Domingo, 20 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº987
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PRIMEIRAS EDIçõES >   REALITY SHOWS

Laura Mattos

Por lgarcia em 01/07/2003 na edição 231

TV GLOBO / HISTÓRIA

“A história oficial”, copyright Folha de S. Paulo, 29/06/03

“Tema de teses acadêmicas e de variados tipos de livros, a Globo decidiu dar a própria versão sobre sua história. No próximo dia 15, chega às livrarias o primeiro volume do ?Dicionário da TV Globo?, com 1.500 verbetes que ?definem? desde a mais remota novela até os recentes ?reality shows?.

É o primeiro resultado de um projeto de recuperação da memória das Organizações Globo. Formado em 1999, um grupo de historiadores, antropólogos, sociólogos e jornalistas vasculhou arquivos da empresa e de jornais e realizou mais de 200 entrevistas com atuais e ex-funcionários.

O ?Dicionário? traz os nomes de todos os programas produzidos e exibidos pela Globo desde sua abertura, em 1965. No primeiro volume, são 220 novelas, 56 minisséries, 21 seriados, 49 humorísticos, 164 musicais etc. Os verbetes trazem sinopse, elenco e, muitas vezes, bastidores e comentários. Alguns ocupam mais de uma página (?Roque Santeiro?, por exemplo, consome três).

A obra ganha sabor principalmente quando o texto foge da descrição seca. Pela primeira vez, a Globo assume, de forma institucional e organizada, analogias entre personagens da teledramaturgia e do cenário político brasileiro desses quase 40 anos.

É o caso de ?Irmãos Coragem? (1970/1971), novela de Janete Clair. O verbete traça comparação entre a fictícia vila dominada por um ?coronel? corrupto e o Brasil da época, governado pelo presidente Médici (de 1969 a 1974).

?Ficção e realidade também se confundiam no plano da política, com uma analogia entre a situação de arbítrio vigente no país e o poder desmedido do coronel na pequena Coroado. No Brasil governado pelo general Médici, o Estado perseguia os partidos de esquerda e permitia a tortura dos presos políticos nos órgãos de repressão. Em ?Irmãos Coragem?, Pedro Barros ditava a lei, corrompendo a polícia, comprando votos e oprimindo a população?, diz um trecho do verbete.

Como num divã, a emissora opta ora por colocar o dedo em suas feridas, ora por não abordar assuntos mais complexos.

No verbete ?Big Brother Brasil?, não deixou de citar ?Casa dos Artistas?, ?reality show? do SBT, e a disputa jurídica entre as emissoras. ?Nessa época o SBT levava ao ar ?Casa dos Artistas? com a mesma estrutura de ?Big Brother?. O Superior Tribunal de Justiça, no entanto, negou o pedido da TV Globo para suspender a transmissão de ?Casa dos Artistas?.?

Nos verbetes sobre Chacrinha, a emissora preferiu não tratar das denúncias de que artistas que iam a seus programas tinham de cantar em shows externos do apresentador sem cachê -a história foi confirmada à Folha por Leleco Barbosa, filho e diretor dos programas de Chacrinha.

?Foi uma acusação que só encontramos em jornais. Apesar de boas fontes, as reportagens trazem um debate e nem sempre são conclusivas. Como Chacrinha não admite a história em sua biografia, preferimos não abordar a questão?, diz Sílvia Fiuza, coordenadora do Projeto Memória, que produziu o dicionário.

Historiadora com mestrado em antropologia, ela está na empresa desde 1980 e diz que os pesquisadores tiveram liberdade para tratar das passagens polêmicas. Trabalhando no limite entre uma obra institucional e histórica, Fiuza diz que seu maior desafio será o volume dois, sobre jornalismo.

Luís Erlanger, diretor da Central Globo de Comunicações, que escreveu a apresentação da obra, diz que a emissora avalia a possibilidade de lançar outros produtos no Projeto Memória, como DVD, e de colocar o ?Dicionário? na internet. ?Cada verbete é parte da história de nossa cultura.?

DICIONÁRIO DA TV GLOBO. Editora: Jorge Zahar (tel. 0/xx/21/2240-0226; site: www.zahar.com.br). Quanto: R$ 59 (940 págs.).”

