Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

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Último Segundo

Por lgarcia em 27/05/2003 na edição 226


FRAUDE NO NYT

“The New York Times suspende repórter vencedor de Pulitzer”, copyright Último Segundo / Reuters (www.ultimosegundo.com.br), 24/05/03

“O jornal americano The New York Times suspendeu Rick Bragg, ganhador do prêmio Pulitzer, um dos mais importantes na área literária e jornalística dos EUA. A informação foi dada pela imprensa local no sábado.

Na sexta-feira, Bragg foi objeto de uma nota no jornal, no momento em que o diário passa por uma revisão interna após sua admissão de que publicou matérias de um outro jornalista que eram inventadas ou copiadas.

A porta-voz do jornal Catherine Mathis não quis comentar sobre a suspensão do repórter e Bragg também preferiu não falar sobre o assunto.

Os jornais The New York Post e Daily News informaram a respeito da suspensão no sábado, mas o Times não mencionou nada sobre o fato.

Na nota de sexta-feira, o Times afirmou que um artigo publicado em junho de 2002 assinado por Bragg também deveria ter sido creditado ao colaborador free-lance J. Wes Yoder.

Yoder fez as entrevistas e a apuração para a reportagem sobre a vida dos produtores de ostra em Apalachicola, no Estado da Flórida, segundo o jornal. Bragg visitou a cidade e redigiu o texto final.

O Columbia Journalism Review publicou uma nota em seu website informando que Bragg havia sido suspenso por duas semanas. De acordo com a publicação, um leitor escrevera ao Times afirmando que Bragg nunca havia sido visto em Apalachicola.

O jornal vem pedindo a seus leitores que expressem suas preocupações e dúvidas a respeito das reportagens que publica desde que um de seus repórteres, Jayson Blair, foi pivô de um escândalo que abalou uma das publicações de maior prestígio nos Estados Unidos.

Segundo o jornal, Blair, que pediu demissão no dia 1o. de maio, inventava detalhes, baseado em informações da cobertura de outros repórteres, e fingia fazer apurações em locais onde nunca estivera.

Bragg, que trabalha no The New York Times desde 1994, ganhou um prêmio Pulitzer por melhor reportagem em 1996.”

“?NY Times? nomeia comissão de sindicância”, copyright Folha de S. Paulo, 24/05/03

“O jornal ?The New York Times? indicou uma comissão para propor mudanças em procedimentos internos do diário após o escândalo ocorrido com seu ex-repórter Jayson Blair.

A comissão terá ao menos quatro nomes de fora do jornal, incluindo o presidente da Associated Press, Louis Boccardi, e uma ex-ombudsman do diário ?The Washington Post?, Joann Byrd.

?Queremos ser forçados a saber se estamos sendo muito dóceis conosco, e queremos orientação de fontes externas que sejam úteis?, escreveu em memorando à redação o chefe da comissão, Allan M. Siegal -um dos editores responsáveis por elaborar a primeira página do jornal.

A idéia é que a comissão, que conta com mais de 20 jornalistas da redação do ?NYT?, elabore seu relatório até o início de julho.

Uma das pautas do grupo de trabalho é discutir se o jornal deve instituir o cargo de ombudsman -e para isso pretendem ouvir experiências de outros veículos que contam com o cargo.

A comissão vai tratar ainda de assuntos como política de contratação do jornal e controle de erros em reportagens publicadas.

Procedimento

O ?NYT? foi obrigado a corrigir com uma ?nota dos editores? um novo erro de procedimento de um jornalista seu. O repórter, Rick Bragg, publicou, em 15 de junho de 2002, um texto no qual o crédito indicava ter sido escrito na cidade de Apalachicola (Flórida).

Um leitor contestou o fato de Bragg ter ido até lá. ?O Times reviu o artigo. Descobriu que, ainda que o senhor Bragg de fato tenha visitado brevemente Apalachicola e escrito o artigo, as entrevistas e a reportagem no local foram feitas por um jornalista free-lancer, J. Wes Yoder?, escreveu o ?NYT? na seção de correções.

Procurado, o jornal recusou-se a dizer que atitude tomou em relação a seu repórter.”

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“Ex-repórter do NYT já planeja livro sobre fraude”, copyright Folha de S. Paulo, 26/05/03

“Jayson Blair, o ex-repórter que falsificou informações em 36 de suas 73 reportagens para o jornal ?The New York Times?, estaria preparando um livro com acusações de racismo e ?revelações sobre a Redação do NYT?. A informação foi divulgada pelo ?The Washington Post?, que disse ter tido acesso, por meio de terceiros, ao projeto escrito por Blair.

