Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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Leila Reis

Por lgarcia em 19/08/2003 na edição 238

JOGOS PAN-AMERICANOS

"TV abre mão de melhorar nossa auto-estima", copyright O Estado de S. Paulo, 17/08/03

"O país do futebol é o melhor das Américas em pingue-pongue, patinação, natação, maratona, basquete, iatismo. Faz bonito em nado sincronizado, no judô, no handebol, no tênis, no hipismo de salto, no salto ornamental, no arremesso de disco, no futebol feminino, etc.

Os assinantes da TV paga interessados em esporte receberam informações suficientes para se orgulhar do desempenho do Brasil nos Jogos Pan-Americanos, em São Domingos. Já os telespectadores da rede aberta (a maioria do público) tiveram uma ração tão minguada que mal puderam se ufanar e dar uma levantadinha em sua auto-estima.

A Globo, uma das detentoras dos direitos da transmissão do Pan, limitou-se a mostrar flashes das principais provas do dia e a compactá-los nos telejornais para não desarranjar sua programação. A Bandeirantes encaixou timidamente o torneio em sua grade, mas foi surpreendida na terça-feira, quando pegou a vice-liderança no Ibope (com cerca de 5 pontos de média) ao exibir no meio do dia a decisão final do handebol feminino.

Esse fato isolado mostra que a TV aberta se equivocou a respeito do prestígio do torneio e que o blablablá sobre a excelência do esporte amador só cabe em época de Olimpíada.

Fica a sensação de que, na visão das emissoras, só futebol justifica uma mexida na programação neste país de torcedores. E só por meio do futebol as redes conseguem atrair patrocinadores (interessados nessa massa de audiência) para pagar a conta.

Essa vesguice prejudica o Brasil. É consenso internacional que uma das armas mais eficazes para combater a violência e a marginalidade é a prática de esportes. Dessa maneira, ao destacar apenas o milionário futebol, a TV desvaloriza outras modalidades esportivas que, se descobre agora, para surpresa de muita gente, têm prestígio entre alguns brasileiros valentes que, quando deixam, vão lá e trazem medalhas.

Por causa dessa falta de sensibilidade social é que esportistas como o patinador Marcelo Stürmmer, o mesa-tenista Hugo Hoyama, os nadadores Rogério Romero e Thiago Pereira, os fundistas Márcia Narloch, Vanderlei Cordeiro de Lima e Marilson Gomes dos Santos, entre tantos que colocaram o Brasil em evidência, eram absolutos desconhecidos do telespectador médio até então.

É por isso também que esses abnegados atletas não se tornaram modelos para jovens que só pensam em se dar bem como Rivaldo, Ronaldinho ou Roberto Carlos, em um campo pequeno demais para milhões de sonhadores."

 


"A magia da cobertura esportiva (III)", copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 18/08/03

"O repórter argentino Alejandro Bidondo, que esteve em Santo Domingo cobrindo os Jogos Panamericanos para a editoria de Esportes da Agência Diarios y Notícias (DYN), da Argentina, nasceu em Buenos Aires, em 23/03/63. Na capital argentina, ele cursou jornalismo no Círculo de la Prensa. ?Desde pequeno pratico algum esporte. Ginástica devido a um problema de rinite alérgica, natação para aprender a me defender dentro d?água, patinação, futebol (joguei nos times AFA, Piraña e Sportivo Barracas), e finalmente pratiquei atletismo. Atualmente corro como atleta veterano. Já mergulhei, andei de helicópteros, de bote de borracha, botes comuns, enfim, experiências que me ajudam a compreender o esforço esportivo com maior facilidade. Obviamente, também já dei minhas pedaladas e andei à cavalo?, conta.

O periodista argentino (jornalista, em espanhol) trabalhou em eliminatórias de mundiais dentro e fora do país do tango. Foi à Espanha com uma delegação de Torneos Juvenis Bonaerenses, cobriu tanto os Jogos Panamericanos de Mar del Plata, na Argentina, em 1991, e agora, estes na República Dominicana.