***

“Grupo pesquisa a cobertura das Diretas e de 89”, copyright Folha de S. Paulo, 29/06/03

“O segundo volume do ?Dicionário da TV Globo? deverá ser publicado no próximo ano e abordará os programas jornalísticos e de esportes.

Os pesquisadores estão trabalhando agora no levantamento de dados sobre a polêmica cobertura que a Globo fez da campanha das Diretas Já, em 1984, e a edição do debate entre Lula e Collor no ?Jornal Nacional?, em 89, quando foi acusada de prejudicar o PT.

Sílvia Fiuza, coordenadora do Projeto Memória, afirma que os dois temas serão itens do verbete ?Jornal Nacional?, que já estaria com 85 páginas.

José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, vice-presidente de Operações da emissora por três décadas, até 97, declarou em entrevistas à Folha, em 99 e 2000, que ?o erro mais grave do ?JN? foi ignorar a campanha das Diretas Já?, no que chamou de ?maior constrangimento? de sua história na televisão.

Fiuza, de sua parte, diz que há pouco pegou a fita com a reportagem sobre o comício das Diretas na praça da Sé, exibida pelo ?JN?. ?Temos no imaginário que a Globo falou que era uma festa para comemorar o aniversário de São Paulo e não mencionou as Diretas. A chamada da matéria realmente foi para o aniversário. Mas, durante a reportagem, Ernesto Paglia falou sobre o comício das Diretas com detalhes. Quando assisti, pensei: ?Temos um furo?.?

Para a pesquisadora, o volume dois será uma boa oportunidade para a Globo dar sua versão sobre antigas polêmicas. ?Vamos poder esclarecer alguns pontos, mas, é claro, haverá momentos de que teremos que nos ressentir.?”

 

PEDRO, O ESCAMOSO

“Cara de um…”, copyright Veja, 1/07/03

“Galã da novela das 7 da Rede Globo, Kubanacan, o ator Marcos Pasquim está agüentando uma gozação bravíssima há duas semanas. Efeito da notável semelhança entre ele e o colombiano Miguel Varoni, protagonista da novela Pedro, O Escamoso, que nesse período passou a ser exibida pela Rede TV!. A semelhança mais marcante é o penteado (ou a falta de). Mas há outras. Os dois são peludos e corpulentos – Varoni é um pouco mais alto, com 1,90 metro contra 1,80 do rival brasileiro. E ambos fazem o gênero ?macho latino? no vídeo. Esteban, o personagem de Pasquim, vive sem camisa, como é praxe nas novelas do autor Carlos Lombardi, e em todo capítulo arrasta uma mocinha para a cama. Pedro, o personagem de Varoni, tem uma crença inabalável nos seus dotes de galanteador – daí ser chamado de ?escamoso?, que na Colômbia quer dizer algo assim como ?galã de quermesse? ou ?bonitão mascarado?. Sua novela foi criada pela rede de televisão Caracol para contrapor-se ao grande sucesso da emissora concorrente RCN, Betty, a Feia (também transmitida no Brasil, até a semana passada, pela Rede TV!). Como Betty, Pedro é um sujeito cafona que sai da roça para buscar o sucesso na cidade grande e triunfa graças ao seu bom caráter. Ansioso para encantar as mulheres, até agora ele só conseguiu conquistar a admiração de seu chefe, um homossexual assumidérrimo. Pasquim acha graça na comparação. ?Os cabelos realmente são parecidos, mas eu sou mais bonito?, diz ele. Pasquim, o Escamoso.”

 

LULU vs. FAUSTÃO

“O Lulu não é um lulu”, copyright Veja, 1/07/03

“No último fim de semana, o apresentador Fausto Silva recebeu o músico Lulu Santos no palco do Domingão do Faustão. Os dois se cumprimentaram e trocaram gentilezas. Faustão soltou algumas piadas, como costuma fazer. Depois, anunciou que Lulu e sua banda iam tocar. Eles executaram a canção Já É, do novo disco do cantor, e então veio um momento estranho. Sem maiores explicações, Faustão anunciou a atração seguinte, as videocassetadas. Foi um corte brusco, que causou um evidente mal-estar. E Lulu Santos não deixou barato. Na terça-feira, ele divulgou uma carta ofendida na internet, na qual se queixava da quebra de um acordo com a Rede Globo. Segundo esse acordo, Lulu deveria ter tocado seis músicas, algumas delas a pedido de fãs célebres, como a atriz Mariana Ximenes. Em outras palavras, ele seria protagonista do quadro Galeria, apresentado esporadicamente no Domingão (o último foi há cerca de um mês, com o Paralamas do Sucesso). Lulu também reclamou de ter recebido tratamento grosseiro de um produtor nos bastidores e alfinetou o próprio Faustão. ?Sempre achei imperdoável o fato de você falar em cima das palavras e notas de uma música?, escreveu ele.

