Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > REALITY SHOWS

Leila Reis

Por lgarcia em 15/01/2003 na edição 207

BBB3

“?BBB3? opta também pelo social”, copyright O Estado de S. Paulo, 12/01/03

“Pode escrever: a partir da semana que vem, o presidente Lula e sua popularidade começa a dividir seu tempo na TV com o ministério do Big Brother Brasil 3, do qual participam 14 brasileiros de várias origens e cuja principal meta é faturar R$ 500 mil e a fama.

Preparado para ser um dos grandes eventos da Globo em 2003, o reality show aprimora sua fórmula e entra em sintonia com o novo Brasil. Democraticamente, o público é chamado a participar já na composição de dois condôminos que vão ocupar a casa durante os próximos meses. Isso porque 12 haviam sido escalados de acordo com critérios estabelecidos pela produção para garantir a diversidade do show. Afinal, quem sabe o que o telespectador gosta é quem faz TV e não necessariamente quem assiste.

Garotos sarados e gostosas querendo ?acontecer?, claro, são a pièce de résistence do elenco escolhido entre milhares de candidatos à fama. A miss Brasil, o mergulhador, o DJ cafajeste, a personal trainner, a advogada que vende o carro para colocar silicone nos seios, o secretário parlamentar que é cowboy nas horas vagas, o motoqueiro semi-punk da paz, a publicitária sambista, o jogador de basquete da periferia e a estudante descolada representam a base do cardápio. Até aí tudo igual à edições passadas.

Esse BBB3 é diferente, porque escalou personagens de conteúdo social. Para contrabalançar a futilidade, a Globo buscou uma professorinha primária do interior da Bahia (que mora em um casebre e faz diferença na vida de sua comunidade) e chamou o público para eleger uma líder comunitária carioca em detrimento de uma garota de classe média paulistana.

O telespectador que optou pelo social na escolha feminina, não teve a mesma chance ao escolher o representante homem para a vaga que restava. Entre o bailarino de salsa e o fotógrafo (ex-modelo), optou pelo mais bonitinho.

A apresentação da trupe da nova edição do reality show mostra, no entanto, que o script não será muito diferente dos outros. A intenção é arrancar lágrimas e manifestações explícitas de emoção pura (estudada, claro). Armar o circo na casa dos vencedores para ?flagrar? a comoção na hora do anúncio da escolha indica o dramalhão que virá.

O engraçado é que obedientemente todos seguem a marcação à risca. Os pais choram com a boa sorte que se abate sobre seus lares e dão depoimentos apologéticos sobre as qualidades do favorecido pelo destino (leia-se produção). Tem muito de cena, mas tem muito de verdade. Todos sabem que, a partir de agora, a família vai existir porque tem o passaporte para aparecer na TV.

De casa, os excluídos vibram com Pedro Bial, tão à vontade como animador quanto Silvio Santos. O telespectador – que compareceu em massa à frente do vídeo dando ao BBB3 a média de 35 pontos no Ibope (na Grande São Paulo) na estréia – responde para aferir qual dos ?escolhidos? o representa e saber qual vai odiar e por qual vai torcer.

Mas existe um contingente que, mesmo sendo barrado de circular pelos cômodos da casa da casa da Globo, devem ter se sentido premiados. São os que se sobressaíram pela ruindade dos vídeos enviados ao concurso. O travesti que dublou a Sandy, as dublês de Carla Perez que rebolaram quase pornograficamente para a câmera, as duas senhoras gêmeas fantasiadas e o pianista de máscara do personagem de A Hora do Espanto tiveram também seus 40 segundos de glória. Se esses semi-excluídos fizerem parte dos capítulos que virão, o BBB será bem mais divertido.”

