Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES >

Lilian Fernandes

Por lgarcia em 20/06/2001 na edição 126


ASPAS


GAYS

"Do deserto do Arizona ao avião de Donald Trump",
copyright O Globo, 12/06/01

"Como a nossa Regina Casé, Ruby Wax começou como atriz, mas ficou mais conhecida por fazer entrevistas pouco convencionais, a maioria delas fora do estúdio. Uma de suas mais recentes aventuras está registrada nos 12 programas de ?Ruby?s American pie?, que estréia hoje, às 20h30m, no GNT, com o nome de ?A América de Ruby Wax?. A série, comparável ao que Regina fazia no extinto ?Brasil legal?, traz uma coletânea do que há de mais esquisito ou, pelo menos curioso, em território americano.

No primeiro episódio, ?Trabalhos forçados?, a apresentadora, já conhecida do público do Multishow por ?Ruby Wax encontra? e do Eurochannel por ?The full Wax?, aparece num presídio no deserto do Arizona. Ali estão sete mil condenados, homens e mulheres, presos por crimes que vão desde meras infrações de trânsito a assassinatos. Ruby foi até lá com o propósito de conhecer o diretor da prisão, Joe Arpio, descrito por ela própria, logo no começo do programa, como um homem disposto a tornar a vida dos detentos ?o mais miserável possível?.

À medida que vai conhecendo o personagem em companhia de Ruby, o telespectador tem realmente esta impressão. Arpio, que gosta de ser comparado ao pistoleiro Wyatt Earp e ao general Patton, um ferrenho anticomunista americano, faz os presos pagarem por sua comida, está sendo processado por eles por ter proibido a circulação de revistas masculinas e se compraz quando os ouve dizer que odeiam a prisão. A graça está na irreverência de Ruby, que faz Arpio parecer ainda pior do que é. À certa altura, enquanto a apresentadora faz aos presos perguntas do tipo ?Vocês sentem falta de mulheres?? e ?Numa escala de 1 a 10, o quanto vocês são humilhados??, Arpio, irritado, retruca: ?Ei, você quer causar uma rebelião?!?

Outro destaque é o momento em que, envergando o tradicional uniforme branco com listras pretas dos presidiários americanos e usando uma corrente presa ao tornozelo, Ruby acompanha as prisioneiras numa saída para a realização de trabalhos forçados – do tipo enterrar cadáveres de indigentes. Ao longo da jornada, a apresentadora extrai delas comoventes histórias de vida. Há uma que declara inclusive estar mais segura na prisão do que fora dela. Por um momento, tem-se a impressão de já se ter visto este filme antes.

Gente famosa também aparece na série, embora não seja este o principal prato servido ao telespectador em ?A América por Ruby Wax?. Num dos programas, Ruby entrevista o milionário Donald Trump a bordo de seu avião particular e depois passa uma noite com ele num cassino.

Na Califórnia, ela conversa com homens de corpos perfeitos que oferecem seus espermas pela Internet. Ruby ainda visita um núcleo da temível seita Ku Klux Klan e experimenta a vida de cantora country em Nashville, cidade que é símbolo do gênero. Tudo com grande conhecimento de causa: americana de nascimento, ela se mudou para a Inglaterra há cerca de três décadas, onde prosperou. ?A América por Ruby Wax? vai ser exibida semanalmente, com legendas."


"Parada Gay ganha mais ?militância? na TV",
copyright O Estado de S. Paulo, 12/06/01

"Mais do que nunca, a Parada do Orgulho Gay em São Paulo, agendada para o próximo domingo, vira parada obrigatória nas agendas das TVs. Das programações ditas populares ao cardápio da TV paga, o evento vai merecer, além da tradicional cobertura em seus noticiários, produções à parte sobre o tema. Amanhã, por exemplo, o canal pago GNT (Net/Sky) leva o assunto ao programa Mãe & Cia., às 21 horas. Quatro famílias falam sobre a dificuldade dos pais em compreender a opção sexual dos filhos. Na Bandeirantes, a astróloga Rose Porto Alegre, do novo Dia Dia (8h45), faz uma radiografia inspirada em todo o tipo de relacionamento – inclusive de homossexuais.

Esse interesse pela causa é, antes de qualquer militância ou simpatia, o bom faro por uma audiência cada vez mais ligada no tema. Basta fazer as contas: no ano passado, o evento mobilizou 12 trios elétricos e 120 mil pessoas nas ruas – 240 vezes mais que em 1996, na primeira edição da Parada em Sampa – e uma candidata política que acabou abocanhando a prefeitura da cidade. Mais: a platéia vip, que no ano passado contou com Marina, Camila Pitanga, Marisa Orth e Gabriela Alves, promete ter seu coro engrossado na edição da vez."

"Sônia Braga vive artista gay em seriado americano",
copyright O Estado de S. Paulo, 12/06/01

"Em sua estréia como convidada especial do seriado cult da rede HBO Sexo e a Cidade (Sex and the City), no domigo, Sônia Braga acabou fazendo parte da nova tendência da TV americana: a do aumento de personagens gays nos programas de horário nobre. Sônia vive a artista plástica brasileira Maria Diega Reyes, sucesso no circuito de arte da cidade. Numa cena de conquista com uma das quatro personagens do programa – a libidinosa Samantha (Kim Cattrall) -, Maria deixa claro que é ?costume brasileiro? a visita ajudar em alguma coisa. No ateliê-loft da pintora, Samantha suja-se de tinta vermelha ao participar da criação de uma tela. Ao lavar a mão dela na pia, rola o clima entre as duas, invocando em Ghost um momento de Demi Moore e Patrick Swayze gay, e no qual o pai da bossa nova, João Gilberto, vem a coroar com as primeiras frases da canção Tim Tim por Tim Tim.

O episódio Defining Moments, dirigido por Allan Coulter, é o primeiro de um total de três em que Sônia aparece. Em seu terceiro ano de sucesso, ficou claro que a receita de Sexo e a Cidade está mais apimentada. Além das cenas entre Maria e Samantha (todas carregadas de muita espirituosidade), o episódio de domingo mostrou Charlotte (Kristin Davis) e o namorado obcecado por fazer sexo em lugares públicos, e Miranda (Cynthia Nixon) horrorizada com um novo flerte (um ilustrador da revista The New Yorker) que não encosta a porta nem inibe seus sons biológicos no banheiro.

Nos próximos dois episódios, Maria será apresentada para as três amigas de Samantha e amarga uma recaída da parceira pelo sexo oposto. A protagonista da série, a atriz Sarah Jessica Parker (mulher de Matthew Broderick), também inicia novo romance com um músico de jazz interpretado por Craig Bierko."

    
    
                     

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