A obra deve ser intitulada ?Burning Down My Master?s House? -algo como ?detonando a casa do meu chefe?. Segundo agentes editoriais consultados pelo ?Post?, Blair -cujas fraudes resultaram em sua demissão e em uma sindicância no maior jornal americano- pode receber um adiantamento de até seis dígitos.

Além das ?revelações? e acusações, afirmou o ?Post?, Blair deve abordar seu consumo de drogas e traçar paralelos entre sua vida e a do adolescente Lee Boyd Malvo, um dos dois acusados pelos crimes do atirador que matou dez pessoas na região de Washington em 2002. ?No momento em que comecei a ver paralelos entre minha vida e a dele, as coisas saíram de controle?, teria escrito Blair.

Outro tópico seria ?como as frustrações de um negro podem explodir, transformando-se em uma fúria imensa que se manifesta de maneiras estranhas?. Acusações de racismo sem provas seriam o tema central do livro.

Blair, 27, admitiria ter ?distorcido a verdade? e ?envergonhado o NYT?, tendo pensado em suicídio. No entanto ele teria dito que só pediu demissão, em 1? de maio, porque não via sentido em manter ?um trabalho pelo qual um negro mal pode se interessar?.”

“Ex-repórter do ?New York Times? prepara livro sobre jornal”, copyright Folha Online / France Presse, 24/05/03

“Jayson Blair, 27, ex-repórter do jornal ?The New York Times? acusado de ter falsificado dezenas de artigos, prepara um livro no qual acusará o jornal de racismo e ?revelará? segredos da Redação, segundo a edição de hoje do jornal nova-iorquino ?Newsday?.

No livro, o jornalista explicará sua queda e o fato de ser viciado em drogas, com detalhes escabrosos como ?as festas de cocaína no quinto andar da redação? ou a história do ?editor surpreendido na cama com uma estagiária?, segundo a mesma fonte.

O ?Newsday? afirma ter obtido uma cópia de oito páginas da história de Blair, na qual ele chama o ?New York Times? de ?meu torturador, minha outra droga, meu amo? e admite que ?realmente cometeu um erro? ao encher seus artigos de plágios e mentiras.

Blair foi alvo de uma notícia de capa do ?New York Times?, mais quatro páginas internas, no qual o jornal citava todas as mentiras e erros de seus artigos.

A notícia do livro de Blair foi revelada depois da divulgação de que o jornal suspendeu por duas semanas um de seus principais repórteres, o vencedor do prêmio Pulitzer Rick Bragg, segundo a Columbia Journalism Review, respeitada publicação sobre os meios de comunicação.

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“?The New York Times? suspende outro repórter por plágio”, copyright Folha Online / France Presse, 25/05/03

“O jornal americano ?The New York Times?, ainda sob críticas por plágio e falsificação realizadas por um ex-jornalista, suspendeu um segundo repórter durante uma investigação sobre suas reportagens, disse hoje a publicação Columbia Journalism Review.

No início do mês, o ?New York Times? publicou em quatro páginas uma explicação pelas ações do jornalista Jayson Blair, que pediu demissão depois da revelação de que havia plagiado e inventado informações em seus artigos.

Ontem, na seção ?Correções?, o ?New York Times? incluiu um texto no qual informava que um artigo do jornalista Rick Bragg, publicado em 15 de junho, não deixava claro que possuía material do jornalista free-lance J. Wes Yorder.

A Columbia Journalism Review (CJR), respeitada publicação sobre os meios de comunicação, afirma que Bragg foi suspenso por duas semanas.

O artigo em questão tratava dos problemas enfrentados pelos pescadores de ostras na costa do golfo da Flórida e se centrava no povoado de Apalachicola.

O ?New York Times?, em sua correção, afirma que apesar de Bragg ter ?efetivamente visitado Apalachicola por um curto período de tempo e escrito o artigo, as entrevistas e a descrição do cenário foram feitos pelo jornalista free-lance?.”

“Cobertura do Iraque causa discussão no NYT”, copyright O Estado de S. Paulo / The Washington Post, 27/05/03

“Uma divergência entre dois repórteres do jornal The New York Times levanta algumas questões intrigantes sobre a cobertura feita pelo diário da busca de armas perigosas supostamente escondidas por Saddam Hussein.

Num e-mail interno, Judith Miller, a principal repórter de bioterrorismo do jornal, admite que sua principal fonte para os artigos sobre o assunto foi Ahmad Chalabi, controverso líder exilado que é próximo a altos funcionários do Pentágono. Chalabi poderia estar usando o Times para reforçar a idéia de que o Iraque escondia armas de destruição em massa?