“Quase famosos”, copyright Folha de S. Paulo, 12/01/03

“NA PRÓXIMA terça, o país conhecerá os novos anônimos que pretendem ficar ricos e famosos participando do ?Big Brother Brasil 3?, da Globo. Mas, enquanto isso não acontece, cabe a pergunta: por onde andam os participantes das duas primeiras versões do ?reality show?? ?Viajei o Brasil fazendo presença em festas. Minha vida mudou 360 graus?, conta a modelo Xaiane Dantas, 27, que afirma estar negociando com a Globo e ter sido convidada para um filme e uma peça. ?Mas não posso dar detalhes?, diz. Se as portas da TV não se abriram a todos, cobrar para aparecer em festas país afora tem sido rentável. Além de Kléber Bambam, o campeão do ?BBB 1?, que cobra R$ 6 mil por sua ?presença vip?, só a funkeira Cristiana Mota revela seu cachê em eventos sociais: R$ 1 mil. As demais ?celebridades? preferem manter o preço em segredo. Segredo, aliás, é o artifício usado quando são questionados sobre seus projetos profissionais. Ninguém dá nome aos bois, mas todos juram que estão estudando várias propostas -TV, teatro, cinema, ensaios fotográficos… Tudo tão sigiloso quanto incerto. A aeromoça Cida de Moraes, 39, e o modelo Caetano Zonaro, 40, por exemplo, afirmam estar em entendimentos com duas emissoras para apresentarem programas. Cida -que se aventurou num monólogo teatral desapercebido no Rio- nega ter sido demitida pela empresa em que trabalhava e quer conciliar as duas coisas. ?Meu programa não será ao vivo?, é tudo o que revela. Zonaro diz estar negociando com a revista ?G Magazine? um cachê de R$ 500 mil para que ele e seu filho Rafael, 20, posem nus. Mas a revista informa que a negociação já foi suspensa. O modelo, primeiro eliminado no ?Big Brother 1?, acredita na possibilidade de voltar à Globo. ?A produção do ?BBB? me procurou dizendo que o Boninho quer colocar o pessoal das duas primeiras versões em ?games? com os participantes da terceira?, diz ele. Seriam também com duas emissoras os contatos de Tina Dias, 23, e de Adriano Castro, 32, que participaram de edições diferentes do ?reality? mas ficaram amigos e hoje moram juntos no Rio. Ambos são candidatos a apresentadores.

Encaixados

Já Alessandra Bedliomini, 27, a Leka, não quis ser apresentadora. No elenco da peça ?Caixa 2?, em cartaz no Rio, a ex-?BBB1? foi capa da ?Playboy?, como Thaís Ventura, da segunda edição. Confiante em seu empresário -?o mesmo da Marília Pêra?-, Leka acha que ?a classe artística tem preconceito com o pessoal do ?Big Brother?. Na Globo, além de Kléber Bambam, que assessorado por Marlene Mattos renovou seu contrato para o ?Turma do Didi?, estão Vanessa Pascale, 28, na novela ?Sabor da Paixão? e Helena Louro, 26, no elenco de apoio de ?Zorra Total?. Feliz com o emprego, Vanessa diz que não se incomodou em perder o prêmio de R$ 500 mil para Bambam: ?Não fiquei com o problema de ter pessoas interessadas só no meu dinheiro.? Hoje empresário, o campeão do ?BBB 2?, Rodrigo Leonel, 32, foi nomeado ?Embaixador do Rodeio Brasileiro? em Barretos (SP), lançou disco e desistiu da namorada, a quem jurou paixão em rede nacional. ?Priorizei o trabalho?, diz. André Gabeh, 28, que também lançou um CD, se diz cansado das cobranças. ?Querem que eu venda um milhão de cópias. Mas não saí do ?Fama?, afirma. E fustiga os colegas: ?Não sou dessa galera que ganha dinheiro pra aparecer em concurso de boi lá no Amapá.? Cristiana Mota, exonerada de seu cargo na Câmara dos Vereadores do Rio, virou apresentadora de programas de funk no rádio e na TV Bandeirantes do Rio. Apaixonada pela fama, reclama quando não é reconhecida. ?Pelo menos o garçom tem que saber meu nome?, afirma.

Casal

E, por falar em garçom, o ?Casal 20? do ?BBB 2? continua firme. Thyrso Matos, 27, que virou repórter gastronômico no programa de Ana Maria Braga, quer montar restaurante no Rio e torce para que sua participação no ?Mais Você? continue em 2003.

Manuela Saadeh, 23, que aproveita a fama ganhando dinheiro em eventos, quer mesmo é voltar à faculdade de Marketing. ?Deu pra capitalizar, mas não sou atriz nem quero pagar mico?, diz ela.

Concorda com Manu o companheiro Moisés da Silva, 27, o Mocotó, que abriu uma pizzaria em Porto de Galinhas e comemora a clientela, que enfrenta fila de espera. Moisés não quer nem saber de fama e TV: ?Entrar na roda-vida de entrevista e autógrafo?! Tá louco, quero mais é meu sossego!?, diz.

***

“Terceira versão do programa tem novidades”, copyright Folha de S. Paulo, 12/01/03

“O diretor de núcleo J.B. de Oliveira avisa logo: ?Queremos surpreender o público e desestabilizar os concorrentes?. Para isso, o ?Big Brother Brasil 3?, que estréia nesta terça, contará com pequenas mudanças, que, no entanto, não descaracterizarão o formato.

Desta vez, 14 participantes darão início à gincana, e dois sairão já na primeira eliminatória. Reformada, a casa agora tem quatro quartos mistos, e um sorteio semanal definirá quem dorme onde. Azar de quem cair no aposento classificado como ?albergue?, onde as camas não são nada confortáveis.