Bidondo acredita que o esporte permite ao jornalista incursionar nas mais variadas áreas, sejam culturais, legais, institucionais, as relacionadas à ciência (medicina desportiva), e até mesmo econômicas. ?Para nós, o esporte não se restringe a apenas um jogo. Tampouco quer falar da psicologia e da sociologia quando contamos histórias de grupos e de vida?, defende.

Sobre a agitação de uma cobertura, Bidondo brinca dizendo que a vida é dura e corrida, mas tem que saber buscar o momento do descanso. Como ingrediente mais importante para o bom trabalho ele aponta o entusiasmo de estar ali, onde as coisas acontecem.

Um dos incidentes que Bidondo dividiu conosco foi em Mar del Plata, em 1995. ?Eu entrevistava Javier Sotomayor – famoso atleta cubano, que foi durante um bom tempo detentor do recorde mundial no salto em altura com a marca de 2m44cm – que explicava que Cuba tinha um lugar de destaque no esporte panamericano e não tinha assento na Organização dos estados Americanos (OEA). Ele falava isso com a intenção de passar uma mensagem antiimperialista. Nisso, tive uma decepção enorme quando o assessor de

imprensa de Cuba me disse que eu não deveria misturar política com esporte e me aconselhou a consultar a embaixada. Minha pergunta acabou sendo o tema da conferência para a Cadeia Televisiva da Reuters, que me filmou em primeiro plano. Houve repercussão até em Pequin?, recordou, sorrindo.

Aos estudantes brasileiros, Bidondo manda uma mensagem positiva. ?Sonhe, sonhe, sonhe que tudo chega. Eu sonhei muito em estar aqui, vendo a volta da atleta Solange Witteveen – a saltadora argentina Solange Witteveen ficou afastada dois anos devido à suspensão imposta pela Federación Internacional de Atletismo por doping – enfrentando a saltadora dominicana Juana Arrendell (Arrendel é o segundo maior ídolo do esporte dominicano, sendo o primeiro o corredor Féliz Sanchez, campeão mundial e panamericano nos 400m com barreiras). Arrendel foi medalha de ouro no Pan de Winnipeg, Canadá, contudo, naquela ocasião, a atleta perdeu a medalha por doping. Dessa vez, ele ganhou de novo a prova de salto em altura, mas manteve a medalha, em sua terra natal. Eu sonhava ver a Ana Guevara (corredora mexicana, outra estrela do atletismo mundial) de perto quando lia a revista da IAAF. Eu a vi no hotel Barceló Lina. Cumprimentei-a, dei-lhe um beijo. Conversei e contei como era essa conversa de off the record em uma nota de pé de página?, finaliza."

 


"Só paixão não basta", copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 11/08/03

"Olá, amigos. Neste domingo, ao correr pelos programas esportivos em busca do resumo do dia no futebol e no Pan-Americano de Santo Domingo, parei para ouvir o jornalista Armando Nogueira no programa de Juca Kfouri na Rede TV. Não me arrependi. O brilhante e experiente jornalista me deu a definição que eu precisava para a coluna desta semana. Segundo ele, ?só é jornalista esportivo quem tem a paixão pelo esporte. Quem não tem, pode ser jornalista, mas de política, economia ou qualquer outra área. Mas para ser jornalista esportivo, não tem jeito. Tem que ser apaixonado por esporte.?

Concordo em gênero, número e grau com Armando Nogueira, mas acrescento o seguinte: só a paixão não basta, em se falando de jornalismo em geral (qualquer que seja a editoria). Tenho notado nos últimos tempos que há muitos, mas muitos jornalistas com deficiências graves em português, na construção de texto e da estrutura narrativa. É muito comum para quem edita textos de jornais e revistas receber textos de redatores e repórteres com alguns erros, muitas vezes pela pressão do fechamento da edição, ou do clichê. Erros de digitação ou palavras atropeladas são aceitáveis.

