Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

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Último Segundo

Por lgarcia em 05/02/2003 na edição 210

INTERNET GRATUITA

“Inclusão digital: Provedores lançam Comitê Nacional em defesa do modelo gratuito”, copyright Último Segundo (http://ultimosegundo.ig.com.br/useg/), 31/1/03

“Provedores de acesso grátis à internet lançam nesta manhã sexta-feira o Comitê Nacional dos Provedores Gratuitos. O comitê defende a palavra de ordem ?Pela democratização da internet brasileira?. De acordo com o secretário geral do comitê, Leonardo Malta Leonel, os provedores gratuitos defendem em seu manifesto a manutenção dos modelos existentes de provimento de acesso à internet, dando ao usuário o direito de escolher entre os modelos pago e o gratuito.

Malta Leonel é presidente do provedor BR Free, um dos pioneiros da internet grátis, com sede em Belo Horizonte. ?O Comitê foi criado pelas lideranças do provimento gratuito com o objetivo de defender a bandeira do acesso grátis. O acesso gratuito é um marco da democratização da internet e entendemos que este modelo tem que evoluir e não ser destruído?, defende Leonel.

A criação do comitê foi definida na noite da última quarta-feira [28/1] em reunião realizada em São Paulo. Participam do comitê os principais provedores de acesso grátis do Brasil e diversos parceiros, entre eles o BR Free, Estadão, iBest, iG, POP, Ubbi e Yahoo! Brasil. A expectativa do secretário geral do comitê é que bancos e outras entidades que concedem acesso grátis à rede mundial de computadores se juntem ao comitê em breve.

?Estão querendo generalizar a internet grátis e esquecem que existem vários modelos operando hoje no País. Os bancos possuem um modelo, os sites outro e cada portal uma estratégia diferente?, argumenta Leonel. ?Todos esses modelos têm o apelo da internet grátis e são importantes na inclusão digital?.

No entender do comitê, os interesses da maioria dos usuários de internet estão sendo esquecidos pela entidade de classe dos provedores e por quem defende o fim do acesso grátis. ?Não queremos brigar com nenhum provedor pago ou com a Anatel. Queremos defender o modelo de acesso gratuito e seus usuários. No momento que a associação que representa os provedores é contra o acesso gratuito, nós somos o Plano B?, conclui.?”

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?Internet grátis não pode acabar?, defende futuro diretor do Instituto de Tecnologia da Informação, do governo Lula?, copyright Último Segundo (http://ultimosegundo.ig.com.br/useg/), 31/1/03

“Com o desafio de reduzir os índices de exclusão digital no Brasil e de incorporar a tecnologia ao cotidiano das camadas menos favorecidas da população, o professor Sergio Amadeu assume na semana que vem a direção do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, órgão subordinado à Casa Civil do governo federal.

Amadeu trabalha desde janeiro de 2001 como coordenador geral do Governo Eletrônico da Prefeitura de São Paulo, onde implantou os telecentros – pontos de acesso livre à Internet, considerado o melhor projeto do gênero nas três instâncias do poder público brasileiro. Atualmente 20 unidades do telecentro estão em funcionamento e atendem em média 62 mil pessoas por mês.

Para Amadeu, a grande tarefa a ser desempenhada durante os próximos anos é fazer com que a internet e a informática sejam utilizadas a serviço da sociedade também como aprendizado. ?Antes de mais nada a cidadania é poder se comunicar com velocidade na era da informação. (…) A inclusão digital tem de ser pensada como algo que dê autonomia ao cidadão?, diz.

Ainda no sentido de combater a exclusão digital, Amadeu defende a manutenção de um sistema que permita a continuidade dos provedores de acesso gratuito à internet. ?Independentemente das mudanças que forem feitas [propostas pela Anatel no regulamento de acesso à internet] tem que ser estudada uma posição que permita continuar a internet grátis. Ela vem ajudando a manter a cultura da internet?, afirma.

Segundo o professor, o Brasil é um país que tem ?pressa? no combate à exclusão digital, e a internet grátis ajuda, por exemplo, estudantes que não têm condições de pagar para se conectar no momento de fazer pesquisas ou trabalhos.

O sentido da inclusão digital para Amadeu, no entanto, vai além de se levar computadores às áreas carentes. ?Isso ajudou a disseminar a linguagem, os editores de texto, enfim, as noções básicas de informática nos bolsões de pobreza. Mas esses projetos eram bastante limitados, já que dar acesso não é apenas levar a informática, mas também a internet?, diz, ressaltando também que é fundamental para a verdadeira inclusão a orientação da sociedade sobre como utilizar a rede.

