Segunda-feira, 21 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

PRIMEIRAS EDIçõES >   VIVER ESCOLA

Leila Reis

Por lgarcia em 28/10/2003 na edição 248

CHOCOLATE COM PIMENTA

“Público gosta de histórias tradicionais”, copyright O Estado de S. Paulo, 26/10/03

“Enquanto a novela das 8 é alvo de críticas de uma parcela do público por ter esquentado o horário (as cenas de cama de Celebridade estão cada vez mais calientes, reclamam), Chocolate com Pimenta sobe na preferência da família.

Ingênua, graciosa, quase comportada, a novela de Walcyr Carrasco melhorou bem a audiência da faixa das 6, chegando a cravar média semelhante à de novelas das 8. Hoje, com horário de verão e tudo, registra 36 pontos no Ibope (na Grande São Paulo), índice mais alto do que o de Estrela Guia, com a popstar Sandy, o último melhor desempenho do horário (média de 31).

Chocolate com Pimenta não traz nada de diferente ao terreno da ficção em capítulos. É uma novela tradicional no melhor sentido da palavra: um enredo de amor e vingança já contado inúmeras vezes na TV. Depois de enxovalhada pela cidade (incluindo seu grande amor), a garota pobre retorna milionária e disposta a ajustar as contas com quem a maltratou. Traz um filho (do rapaz que ama, mas que não sabe da existência dele) e uma mágoa que, todo telespectador de novela sabe, será transformada em casamento nos capítulos finais. Antes disso, a viuvinha Ana Francisca (Mariana Ximenes) vai se decepcionar muito com o conquistador Danilo (Murilo Benício).

Chocolate com Pimenta é parecida com O Cravo e a Rosa, que Carrasco desenvolveu tão bem. Tem outros chororos paralelos ao da heroína, mas dosa bem drama, romance e humor. O tom farsesco que ronda especialmente os vilões deixa a história mais saborosa. As manobras desastradas da bisca Jezebel (Elizabeth Savalla) são hilariantes. O mau humor do delegado Terêncio (Ernani Moraes), as escapadas do prefeito Vivaldo (Fúlvio Stefanini) e a facilidade para iludir de Lili, a menina levada que finge ser donzela pura para o médico que a ama, são os pontos altos.

A família caipira da heroína Ana Francisca é superengraçada. O núcleo sustentado pela interpretação de Osmar Prado, Laura Cardoso, Drica Moraes e Marcello Novaes é delicioso. Os diálogos desse grupo são fantásticos, em especial os que participa Márcia (Drica), uma manicure que faz tudo o que pode para ser chique.

O fato de ser uma história de época pode também justificar a boa acolhida da novela. O público das 6 gosta do gênero, como demonstrou em diversas ocasiões. No caso de Chocolate, ele ainda conta com um bônus: a cenografia, o figurino, cabelo, maquiagem estão no maior capricho.

A principal razão do sucesso de Chocolate pode ser explicada de maneira mais simples. O público pode ter se cansado de novelas que se esforçam para ser mirabolantes e cheias de mensagens para ensinar o caminho do bem para o telespectador. Parece que tem hora que as pessoas querem uma fantasia que lhes permitam simplesmente desconectar-se do cotidiano, nem que seja por 40 minutos.”

 

PERFIL / FERNANDO BARBOSA LIMA

“De TV, ele entende tudo. E faz tempo”, copyright O Estado de S. Paulo, 26/10/03

“Ele dirigiu as TVs Excelsior, Manchete e Bandeirantes. Presidiu (por duas vezes) a TVE do Rio. Ganhou dezenas de prêmios com criações como o Jornal da Vanguarda (Excelsior) que contava com nomes como Millôr Fernandes, Borjalo e José Lewgoy. Assinou formatos importantes como Cara a Cara (Band), Sem Censura e o mais incrível deles, Abertura (Tupi), um programa moderno demais para a década de 70, que trazia posturas visionárias de artistas como Glauber Rocha e Ziraldo. Fernando Barbosa Lima é, sem dúvida alguma, um homem de TV.

Sua nova aposta no meio é a retomada de sua produtora independente, a FBL Produções, o comando da TV Estácio (canal universitário da Estácio de Sá, no Rio) e 1 milhão de idéias prontas para serem postas em prática.

?O caminho agora é a produção independente, a TV precisa ser revitalizada, precisa de gente que cria. De uns tempos para cá, parece que as emissoras só querem saber de copiar, copiar, copiar?, fala ele. ?Minha produtora está cuidando de toda a programação da TV Estácio e estou totalmente dedicado à produção de DVDs. Um deles será sobre meu pai (Barbosa Lima Sobrinho) e outro será sobre Cândido Portinari?, continua. ?Também estamos formatando uns projetos audiovisuais sobre algumas personalidades da história brasileira; uma campanha de imagem para o Rio de Janeiro; algo sobre a história da TV no Brasil, entre outras coisas?, conta Fernando Barbosa, com a empolgação de um ?menino?, no auge de seus 70 anos de idade.

Deve ser a mesma empolgação que lhe deu a primeira chance na TV, aos 20 e poucos anos, quando já se tornou diretor do programa Preto no Branco (TV Rio), criação sua que trazia Oswaldo Sargentelli entrevistando grandes personalidades. O diferencial: o entrevistado ficava em pé em um cenário vazio e o entrevistador fazia as perguntas em off (somente via áudio), com sua voz grave. Inusitado para uma época em que a TV trabalhava com formatos engessados.

Entre outras criações, destacam-se também o Canal Livre, na Bandeirantes, e o Conexão Internacional, com Roberto D?Ávila, ambos em vigor até hoje.