Mas, infelizmente, o que tem acontecido com certa freqüência é o recebimento de textos quase incompreensíveis. Eu mesmo já recebi, de alguns repórteres, textos que começavam e não terminavam. Simplesmente acabavam no meio. Verificando com eles o que teria acontecido (afinal poderia ser algum problema tecnológico), percebi, para constrangimento de todas as partes, que os textos recebidos eram exatamente os que haviam sido mandados. Pior: alguns destes repórteres não viam nenhum problema neles.

O que está acontecendo? Temos problemas de formação básica? Nossos jovens estudantes não lêem como deveriam? Há preocupação com a formação em língua portuguesa em nossas universidades?

A resposta para todas as perguntas acima, na minha opinião, é sim. Ao longo do tempo, os nossos jovens vêm perdendo gradativamente o gosto e o interesse pela leitura. São poucos os que têm o hábito da leitura de qualidade, que engrandece o vocabulário e dá a noção exata de narrativa e construção de textos. Muitos, mas muitos MESMO, escrevem como falam, um erro primário de comunicação. Outros não têm na cabeça que quem os lê não compartilha de seus pensamentos, e acabam picotando a narrativa, omitindo informações que eles julgam já serem do conhecimento de quem os lê.

Aliada a essas dificuldades está a ausência de uma formação forte em língua portuguesa nas universidades. Muitos alunos chegam ao terceiro grau com deficiências não corrigidas no ensino básico, e as universidades não possuem um sistema de ensino que corrija essas deficiências, ou que dê meios a esses alunos de se aprimorarem.

O resultado dessa combinação quase macabra é a formação de uma geração de pessoas que, em sua maioria, escreve mal, e não tem o menor interesse em se aprimorar.

No Esporte isso é ainda mais acentuado, porque quem chega à área imagina que gostar de esportes, ter boa memória e contatos é o suficiente para fazer de si um bom jornalista. Isso tudo é importante, sim. Mas escrever bem é o primordial. Já vi quem achasse o contrário, quem inclusive me dissesse que é para isso que existem os corretores ortográficos. Discordo frontal e totalmente disso. Esse argumento, para mim, é o mesmo que dizer que não devemos curar uma fratura nas pernas, pois é para isso que existem as muletas.

Portanto, peço encarecidamente aos que lêem essa coluna e estão em bancos universitários: dêem à língua portuguesa o valor que ela merece. Só paixão não basta para que seja formado um bom jornalista e, conseqüentemente, um bom jornalista esportivo.

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Vejo como uma grata surpresa a participação do ex-atleta Róbson Caetano no time de comentaristas do SporTV. Articulado, com boa voz e profundo conhecimento de sua área esportiva, o atletismo, Róbson tem se mostrado extremamente útil às transmissões do canal.

Mostrando grande intimidade com as câmeras, o maior velocista da história do atletismo brasileiro parece ter futuro brilhante como comentarista esportivo. Boa praça como é, Róbson merece.

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Justo e merecido o destaque dado ao ouro de Fernando Meligeni no Pan. Atleta na verdadeira concepção da palavra, raçudo, apaixonado pelas cores do Brasil e por representar o país, Meligeni é um dos raros exemplos de esportista que, mesmo sem ser um Agassi ou um Sampras, nos emociona por sua perseverança, por sua luta por atingir o melhor resultado. Na boa? Não teve ouro mais merecido que o dele nesse Pan. E parabéns à imprensa, que soube enxergar esse belo momento do esporte brasileiro."

 

"Apoio ao esporte", copyright Folha de S. Paulo, 20/08/03

"?O Brasil acompanhou encantado o desempenho de seus atletas durante os Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo. É uma pena que esses mesmos atletas que brilharam em seus exóticos esportes irão simplesmente desaparecer, serão completamente esquecidos pelos jornais e pela televisão, que só irão se lembrar deles nas próximas Olimpíadas. Está mais do que na hora de a imprensa brasileira começar a cumprir o seu dever de nos manter informados sobre o desempenho de nossos brilhantes atletas durante o ano todo. Com certeza não faltará público interessado em acompanhar nossos atletas em sua infindável e gloriosa jornada.? (Mário Barilá Filho, São Paulo, SP)"

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