Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > CASA DOS ARTISTAS

Luiz Carlos Merten

Por lgarcia em 05/12/2001 na edição 150

CASA DOS ARTISTAS

"’O Sobrevivente’ expõe o mundo-cão da TV", copyright O Estado de S. Paulo, 30/11/01

"Daniel Minahan explora o universo de programas como ‘No Limite’ e ‘Casa dos Artistas’

Logo no começo, um letreiro informa que as cenas que o público vai ver são chocantes e podem bater nos nervos de espectadores sensíveis. Irrompe uma mulher grávida e armada que mata a sangue-frio, com diversos tiros, um homem num supermercado. É uma das participantes de The Contenders, o programa de mais sucesso na TV norte-americana. Com o título de O Sobrevivente, o filme de Daniel Minahan estréia hoje no Brasil no rastro da polêmica animada por programas como No Limite e Casa dos Artistas.

Você só não sabe do que se trata se tiver vivido fora do Brasil nos últimos tempos. Casa dos Artistas virou um fenômeno de comunicação no SBT, ameaçando a poderosa Globo, que exibe o No Limite, com o qual, a rigor, O Sobrevivente talvez tenha mais a ver. Mas, claro, como se trata de um filme norte-americano e a cultura daquele país é baseada nas armas de fogo, os contenders têm direito a portar revólveres, rifles e a matar, claro.

James Bond também tem o duplo zero que lhe dá direito de matar, mas a idéia de O Sobrevivente é mostrar pessoas comuns numa situação-limite. Um velho solitário, uma adolescente, uma enfermeira religiosa, um homem com câncer nos testículos, um pai de família meio pirado e a grávida que inicia a matança, logo no começo. Em forma de noticiário de TV, a estrutura narrativa de O Sobrevivente joga com o tempo e o espaço para mostrar o que se passa na cabeça das pessoas submetidas a essa pressão. Um pouco mais difícil talvez seja elucidar o por quê dessas irracionais explosões de violência.

É fácil descartar O Sobrevivente como exploração sensacionalista de um fenômeno contemporâneo, mas o filme é certamente mais interessante e complexo do que outro sobrevivente que Arnold Schwarzenegger protagonizou num filme, também explorando o universo da TV, dirigido por Paul Michael Glaser. É fácil, também, descartar Casa dos Artistas e No Limite como ofensivos, o que são, realmente. Mas tanto os programas de TV como agora o filme ensejam a que se discuta um pouco essa ideologia do voyeurismo e do culto da celebridade que ganham cada vez mais adeptos na mídia. Nesse sentido, O Sobrevivente é útil, sem ser, necessariamente, bom."

"Uma novela que atores e público vão encenando", copyright Jornal da Tarde, 29/11/01

"É esperta a percepção que algumas pessoas do grande público têm da atração Casa dos Artistas. Um dos entrevistados no último domingo classificou-a como ‘novela sem enredo’. Deu a entender que esta era a razão da sua aprovação.

A rigor, enredos não faltam no programa. Com mais exatidão, o espectador poderia ter dito: sem enredo prévio, sem roteiro escrito. Conseqüentemente, sem a construção artificial das novelas tradicionais, sem o sistema de ganchos, sem a fórmula envelhecida, sem o desenrolar previsível, sem o diálogo viciado, sem o fundo musical indiciando as emoções que o público deve sentir, sem as reviravoltas para reconquistar audiências minguantes, sem aquele compromisso para seis meses, sem a canastronice de 80% dos atores.

Em vez disso, temos o quê? Quem é ruim, é de um ruim natural. Não tem de fazer um papel acima da sua capacidade. Ao contrário, é a sua capacidade que determina aquele papel. Não quer dizer que eles não interpretem um personagem, mas é um personagem que eles mesmos criaram e manipulam, personagens que têm neles mesmos a sua substância, na história deles a sua lógica. O que vemos é um espetáculo teatral improvisado (porque sem roteiro), do qual os atores não se libertam após a apresentação. Como se Fausto Silva fosse aprisionado no papel de Faustão, não pudesse deixar de ser Faustão quando fecha o programa e vai jantar com os amigos. Ou, para ficar numa área mais óbvia da representação, como se Tarcísio Meira devesse continuar como Dom Jerônimo 24 horas por dia. Os ‘atores’ da Casa não se libertam da câmera e são prisioneiros de si mesmos.

Que mais temos? A participação do público é direta, sem subterfúgios, sem intermediários. Na novela tradicional, o Ibope é o intermediário, derruba e levanta personagens. Mas o Ibope é um fantasma, não é uma pessoa, não expõe motivos, não podemos concordar com ele ou discordar dele. Na ‘novela sem enredo’, o público aparece, mostra a cara, telefona, opina, vota, tira de cena. A ética, a delicadeza e a sinceridade são valores invocados pelas pessoas. No Ibope, valores não contam. Um espectador exigiu coerência: se o Frota passou a semana pedindo para votarem nele, excluindo-o, deveria ter votado em si mesmo. Não votou, foi flagrado como farsante ou inseguro da estima alheia. Boa parte do público tem discernimento.

Silvio Santos, sacando as vantagens dessa tevê interativa de fato (porque o público de casa influi diretamente no produto), já quer que o telespectador o auxilie na escolha do elenco da próxima ‘novela sem enredo’.

É ele quem mais se diverte com a bagunça que está promovendo na programação da noite de domingo.

Mas Casa dos Artistas é um programa passageiro, termina em meados de dezembro. Como ficarão as coisas depois disso?

Pernas

No concurso ‘de pernas’ que se realiza no Domingão do Faustão, o interesse verdadeiro das câmeras localiza-se justamente onde elas terminam, na parte traseira. O gosto dos julgadores com relação às moças é um sinal dos tempos:

são escolhidas as pernas menos femininas, musculosas, pernas/bundas criadas em academia, que não têm a menor diferença das pernas depiladas dos homens, no mesmo concurso. O que lança uma certa dúvida sobre as preferências dos julgadores…

Tom

O SBT disputa com a Globo o humorista Tom Cavalcante. Ele é a cara do SBT.

Vera

Bonita foto de Vera Fischer, de 1998, jogando tênis, publicada na página do JT que homenageou os 50 anos dela. Estava bem melhor antes do peitão de silicone que lhe deu um ar pesado e senhoril."

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