Antes de trabalhar em TV, mexeu com publicidade. Começou como assistente, mas sabe que ter nascido em lar ilustre lhe valeu um bom ?empurrãozinho? na carreira. Fernando Barbosa Lima é filho de Barbosa Lima Sobrinho, o Barbosão, jornalista e político que viveu e participou dos principais fatos da história brasileira no século 20.

Mais que história – A saga do pai, reunida em mais de 30 horas de programas de televisão – entre entrevistas, depoimentos e participações -, vai virar DVD pelas mãos do filho. Fernando Barbosa quer ensinar aos jovens quem foi o homem que quase viu três séculos (nascido em 1897, Barbosão morreu em 2000), lutou contra a ditadura, escreveu 80 livros e defendeu até a morte idéias nacionalistas.

Ele também quer mostrar ao público um pouco da história do pintor Cândido Portinari. ?O DVD mostrará a última fase de Portinari, em que ele desenhou muito sobre a obra de Miguel de Cervantes, Dom Quixote?, conta Barbosa.

?Também trará depoimentos de seu filho, João Cândido, e de outras personalidades ligadas ao pintor e à sua obra, como Paulo Autran, Arnaldo Antunes, Ziraldo e Carlos Bracher.? Fernando pretende distribuir os DVDs em escolas públicas e bibliotecas.

TV Universitária – Enquanto exercita algumas idéias no mercado audiovisual, Fernando Barbosa também ?brinca? do que mais gosta: fazer TV. Sua produtora, a FBL, assumiu há poucos meses a programação da TV Estácio (canal 16 na Net Rio)e já criou uma série de formatos novos para o canal.

Apesar de ser uma TV universitária, não são poucas as grifes que Fernando Barbosa já conseguiu arrastar para lá. O publicitário Lula Vieira e o jornalista Arthur da Távola são algumas delas.

?Já temos um programa sobre comunicação comandado pelo Lula, um de entrevistas apresentado pelo Arthur da Távola e outro sobre comportamento, feito pelo carnavalesco Milton Cunha, que, na minha opinião, é um grande achado?, conta ele. ?A atração se chama Ilustres Anônimos e mostra gente desconhecida que faz coisas muito interessantes.?

Durante a entrevista ao Estado, enquanto falava sobre suas produções na TV Estácio, Fernando lembrou-se de um novo projeto: uma campanha para mostrar ao mundo como o Rio é uma cidade de pessoas gentis. Deve ser realizado em parceira com o Conselho de Desenvolvimento da cidade, a fim de incentivar o turismo. ?Acho que vai se chamar Rio Gentileza, em homenagem ao profeta Gentileza, lembra-se dele??, pergunta Fernando, que em seguida cai em um silêncio típico de quem tem mais idéias fervilhando na cabeça.”

 

VIVER ESCOLA

“Cultura lança gincana entre estudantes”, copyright O Estado de S. Paulo, 26/10/03

“O apresentador Cunha Jr. recebeu uma missão inédita em sua carreira: comandar uma platéia de estudantes no Viver Escola, game show que a TV Cultura estréia hoje, às 10 horas. O programa nasceu de uma idéia da Secretaria Estadual de Educação e faz parte do projeto Escola que Dá Certo, que visa à integração entre pais, alunos, professores e membros da comunidade em relação à educação. Na direção está Maísa Zakzuk, que esteve por trás de produções como X-Tudo, Ilha Rá-Tim-Bum (ambos da Cultura) e Zapping Zone (Disney Channel/SBT). A produção é uma parceria entre a Cultura, a Secretaria Estadual de Educação e a GW.

Há dez anos no Metrópolis – programa exibido pela TV Cultura -, Cunha Jr. ficou um pouco assustado com o convite para apresentar o game show. ?Pensei: Será que vou conseguir fazer??, conta o apresentador, que até então só havia tido contato com platéia nas gravações do Bem Brasil, atração com shows musicais da TV Cultura. ?O Viver Escola é diferente de tudo o que já fiz. Tenho de ser um pouco animador de platéia?, fala. ?Mas está sendo engraçado.?

Como define a diretora Maísa Zakzuk, o Viver Escola mistura educação e entretenimento. O programa é uma grande gincana entre duas equipes que reúne provas culturais, com direito até a show de talentos, e físicas. As equipes são compostas por alunos, professores e membros da comunidade de duas diferentes escolas. O prêmio para o colégio vencedor é uma coleção de livros didáticos e paradidáticos.

Para Maísa, o maior desafio do Viver Escola foi criar uma gincana interessante para quem participa e para quem assiste ao programa. ?É difícil transformar a idéia de uma gincana tradicional em um produto visualmente interessante para a TV.? Mas o resultado – já existem três programas gravados – agradou à equipe do game show. Para o coordenador do projeto, Carlos Magagnini, apesar de ser direcionado aos estudantes da rede pública, o Viver Escola agradará aos alunos de escolas particulares e ao público em geral.

Para se prepararem para o game show, os estudantes assistem a um filme, que deve ser debatido em sala de aula. A partir da obra são formuladas questões sobre cultura, história e até geografia. ?Assistimos ao filme Bicho de Sete Cabeças?, conta a aluna Rafaela Dias Chaves Ferreira, de 17 anos, que participou do programa. ?Eu nunca tinha visto e achei interessante por ser baseado em um fato real.? Foi essa empolgação dos jovens que estimulou a nova missão de Cunha Jr., que diz estar feliz com o trabalho. ?Acho muito legal a idéia do programa e, como gosto de cinema, até converso com os alunos sobre o filme a que assistiram antes de começarem as gravações.?”

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