverá ser publicada no Diário Oficial da União, segunda-feira.

O Ministério da Justiça já informou a TV Globo sobre a alteração.

Em maio, quando a primeira edição de BBB estreou, o programa foi considerado adequado para o horário de 21 horas, portanto, para 14 anos. Em seguida, após recurso apresentado pela Globo, o Ministério da Justiça decidiu liberar o Big Brother para horário livre.

Na época, a Globo comprometeu-se a editar as imagens que iriam ao ar, levando-se em consideração a audiência de crianças e adolescentes do horário livre. Ao aceitar o recurso, o Departamento de Classificação avisou que a atração poderia ser reclassificada, caso os compromissos assumidos pela emissora não fossem cumpridos. A Globo não deve recorrer à Justiça para mudar a classificação."

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