No cardápio básico, muito arroz, feijão e goiabada. O resto terá de ser conquistado nas provas. As festinhas foram mantidas, e o álcool continua controlado. Tudo gravado dia e noite por 42 câmeras e 68 microfones.

Para esquentar as eliminatórias, dois participantes terão imunidade, mas um ofurô colocado no jardim promete acalmar os ânimos. O prêmio continua de R$ 500 mil, o que levou 120 mil pessoas a enviarem fitas à Globo.

?Vimos todas as fitas que chegaram no prazo?, afirma Oliveira, que mandou cem candidatos à ?cadeira elétrica?, como ele chama a entrevista que define os participantes. ?Mas o cara só sabe se vai entrar oito horas antes de ser dada a largada do programa?, afirma o diretor, que diz ter perdido noites de sono por causa de Tina Dias, do ?BBB 2?, cuja estratégia era ?enlouquecer? os concorrentes.

?Fiquei dois dias sem dormir, pensando no que faria se alguém batesse nela?, afirma ele, lembrando também que a concorrente Leka teve problemas com bebida. ?Não temos como mandar neles. Restringir o número de latas de cerveja é um tipo de controle que podemos exercer?, diz.

Certo de que os ?reality? serão incorporados pelo público como as novelas, mas sem substituí-las, Oliveira já trabalha numa nova idéia. ?É um projeto da Fox, misto de dramaturgia com ?reality?. Acho que vai agradar.?”

ESPERANÇA

“?Esperança? já é o 2? pior ibope das oito”, copyright Folha de S. Paulo, 11/01/03

“?Esperança? já é a segunda menor audiência da história das novelas das oito da Globo. Na última quarta, quando foi exibido o 177? capítulo, sua média geral (desde o primeiro episódio) atingiu 38 pontos no Ibope na Grande São Paulo, com a sintonia de 56% dos televisores ligados no horário.

A novela só supera ?Suave Veneno?, exibida em 1999, que teve média de 37 pontos e sintonia de 51% das TVs até o 177? capítulo. A diferença é que na época de ?Suave Veneno? o horário da novela das oito era mais competitivo. O ?Programa do Ratinho?, no SBT, dava mais ibope do que hoje. Outro diferencial é que ?Suave Veneno? começou com a audiência baixa e se recuperou quando estava na metade. Sua média do primeiro ao último capítulo foi de 38 pontos. Já a audiência de ?Esperança? vem caindo desde seu início e tende, até o final, em 14 de fevereiro, a ser menor do que a de ?Suave Veneno?.

A substituição do autor Benedito Ruy Barbosa por Walcyr Carrasco, há um mês e meio, não foi suficiente para deslanchar ?Esperança?. Em novembro, na última semana de Barbosa à frente da novela, sua média era de 39 pontos, com sintonia de 57% dos televisores. Pelo critério da participação no total de TVs ligadas, a audiência é quase a mesma.

Maior sucesso desde 1997, ?O Clone?, que antecedeu ?Esperança?, marcava média de 45 pontos no 177? episódio.”

 

REALITY SHOWS

“Globo confirma novo ?reality show? em abril”, copyright Folha de S. Paulo, 9/01/03

Em reunião anteontem à tarde, o comitê operacional da Globo, que reúne a cúpula da emissora, confirmou para abril a estréia do ?reality show? ?Arquivo de um Crime? (nome provisório). O novo programa será exibido aos domingos, após o ?Fantástico?, com flashes durante a semana, e deve entrar no ar duas semanas após o fim do terceiro ?Big Brother Brasil?, que tem première hoje.

Inspirado no americano ?Murder in a Small Town?, da Fox, ?Arquivo de um Crime? estava inicialmente previsto para estrear no fim de 2002. O projeto prevê duas edições de dez episódios cada.

A atração, do núcleo de J.B. de Oliveira, o Boninho, o mesmo de ?Big Brother?, tem roteiro de Ronaldo Santos (do ?Linha Direta?) e mistura elementos dos livros de Agatha Christie. Os participantes (entre dez e 14) terão que desvendar um crime fictício em uma pequena cidade. A cada programa, ao vivo, os competidores/detetives receberão novas pistas.

Também na reunião do comitê, foi anunciado que Antonio Fagundes acabou aceitando participar da nova versão do seriado ?Carga Pesada?, que assim fica também confirmado para abril.

O programa ainda não tem data para estrear, porque falta definir qual espaço irá ocupar. ?Brava Gente?, o mais forte candidato a dar o lugar, também está previsto para 2003. Uma possível solução seria alternar ?Brava Gente? com ?Carga Pesada?.”

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