Segunda-feira, 23 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

PRIMEIRAS EDIçõES > CASA DOS ARTISTAS

Leila Reis

Por lgarcia em 05/12/2001 na edição 150

CASA DOS ARTISTAS

"Agora, denúncias são contra sertanejos", copyright O Estado de S. Paulo, 2/12/01

Nunca a TV comprovou tão bem que as aparências enganam como nesta semana. O telespectador pôde constatar pelas lentes da Casa dos Artistas, do SBT, que quem deveria ter um caráter demoníaco por ser punk e roqueiro (Supla) tem uma alma de coroinha. Em contrapartida, um dos emblemas da retidão familiar, o sertanejo Xororó – cuja imagem é de marido amoroso fiel e pai zeloso dos cantores Sandy e Júnior – é denunciado como um sátiro, que tem se divertido nos bastidores dos shows sem importar-se com filhos bastardos pretensamente deixados pelo caminho.

Uma garota nascida em Ribeirão Preto, apresentada pelos programas vespertinos especializados na especulação da vida alheia – do tipo A Casa é Sua, TV Fama, Canal Aberto, O Melhor da Tarde – como a irmã ilegítima da estrelinha Sandy, puxou uma fieira de denúncias contra ‘sertanejos famosos’, cujos hábitos sexuais não seriam exatamente ortodoxos.

As histórias contadas na TV por moças que freqüentam (ou freqüentaram) o showbiz caipira são tão apimentadas quanto o enredo dos romances de Sidney Sheldon ou dos filmes que retratam os bastidores de Hollywood como um caldeirão de sexo, dinheiro e poder (nenhuma estrela subia sem passar antes pelo teste do sofá do diretor, do produtor, etc).

Nada muito diferente da imagem de outros extratos artísticos. Nos anos 70, era comum associar as bandas de rock ao sexo e às drogas que, dizem, compunham o passatempo de dez entre dez roqueiros quando desciam do palco.

O modus operandi dos astros da viola agora denunciado na TV – como a escolha na platéia, por seguranças e empresários, das presas para o abate após o show e a instalação das ‘eleitas’ nos quartos de hotel antes dos cantores – também não é inédito. Corre uma lenda que a máquina do sexo funcionava exatamente dessa maneira na época em que o programa Jovem Guarda enlouquecia garotas papo firme, no final dos anos 60.

A avalanche de denúncias contra o mau comportamento dos sertanejos tem antecedentes. Não faz muito tempo, os shows da tarde enfadaram o telespectador com um desfile de mulheres (mais loiras do que morenas) engravidadas por pagodeiros. Da mesma maneira que está acontecendo, pedidos de exame de paternidade, depoimentos constrangedores de seduzidas e discussões por pagamento de pensão foram durante um certo período (felizmente essas ondas passam depois de algum tempo) conteúdo das atrações vespertinas.

A coisa foi tão exagerada que em certa edição do Casseta & Planeta Urgente!, a turma do Bussunda fez uma apresentação de pagode (com aquela típica coreografia pré-escolar) dentro de um útero enorme. Os fetos cantavam: ‘Liga pra mim…’ Ninguém vai se surpreender se o quadro voltar ao programa com uma balada no lugar do samba na linha do ‘Pense em mim, chore por mim, liga pra mim…’."

"O mundo sintonizado no dia-a-dia de gente comum", copyright O Globo, 2/12/01

"Big brother’ foi lançado em 1999 na TV holandesa e foi líder de audiência praticamente durante todo o tempo em que esteve no ar. O sucesso correu mundo rapidamente e diversos países adquiriram os direitos sobre a fórmula do programa – ou copiaram-na. O reality show já foi visto em 21 países, incluindo França, Estados Unidos, Grã-Bretanha, África do Sul, Alemanha e Bélgica. Atualmente, está sendo exibido em outros tantos, tais como Itália, Grécia, Holanda e Portugal. O interesse não diminui: a Espanha já prepara a terceira edição de ‘Gran hermano’ para 2002 e, na Austrália, estão abertas as inscrições para ‘Big brother II’. Já a versão argentina chegou ao fim ontem. E o México, a exemplo do Brasil, acaba de fechar contrato com a Endemol para produzir sua versão do jogo.

A primeira edição de ‘Big brother’, produzida na Holanda, mostrava cinco mulheres e quatro homens, com idades entre 20 e 44 anos, convivendo numa casa em Amsterdã, totalmente isolados do mundo exterior. A cada duas semanas, os telespectadores eram convidados a eliminar um candidato, e o último a sair ganhou US$ 120 mil. O nome foi extraído do romance ‘1984’, de George Orwell: nele, Big Brother (Grande Irmão) era o nome do mecanismo que o governo usava para controlar cada passo dos cidadãos.

O completo isolamento dos concorrentes é uma das regras básicas da atração. Tanto que os candidatos que participavam do programa em Portugal, na África do Sul, na Dinamarca e na Bélgica em 11 de setembro deste ano não ficaram sabendo que os Estados Unidos haviam sofrido um atentado terrorista. Somente na Holanda os responsáveis pelo programa decidiram quebrar as regras do jogo e contar aos concorrentes que o mundo estava à beira de uma nova guerra.

Na maioria dos países em que é exibido, ‘Big brother’ vira fenômeno. Em Portugal, onde está em sua terceira edição, o programa vem fazendo uma multidão sintonizar a TVI, que liderou a audiência quando exibiu a primeira versão do jogo. Lá, há inclusive um canal pago que exibe ‘Big brother’ 24 horas por dia, exatamente como vai acontecer no Brasil.

A França resistiu o quanto pôde à onda dos reality shows , mas também acabou se rendendo ao programa: ‘Loft story’, versão local de ‘Big brother’, levou a emissora M6 ao primeiro lugar e fez o presidente da TF 1, até então a líder de audiência, esbravejar, alegando que o programa nada acrescentava à cultura francesa. Menos de dois meses depois, no entanto, a TF1 assinava contrato com a Endemol para produzir outros de seus formatos."

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