Eficiência e custo compatível

Na opinião de Amadeu, o Brasil continua caminhando no sentido de diminuir os índices de exclusão, mas ainda há muito a ser feito, principalmente em relação a estrutura e ao custo dos projetos implantados.

Programas como o Gesac (Governo Eletrônico – Serviço de Atendimento ao Cidadão), instituído em dezembro do ano passado ainda na gestão de Fernando Henrique Cardoso, são na opinião do professor pouco eficientes e demasiadamente caros. ?O Gesac custou mais de R$ 77 milhões e utiliza computadores isolados para o acesso. Essa política dos totens não permite [ao usuário] sentar e os computadores não são suficientes?, afirma.

Outra deficiência do Gesac, segundo Sergio Amadeu, diz respeito à não possibilidade de acesso gratuito a domínios ?.com?, apenas a domínios ?.gov? e ?.org?. ?Quer dizer que os pobres não têm direito à informação? Isso porque praticamente todas as melhores fontes de informação do mundo estão em domínios ?.com?, alega.

Na opinião do professor, seria necessário também reduzir os custos desses programas, o que poderia ser feito, por exemplo, a partir de software livres. ?O que se gasta com royalties poderia ser usado para a formação do capital humano?, destaca, assinalando a importância de monitores para auxiliar os usuários. Uma alternativa apontada por Amadeu seria a implantação de telecentros que contassem com orientação para o usuário.”

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“Manifesto dos provedores gratuitos de acesso à internet”, copyright Último Segundo (http://ultimosegundo.ig.com.br/useg/), 30/1/03

“Em defesa da continuidade do acesso gratuito à Internet no Brasil e em nome de seus milhões de usuários, a maioria absoluta da população que acessa a internet no Brasil e que querem os seus direitos preservados, os provedores gratuitos de acesso à internet e seus parceiros acabam de fundar o Comitê Nacional de Provedores Gratuitos.

No momento em que o país, após alguns anos de grandes avanços na inclusão digital, vê ameaçada a maior das conquistas neste terreno -o provimento de acesso gratuito-, vimo-nos obrigados a criar uma instância que possa defender os interesses da maioria dos usuários de internet, esquecidos pela entidade de classe dos provedores.

É para evitar que o Brasil perca a oferta do serviço gratuito que o coloca hoje como um exemplo a ser seguido por outros países e para recolocar a verdade face aos argumentos falaciosos disparados pelos interesses associados à exclusão digital que os provedores gratuitos se organizam a partir de hoje. Os provedores gratuitos defendem a convivência dos modelos pago e gratuito e o direito dos usuários escolherem entre esses dois modelos conforme suas conveniências e possibilidades.

Brasil, 30 de janeiro de 2003

Comitê Nacional de Provedores Gratuitos Pela Democratização da Internet Brasileira.”

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“Presidente da Abranet envia informações falsas sobre o iG por e-mail aos associados da entidade”, copyright Ultimo Segundo <http://ultimosegundo.ig.com.br/>, 3/2/03

“O presidente da Associação Brasileira de Provedores de Acesso, Serviços e Informação da Rede de Internet (Abranet), Roque Abdo, enviou na quarta-feira (29/02) e-mail aos associados da entidade com informações falsas sobre o iG (Internet Group do Brasil) e convocando os provedores a enviarem manifestações para a consulta pública 417 da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), que regulamenta o uso de redes e acesso para internet. O iG é associado da Abranet e teve acesso à mensagem eletrônica da entidade.

Roque Abdo, que também é proprietário do provedor de acesso pago Picture Provedor de Internet Ltda, pede no e-mail que os provedores ?combatam a campanha que o iG está fazendo: Eles convocaram seus assinantes para enviarem e-mail para a Anatel dizendo que querem o Acesso Grátis porque isso é que é a verdadeira inclusão digital, etc, etc…?.

De acordo com o diretor de Tecnologia do iG, Décio Sonohara, em nota emitida pelo portal e provedor de acesso, a informação não é verdadeira. ?O iG não enviou e-mail algum para a sua base convocando os seus assinantes para este tipo de movimento. Tratamos isso como spam. O iG tem políticas claras contra spam e é totalmente contra este tipo de conduta?, diz Sonohara. O iG é o portal que hospeda o jornal online ?Último Segundo?.

