Terça-feira, 18 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1018
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Lavagem de dinheiro, limite da CPI

Por Rogério Pacheco Jordão em 05/07/1997 na edição 25

O noticiário da CPI dos Títulos deixou a impressão de que os políticos estavam com a faca e o queijo na mão para destrinchar um grande esquema de desvio do dinheiro público por meio de operações financeiras. A cifra, R$ 600 milhões – o total desviado pela “máfia dos precatórios” – foi sendo esquecida com o passar dos meses. Como se 600 milhões a mais ou a menos não fizessem tanta diferença assim. No final, o grande problema foi que governadores e prefeitos gastaram o dinheiro dos precatórios para outras coisas – um erro, digamos, administrativo, nada mais.

Na minha opinião – que é a de quem, bem ou mal, acompanhou o tema durante meses a fio – esta comissão de inquérito brecou, ou encontrou seu limite, quando bateu na lavagem de dinheiro. É a segunda vez que isto acontece em uma CPI. A primeira foi na CPI do Orçamento, quando havia elementos de sobra para se investigar no exterior o destino do dinheiro desviado dos cofres públicos e nada foi feito. Por que será que isso acontece?

Nesta CPI, de novo, se consagrou aquele senso comum de que “se o dinheiro foi para fora do país é impossível rastreá-lo”. Isso não é verdade. Temos como exemplo o Chile, cujo governo, em 1994, determinou que se rastreasse uma dinheirama desviada da Codelco, a companhia de cobre estatal chilena. Levou um ano para se chegar a – e repatriar – US$ 180 milhões. Foi contratada uma empresa de Washington especializada nisso, a Fairfax Group – que realiza uma coisa chamada investigação (a qual produz provas e não ilações). Como no caso dos títulos: conexões em Miami, Ilhas Cayman, Bahamas etc. Tão complexo quanto. O dinheiro do contribuinte chileno foi encontrado em várias praças, Nova York, Alemanha, Hong Kong….

Por aqui, perdeu-se mais uma oportunidade de se jogar luz sobre como funciona a lavagem de dinheiro no país – muitos dos envolvidos no escândalo, aquele pessoal das corretoras, estavam (e estão) envolvidos com esse tipo de coisa.

O que ocorreu foi o seguinte. Quem lava dinheiro, lava para todos: para o político fazer sua caixa de campanha, para empresas que querem tirar recursos do país, para pessoas físicas (endinheiradas) etc. Logo, quem lava é gente com muito poder: sabe de coisas comprometedoras. Essas pessoas tornam-se intocáveis.

E pensar que, pelo menos até onde eu sei, nem a CPI nem a Polícia Federal mandou sequer um agente, nesse tempo todo, para Miami, que é o local onde as coisas rolam. É tudo uma espécie de grande brincadeira, onde o que se busca é chamuscar a carreira de um ou outro político e mais nada.

Para encerrar, gostaria de passar uma dica de um site para os leitores do OBSERVATÓRIO. Trata-se da página de uma organização, com sede na Alemanha, chamada Transparency International. Para quem não a conhece, é uma ONG preocupada com a questão da corrupção no mundo. Seus idealizadores acreditam que a corrupção é um problema econômico dos mais graves (vários economistas, desde o desmantelamento da URSS, se debruçaram sobre este tema de um ponto de vista mais da economia política, até como componente para entender melhor as transformações do mundo hoje). Talvez seja um bom ponto de partida para começarmos a encarar a questão no Brasil. O endereço da Transparency International é http://www.Transparency.de

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