Sexta-feira, 18 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

PRIMEIRAS EDIçõES > SHOW DO MILHÃO ELEITORAL

Luiz Garcia

Por lgarcia em 05/12/2001 na edição 150

CLONAGEM NA MÍDIA

"O clone, próximos capítulos", copyright O Globo, 29/11/01

"Não se pode dizer que a repercussão do anúncio da produção de embriões humanos por clonagem tenha sido muito barulho por nada.

Mas certamente foi muito barulho por pouca coisa. Menos mal: assim se antecipa um debate importante, que pelo visto era inevitável, e sem a pressão de fatos consumados. De fato, todos os embriões criados pela Advanced Cell Technology morreram ? para usar o verbo recomendado pela Igreja Católica ? em poucos dias. E a técnica usada não é nova: consiste em retirar o material genético de um ovo não fertilizado, substituindo-o pelo DNA de uma célula adulta. Teoricamente, o ovo usa os genes da célula adulta para se desenvolver, produzindo um embrião que será uma cópia genética perfeita do doador da célula adulta.

A experiência da ACT não atingiu a etapa seguinte, que seria a produção pelo embrião de células-tronco ? matéria-prima de tecidos e órgãos a serem usados no tratamento do doador do DNA. Há dois problemas com isso. O primeiro é o já citado estágio primitivo da busca de uma clonagem bem sucedida. O segundo é a possibilidade de a mesma tecnologia ser usada para reprodução.

O episódio serviu para mostrar que pelo menos no Ocidente há uma quase unanimidade oficial contra isso. O presidente George W. Bush reagiu com indignação e a promessa de restrições legais à pesquisa; responderam da mesma maneira o Vaticano e uma penca de governos (inclusive o brasileiro). Bush certamente gostaria de ter conseguido a mesma unanimidade, com igual rapidez, depois dos atentados de setembro.

Entende-se (e o Brasil, por exemplo, já tem lei a respeito) a condenação da clonagem para reprodução. Ela representa o desenvolvimento extremamente custoso e complexo de uma forma de produção de seres humanos sem vantagem alguma sobre o método tradicional. Cientistas que se dedicam ostensivamente a essa linha de pesquisa alegam que assim se resolveria o problema dos casais estéreis. É fraco motivo, e certamente não compensa os riscos associados ? pelo que se sabe até agora ? à gravidez por clonagem. Além disso, a Humanidade produz incessantemente considerável número de órfãos necessitando de adoção.

Parece mais natural e inteligente desprezar a idéia de que paternidade e maternidade só têm valor quando associadas a tolices do tipo ?sangue do meu sangue?. Pais e mães com um mínimo de sensibilidade sabem que o prazer e a honra de ajudar uma criança a virar gente, e as chances de êxito nessa maravilhosa empreitada, são fruto da convivência e da capacidade de amar, muito mais do que da concepção ou de laços genéticos.

É difícil, por outro lado, encontrar argumentos contra os objetivos da clonagem terapêutica, destinada a salvar vidas, exceto talvez pelo fato de que a pesquisa nesse caminho pode conduzir à clonagem para reprodução. Os países podem fazer ? e estão fazendo ? leis contra a produção de bebês clonados. Têm pela frente o desafio de criar essa barreira sem atrapalhar a busca da, diga-se assim, clonagem boa. Não pode ser impossível.

A alternativa de jogar no seguro e fechar as portas a toda pesquisa é imprudente, para não dizer tola: significaria jogar na ilegalidade uma busca de conhecimento útil para a Humanidade. Nunca deu certo: a procura do saber, quando legítima na raiz, já foi muitas vezes retardada pelo Estado ou pela Igreja, mas nunca eliminada eficazmente. Imagine-se o que esperar quando se soma a busca do conhecimento à perspectiva de lucros milionários, como acontece desta vez.

O escasso avanço representado pelas experiências da ACT dá tempo para que se instaure o predomínio da sensatez. Pelo menos na atitude e nos procedimentos oficiais. A questão religiosa parece mais complexa. É complicado para leigos entender a alegação de existência de vida humana e de alma num minúsculo embrião que se vai sacrificar para salvar um ser igualmente humano.

Os precedentes do aborto e do controle da natalidade sugerem que, quando não é claro e evidente o benefício do édito religioso, o interesse pessoal prevalece com diabólica freqüência, com perdão pela má palavra."

REDE TV! vs. SBT

"Rede TV! acusa o SBT de censura e despotismo", copyright O Globo, 29/11/01
"
A Rede TV! divulgou ontem um comunicado em que acusa o SBT de censura e despotismo por tentar impedi-la de reproduzir imagens do programa ?Casa dos artistas?. Na segunda-feira passada, a emissora de Silvio Santos registrou uma queixa crime na polícia contra a Rede TV!, pedindo a apuração de eventual prática de pirataria de imagens.

O SBT, por sua vez, responde a uma ação impetrada pela TV Globo na Justiça por plágio, já que o ?Casa dos artistas? é inspirado no holandês ?Big brother?, cujos direitos pertencem à emissora carioca desde agosto.

Comunicado fala em processos de plágio

Na nota, a Rede TV! alega estar exercendo apenas a prática do jornalismo ao exibir no programa ?TV fama? imagens de ?Casa dos artistas?. Diz um trecho do comunicado: ?Cercear a atividade jornalística é censura e despotismo. Custa-nos crer que o SBT, que está se defendendo na Justiça de várias acusações de plágio, lance mão desse artifício, procurando limitar a pauta de um programa tão bem-sucedido como o ?TV fama?.?

Para o vice-presidente da Rede TV!, Marcelo de Carvalho, a acusação do SBT é absurda e infundada:

– Caso isso resulte em uma ação judicial, vamos nos defender. Não temos a intenção de reproduzir integralmente nem de plagiar o programa ?Casa dos artistas?.

Marcelo de Carvalho avisa que as imagens do reality show continuarão a ser exibidas jornalisticamente. Até o fechamento desta edição, a direção do SBT não havia se pronunciado sobre o assunto."

SHOW DO MILHÃO ELEITORAL

"Políticos enfrentam o ‘Show do Milhão’", copyright Jornal do Brasil, 1/12/01

"O apresentador Silvio Santos vai testar os conhecimentos de 12 governadores de Estados brasileiros em um Show do Milhão especial. O SBT não revela os nomes dos convidados para o programa, mas Anthony Garotinho (Rio) e Geraldo Alckmin (São Paulo) já teriam confirmado presença. Foram chamados ainda os governadores do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, e do Distrito Federal, Joaquim Roriz. O compromisso está na agenda de Dutra, embora sem certeza de presença; Roriz avalia.

Não vai adiantar torcer. A transmissão não acontecerá ao vivo. O programa será gravado na manhã do dia 11, e não está decidida a data de exibição. Para evitar constrangimentos, serão criadas ‘facilidades’ – ainda não se sabe quais – para os participantes. No lugar dos universitários, três jornalistas devem atuar como tira-dúvidas. Recentemente, foi ao ar um Show do Milhão com personalidades da televisão e atletas. O combinado era doar metade do que ganhassem e ficar com o restante. Pode ficar feio para os políticos não doar tudo."

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