Durante a semana, o episódio causou consternação na Globo. A versão da emissora é diferente da do cantor. Segundo Angela Sander, diretora do Domingão do Faustão, havia o desejo de realizar o quadro Galeria com Lulu Santos, mas não uma promessa formal de que ele iria ao ar. ?Como as videocassetadas têm patrocinador, não podemos atrasá-las. O Lulu entrou muito tarde e tivemos de encurtar sua participação?, diz ela. Angela acrescenta que, apesar do imbróglio – e de Faustão ter ficado magoado com as críticas que recebeu -, não foi baixado nenhum veto à presença de Lulu Santos no programa. ?Nada impede que ele volte no futuro?, diz ela.

?Ânimo para dialogar eu sempre tenho, mas voltar ao programa representaria um custo alto. Da primeira vez levei doze profissionais?, disse Lulu a VEJA. O tom ainda é ofendido, mas vale lembrar dois pontos. Em primeiro lugar, aparecer no Domingão é uma oportunidade inestimável para um artista que está lançando um disco. Em segundo lugar, as portas da concorrência não estão exatamente escancaradas para Lulu Santos. Há dez anos ele não dá as caras no programa de Gugu Liberato, outra vitrine bastante interessante do ponto de vista comercial. ?Lulu é muito elitista e fala mal do Gugu?, diz um produtor do show do SBT.”

 

REALITY SHOWS

“Boninho tira férias de ?Jogo?”, copyright Folha de S. Paulo, 29/06/03

“Enquanto a Globo apelava até para sorteios de prêmios para alavancar a audiência do ?reality show? ?O Jogo?, o diretor-geral do programa, J.B. de Oliveira, o Boninho, curtia férias. Boninho passou a semana passada na Europa com o pai, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, num invejável roteiro gastronômico _que incluía o badalado restaurante El Bulli, na Espanha, cujos pratos são considerados obras de arte.

Mas Boninho abandonou ?O Jogo? só por uma semana e deve voltar a campo na terça. E a Globo diz que não há nada demais nessas férias em plena crise de audiência, porque as gravações do programa já acabaram.

Empréstimo

Depois de Chico Anysio e Jô Soares, a Globo vai liberar Fausto Silva para gravar, em julho, especial dos 50 anos da Record. Foi na Record que Faustão iniciou carreira na TV, em 1970, como repórter, e estourou com o ?Perdidos na Noite?, em 1984.

Mania 1

Desenho animado japonês com lutadores munidos de piões especiais e poderes místicos, ?Beyblade? tem tudo para virar a nova febre infantil nacional, desbancando ?Yu-Gi-Oh?. Em agosto, o desenho, já exibido pelo canal Fox Kids, estréia na Globo.

Mania 2

Nos colégios particulares de São Paulo e Rio, o principal subproduto de ?Beyblade? (um jogo de piões que soltam faíscas quando se tocam) já é objeto de desejo de crianças e adolescentes.

Laços de família

Quem assistiu ao capítulo da última terça-feira de ?Mulheres Apaixonadas? pode ter percebido que rolou um clima entre os personagens de Julia Almeida e Leonardo Miggiorin. Foi só um clima. ?Não quero juntar os dois, que já são namorados na vida real?, diz o autor da novela, Manoel Carlos, pai de Julia.

Brioche

O canal pago GNT e o padeiro francês Olivier Anquier não chegaram a acordo financeiro. Assim, fica cancelada a nova safra de inéditos do gastronômico ?Diário do Olivier?, que entraria no ar em agosto. Edições já exibidas serão reprisadas até dezembro.

Arco-Íris

Repórter do ?Noite Afora?, o transformista Léo Áquila apresentou um projeto de programa semanal à direção da Rede TV!.”

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