Segundo o diretor de Tecnologia do iG, em nenhum momento a Abranet consultou o provedor de acesso gratuito para checar esta informação. ?Somos associados da Abranet, porém em nenhum momento fomos consultados sobre a veracidade deste tema e ficamos sabendo do conteúdo das acusações somente após o e-mail do Sr. Presidente da Abranet?, explica Sonohara.

No e-mail encaminhado aos associados da Abranet, Abdo sugere que os provedores usem seus funcionários para enviar uma mensagem forjada por ele para os e-mails pessoais do superintendente de Universalização da Anatel, Edmundo Matarazzo e para o vice-presidente da agência Antônio Carlos Valente da Silva. O presidente da Abranet também instrui os associados a dizerem que não querem pagar pela internet grátis.

O secretário-geral do Comitê Nacional de Provedores Gratuitos, Leonardo Malta Leonel , presidente do provedor BR Free, com sede em Belo Horizonte, enviou carta à Anatel em que repudia ?a tentativa de manipulação pública sugerida pelo Sr. Roque Abdo aos associados da Abranet? e reafirma os propósitos do Comitê: ?Estamos ao lado da ANATEL na busca do melhor diálogo, contribuindo assim para viabilizar a real democratização do acesso à rede mundial ? Internet?.

?A mensagem enviada aos associados da Abranet é um desrespeito à consulta pública da Anatel, pois instiga os provedores a participarem de uma corrente difamatória que não contribuiu em nada para a discussão de um tema tão importante?, conclui Sonohara, acrescentando que o iG não se sente representado por uma entidade de classe cujo presidente ?em atitude bizarra? contraria os interesses de uma parcela de seus próprios associados.

O e-mail de Abdo, segundo Sonohara, divulga uma ?falácia? sobre a tarifação da internet. ?Os usuários utilizam uma infra-estrutura já instalada pelas empresas de telefonia para se conectar a internet. Ou seja, independente do provedor (pago ou gratuito) estes usuários geram um tráfego que não existia antes da internet e conseqüentemente receitas adicionais para as empresas de telefonia.?

Leia abaixo a íntegra do e-mail:

?—Mensagem original—

De: Presidente Abranet [mailto:presidente@abranet.org.br]

Enviada em: quarta-feira, 29 de janeiro de 2003 15:49

Para: ABRANET ASSOCIADOS

Assunto: Consulta Pública 417 : Providências URGENTES

Prioridade: Alta

Caros Associados,

Hoje pela manhã fizemos uma importante reunião com Associados e Diretores que atenderam a nossa convocação.

Conforme pudemos conversar em detalhes, estamos trabalhando intensamente na elaboração de sugestões para a Consulta Pública 417.

Este trabalho é de vital importância para o futuro da Internet brasileira uma vez que determinara a forma como o tráfego passará a ser feito daqui para a frente.

Não é sem motivo, portanto, que tanta discussão o assunto tem suscitado nos meios jornalísticos.

A ABRANET reuniu um Grupo de especialistas e mais consultores externos de altíssimo nível com o objetivo de elaborar a nossa proposição.

O resultado está no anexo.

Agora precisamos da sua colaboração, independentemente de você ser Provedor ou não.

Assim, sugerimos suas providências imediatas para :

1- Que todos os Provedores utilizando o texto da contribuição da ABRANET a façam, também, formalmente, no site da ANATEL como se fosse uma contribuição própria; Fazer isto, segundo me disseram é muito chato e demorado, portanto, todos devem faze-lo o quanto antes (penso que amanhã a tarde seria ótimo).

2 ? Que todos os Provedores combatam a campanha que o iG está fazendo:

Eles convocaram seus assinantes para enviarem e-mail para a ANATEL dizendo que querem o Acesso Grátis porque isso é que é a verdadeira inclusão digital, etc, etc.

Para o combate estamos sugerindo que os Provedores através de pessoas físicas (os donos, funcionários, etc) mandem e-mail para a ANATEL ( valente@anatel.gov.br e matarazzo@anatel.gov.br ) dizendo mais ou menos o seguinte:

> ?fiquei sabendo pela imprensa que as Operadoras de telefonia subsidiam com infraestrutura e repasse de dinheiro os assinantes de Provedores Grátis. Eu não quero saber disso não! O que eu quero é que o dinheiro dos pulsos telefônicos fique mais barato! Então sou eu que estou pagando a conta dos internautas grátis? SOU CONTRA!?

Obviamente este é um texto base que precisa ser modificado por quem manda. Certo de contar com a compreensão de todos, Roque Abdo?”

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