Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > TV AMERICANA

Lei que favorece Berlusconi deve ser aprovada

Por lgarcia em 02/12/2003 na edição 253

ITÁLIA

O senado italiano deve aprovar uma lei de mídia que favorece a expansão do império midiático do primeiro-ministro Silvio Berlusconi. A oposição esquerdista tentou retardar a votação das 270 emendas ao projeto, mas uma votação final, apesar de só terem sido decididas 51 emendas, foi marcada para o dia 2/12. Como os apoiadores de Berlusconi são maioria, ele deve vencer com tranqüilidade.

A nova regulamentação prevê que donos de emissoras de TV possam também ser proprietários de jornal, além de aumentar a fatia do mercado de verba publicitária que uma só empresa pode absorver. O primeiro-ministro, que, segundo a revista Forbes, é o homem mais rico da Itália, com uma fortuna de US$ 5,9 bilhões, controla a Mediaset, empresa dona de três redes nacionais de televisão. A holding de Berlusconi, Fininvest, é proprietária da maior editora de revistas italiana, a Arnoldo Mondadori Editore. Para contornar a atual lei, que proíbe companhias de TV de terem jornais, Berlusconi passou para o nome do irmão o diário milanês Il Giornale.

Defensores da reforma apontam que ela exige a migração de todos os canais de televisão para tecnologia digital até 2006, o que, segundo eles, aumentaria a concorrência. Como a tecnologia prevista é terrestre (e não por satélite), o custo ficará em cerca de US$ 750 milhões para a Mediaset e para sua concorrente estatal RAI.

Eric Sylvers, do New York Times [28/11/03], reporta que, após a provável aprovação da nova lei de mídia no senado, o presidente Carlos Ciampi terá prazo de um mês para sancioná-la. O prazo é exatamente o que Berlusconi precisa para evitar que, cumprindo ordem da Corte Constitucional italiana, tenha de converter imediatamente para sistema digital uma das redes da Mediaset, o que causaria perda de publicidade.

 

ARÁBIA SAUDITA

Uma casa em que moram três mulheres sauditas é invadida por um ladrão. Ao ouvirem barulho no andar de baixo, colocam seus véus e saem para chamar a polícia. Quando chega, o policial não quer entrar para investigar porque não há um homem presente. “Juro por Deus que adoraria ajudá-las”, desculpa-se.

Cenas como essa têm provocado gargalhadas na grande audiência do seriado humorístico saudita Tash Ma Tash. No episódio Sem um mahram (guardião masculino), são ironizados os problemas que a lei islâmica traz às mulheres, obrigadas a sempre andarem com algum homem. Uma delas tem o cartão engolido por um caixa eletrônico, mas não pode entrar na agência bancária para pedir ajuda pois é um ambiente restrito aos homens. Outra arrasta um avô surdo ao restaurante, pois não pode comer sozinha.

Agrada gregos, mas não troianos

Em reportagem para The New York Times [24/11/03], Neil Farquhar conta que as piadas sobre a tradição islâmica não agradaram os conservadores religiosos. Teólogos escreveram diversas fatwas (decretos religiosos) condenando a atração, que existe há 11 anos e tem seus 20 episódios anuais exibidos justamente durante o Ramadã, mês sagrado muçulmano.

“Em nome de Deus, proíbo que se atue em ou que se assista a uma série como essa” dizia um desses documentos. Um grupo de religiosos organizou um protesto exigindo que o governo tire Tash Ma Tash do ar. A censura já proibiu alguns capítulos, como um em que o alvo das piadas era a burocracia do governo. No entanto, o programa tem a proeza de atrair grande público para a TV do Estado, que passa praticamente só debates religiosos que pouca gente agüenta assistir.

 

TV AMERICANA

A suposta perda de espectadores homens entre 18 e 34 anos ? faixa mais valorizada pelos anunciantes ? causa preocupação entre as grandes emissoras de TV americanas. Desde o ano passado, as redes teriam registrado 8% de diminuição nessa faixa durante o horário nobre, segundo a Nielsen Media Research, empresa que mede a audiência nos EUA. Algumas delas chegaram a criar pacotes especiais que concedem tempo adicional gratuito ao anunciante que não tiver a audiência prometida para suas propagandas.

Contudo, segundo a Reuters [25/11/03], a origem da queda pode não estar totalmente numa mudança de hábito dos telespectadores. A Nielsen publicou documento explicando que alterou a composição de sua amostragem, incluindo maior número de “homens jovens dependentes” (que vivem com adultos mais velhos), grupo que tradicionalmente assiste a menos TV. Essa mudança pode ser responsável por pelo menos metade dos 8%. Outros fatores difíceis de medir são o aumento no uso de videogames e o quanto os jovens assistem TV fora de casa, fugindo ao controle da Nielsen.

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