Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

PRIMEIRAS EDIçõES > FISCALIZAÇÃO SINDICAL

Laura Mattos

Por lgarcia em 15/08/2001 na edição 134

TV ASSEMBLÉIA

"A TV Assembléia de São Paulo, que vai ao ar pelo canal 12 da TVA e 13 da Net, está sendo gerenciada há duas semanas pela TV Cultura e quer mudar sua imagem.

A idéia dos deputados é a de que é bem melhor ter um canal isento com audiência do que um chapa-branca a que ninguém assiste.

Em setembro, haverá estréia de uma programação totalmente reformulada, com debates e telejornais. O objetivo é não resumir o canal à transmissão das sessões do plenário e discursos.

A TV Assembléia, antes administrada pela TV Senac, assinou contrato de 30 meses com a Cultura. Segundo Florestan Fernandes, que dirige o canal, a Cultura recebe cerca de R$ 310 mil por mês pela prestação de serviço. A emissora já colocou 42 funcionários na TV Assembléia.

Florestan comandará o ?Arena Livre?, em que um convidado responde perguntas de quatro parlamentares. A estréia será com Geraldo Alckimin. Haverá ainda o ?Questão de Ordem?, que colocará dois adversários políticos frente a frente. O ?Observatório do Parlamento? debaterá a cobertura que a mídia faz da assembléia.

?Queremos construir uma TV com credibilidade, público e jornalismo isento?, diz Florestan."

REDE BANDEIRANTES

"Band News é só o começo. Satisfeita com o desempenho de seu canal de notícias, a Rede Bandeirantes investe agora na criação da Band Programadora, empresa que atuará como uma usina de canais pagos do grupo Saad. Segundo Roberto Oliveira, vice-presidente responsável por TV paga e novos negócios da rede, dois projetos seguirão a trilha aberta pelo Band News.

O primeiro a estrear será um canal especializado em esportes, a ser lançado no início do ano que vem. Outro, só com filmes, ainda não tem data definida.

?Começaremos agora a definir parcerias e organizar a estrutura das novas emissoras?, diz Oliveira. ?A distribuição será feita pela DirecTV, como já ocorre com o Band News.?

A Bandeirantes está otimista com o projeto. ?O Band News atingiu rapidamente um ponto de equilíbrio financeiro e já se paga?, diz Oliveira, que no entanto omite valores. No ar desde 19 de março, o Band News envolveu um investimento de US$ 6 milhões, empacota a produção jornalística de 72 emissoras da rede espalhadas pelo País e hoje está disponível para 1 milhão de assinantes da DirecTV, TVA e Neo TV.

A idéia do grupo é investir em produtos que possam vingar também na TV paga.

De olho no futuro canal esportivo, a Band lança hoje, às 9h30, um quadro da personal trainer Solange Frasão no Dia a Dia. E para valorizar o Band News, a emissora inclui um bloco do canal pago em sua programação nacional, a partir de hoje, de segunda a sexta-feira, das 8h às 8h30. A produção entra no lugar do Dia Dia Notícias, que dava 2 pontos de audiência, quatro vezes mais que o Dia a Dia."

FISCALIZAÇÃO SINDICAL

"O interminável show de popozudas, ET?s, Rodolfos e Cia, que tem tomado conta da televisão nos últimos tempos, está indignando o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. A entidade acusa artistas de assumir funções antes exclusivas de jornalistas profissionais e decidiu iniciar uma campanha para a valorização de seus profissionais na TV. Nos últimos meses, promoveu uma série de mesas redondas com as emissoras, buscando saídas para o impasse.

?Nossa meta é apontar os responsáveis por exercer ilegalmente uma profissão que nem ao menos lhes pertence?, afirma a advogada e coordenadora do departamento jurídico do Sindicato, Silvia Neli. Entre os denunciados, estão a drag queen Nany People, o apresentador Otávio Mesquita e as performers Feiticeira e Luiza Ambiel.

Segundo Neli, o Sindicato pretende obter acordos amigáveis com as emissoras de televisão. Caso isso não seja possível, deverá entrar com ações junto à DRT (Delegacia Regional do Trabalho) e ao Ministério Público Estadual.

?Sendo assim, as emissoras estarão sujeitas a pagar multas diárias pela aparição indevida dos artistas e, inclusive, muitos deles poderão ser impedidos de trabalhar?.

Uma vez diante dos tribunais, o sindicato acredita que sua principal arma seria questionar a qualidade das informações transmitidas por pessoas sem o mínimo de conhecimento sobre ética jornalística. ?É o jornalista formado quem sabe selecionar informações capazes de cumprir algum papel social. O que esses falsos repórteres estão fazendo é transformar nossa profissão em uma grande brincadeira?, protesta o presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, Fred Ghedini

Na opinião do jornalista e radialista Zé Luís, do programa É Show (Record), o Sindicato não deveria tomar uma posição ?tão radical?. ?O ensino do jornalismo nas faculdades não está entre os melhores e, mesmo assim, o Sindicato proíbe o estágio de estudantes em empresas de comunicação?, observa. ?O aluno se vê obrigado a aprender as coisas na prática, inclusive a ter ética. Uns aprendem e outros não?.

Com o nome incluído na lista de denúncias do sindicato, Monique Evans – que comanda o Noite Afora e faz reportagens para o TV Fama, ambos na Rede TV! – também faz uma crítica aos jornalistas. ?Antes de questionar se somos éticos ou não, deveriam avaliar sua própria conduta, pois cultivam o mal hábito de se meter na vida pessoal dos outros e transformar boatos em acontecimentos verídicos?, aponta. ?Sempre matam as pessoas antes da hora, é o que estão fazendo com Ana Maria Braga. Quando tive câncer, fui vítima dessa atitude sem graça. A imprensa age assim porque acha que tragédia vende mais?.

Para Monique, o que tem faltado às equipes de pauta e reportagem é senso de humor. ?E é exatamente essa lacuna que vem sendo preenchida pelos artistas. No meu programa, faço as pessoas rirem?, complementa ela, que sente-se injustiçada por ter sido indicada como falsa jornalista. ?Minhas entrevistas não tem conteúdo jornalístico. Eu só falo sobre sexo?.

Com o intuito de diferenciar o que é enfoque noticioso do puro entretenimento, o Sindicato irá realizar, juntamente com a Rede Globo, pesquisas e estudos que deverão contar com a participação de professores renomados das principais faculdades de jornalismo do País. ?A idéia partiu da própria Globo, até agora a única emissora que se propôs a encontrar uma solução?, finaliza a advogada Silvia Neli."

 

    
    
                     

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