A ?conexão Chalabi? veio à tona quando John Burns, o chefe da sucursal de Bagdá premiado com o Pulitzer, censurou Miller por ter publicado sua matéria de 1.? de maio sobre o Iraque sem checá-la com ele.

?Estou profundamente decepcionado com sua reportagem e seu uso de arquivos sobre Chalabi, depois de eu tê-la avisado na segunda-feira à noite que planejávamos uma matéria especial sobre ele – e sem se importar em me contar o que você estava fazendo?, escreveu Burns naquele dia, segundo a correspondência por e-mail obtida pelo Post.

?Temos uma sucursal aqui; sou o encarregado desta sucursal até que eu saia; distribuo tarefas depois de muita avaliação e discussão, e estava claro para todos nós a quem a matéria de Chalabi pertencia. Se você faz isso, o que a impedirá de fazê-lo com qualquer outra matéria de sua escolha? E quanto à aflição que isso causa ao correspondente que é usurpado? Não é profissionalismo, nem companheirismo.?

Miller respondeu a Burns: ?Venho cobrindo Chalabi há cerca de dez anos e escrevi a maioria das reportagens sobre ele para nosso jornal, incluindo o longo suplemento que fizemos recentemente. Ele forneceu a maioria das exclusivas de primeira página sobre ADM (armas de destruição em massa) a nosso jornal.? Ela pediu desculpas por qualquer confusão, mas observou que a unidade do Exército com a qual viajava – Equipe de Exploração Móvel Alpha – ?está usando a rede de inteligência e documentação de Chalabi para o próprio trabalho sobre as ADMs. (…) Como estou lá todos os dias, conversando com ele (…) pensei que poderia ser incluída numa decisão sua? de escolher outro repórter para escrever sobre Chalabi.

Entrevistada por telefone, Miller afirmou: ?Não vou comentar nenhuma comunicação interna do Times.? Andrew Rosenthal, editor-assistente do noticiário internacional, disse que é ?um mau hábito? publicar e-mails particulares de repórteres e ?revelar quaisquer fontes confidenciais que eles possam ou não ter?.

?É claro que conversamos com Chalabi?, disse ele. ?Se você estivesse no Iraque e não falasse com Chalabi, eu me perguntaria se você estava fazendo seu trabalho.? Segundo Seymour Hersh, da revista The New Yorker, o Congresso Nacional Iraquiano, de Chalabi, foi uma fonte crucial de informações sobre armas para a unidade de inteligência do Pentágono – informações às vezes questionadas pela CIA. Chalabi pode ter fornecido ao Times e a outros órgãos noticiosos as mesmas informações duvidosas.

Miller atraiu críticas, especialmente de Jack Shafer, da revista Slate, com suas reportagens sobre a busca das armas do Iraque quando viajava com a unidade do Exército americano.

Numa história de primeira página publicada em 21 de abril, ela informou que um importante cientista iraquiano alegara que o Iraque havia destruído armas químicas e biológicas dias antes do início da guerra, segundo a Equipe Alpha. Ela disse que o cientista havia ?apontado para vários locais na areia onde, segundo ele, componentes químicos e outros materiais de armas haviam sido enterrados?.

Por trás dessa história estava um arranjo interessante. Pelos termos de seu credenciamento, escreveu Miller, ?esta repórter não teve permissão de entrevistar o cientista ou visitar sua casa. Nem pôde escrever sobre a descoberta do cientista por três dias, e a cópia foi então submetida a checagem por militares. Estes funcionários pediram que os detalhes sobre quais produtos químicos haviam sido descobertos fossem excluídos?.

Desde então, não surgiu nenhuma evidência para apoiar essas alegações.

E a Equipe Alpha se prepara para deixar o Iraque sem ter encontrado armas de destruição em massa.

Rosenthal diz que todos os repórteres integrados aos militares concordaram com as mesmas restrições. ?Não achamos que isso representasse censura?, afirmou ele. ?Pensamos que a dificuldade extra das regras justificava-se pelo acesso que tivemos a operações que teriam sido secretas.? Rosenthal acrescentou que, embora Miller não tivesse podido entrevistar o cientista anônimo, ?ela nunca disse que nunca o tinha encontrado?.

Militares ?argumentaram que a vida do cientista correria perigo? se ele fosse identificado.

Independentemente de as conclusões iniciais da unidade levarem ou não a alguma decisão, diz Rosenthal, ele está ?extremamente confortável? quanto à reportagem de Miller, porque ?toda a informação foi atribuída à Equipe Alpha, e não a ‘altos funcionários dos EUA’ ou outra expressão vaga?.”

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