Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > JORNAL DO BRASIL

Luiz Orlando Carneiro

Por lgarcia em 01/08/2001 na edição 132

JORNAL DO BRASIL

"Fitas
que incriminam

Um veículo de comunicação
social pode ou deve publicar provas de supostos crimes, obtidas
por meios ilícitos, como foi o caso das fitas que incriminariam
o atual governador do Rio de Janeiro, quando ainda era apresentador
de programas de rádio e televisão? A polêmica
questão, que envolve reportagem publicada pelo JB, abre esta
seção.

Recebam a minha mais pura indignação por ver este jornal, que já foi símbolo de seriedade e de amor à verdade, invocar, como ?dever? e?direito? de informar, o uso de ação criminosa para a obtenção de suas informações. Essa falta de responsabilidade, falta de ética e falta de respeito para com seus leitores é um absurdo. É uma traição a todo o esforço que se faz para a melhoria dos padrões da cidadania e do trato da coisa pública. Aqui não está em foco o objeto das notícias que o JB veiculou. Estou focalizando a ação espúria de compactuar com o crime e dele tirar proveito para praticar ?jornalismo?. Parafraseando o jornal, está cada vez mais freqüente tal abuso. Algumas revistas não têm escrúpulo em fazê-lo, com a co-participação de ?autoridades?. Alguns jornais, para não falar em noticiários de TV, também praticam esse ilícito. E não é a primeira vez que o JB o faz. Mas, além de fazer, vir defender a ação ilegal e aética, repito, como se fora ?dever? e ?direito?, passa da conta. Só o amor à verdade e o comportamento correto garantem um jornalismo livre e digno de ser chamado jornalismo, um serviço em benefício da sociedade. Rio de Janeiro.

O leitor se refere à publicação, na edição do dia 13, de trechos do conteúdo de 10 fitas gravadas ilicitamente, com conversas mantidas por Anthony Garotinho, antes de eleito governador do Rio de Janeiro, a respeito de suposto suborno de um auditor da Receita Federal. Embora respeitando a opinião do leitor e de juristas como Sérgio Mazzillo (artigo ?Imprensa responsável?, JB, ed. 19/7), este jornal acha que a divulgação de provas tidas como ilícitas, em virtude da doutrina jurídica do ?fruto da árvore venenosa?, é legítima. Diz o parágrafo 1? do artigo 220 da Constituição que ?nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística?. O inciso XII do artigo 5? da Carta considera ?inviolável?, entre outros sigilos, o das comunicações telefônicas, ?salvo por ordem judicial (…) para fins de investigação criminal ou instrução processual penal?. O JB não violou tal sigilo, porque não interceptou nenhuma ligação telefônica. Apoiado no princípio básico do artigo 220, resolveu publicar trechos das fitas – como explicou em Nota da Redação naquela mesma edição: ?Apesar da origem criminosa, as fitas adquiriram relevância política extraordinária. O governador do Rio de Janeiro, declaradamente candidato à presidência da República, um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado e um funcionário da Receita tiveram seus nomes envolvidos numa das mais graves suspeitas que se pode levantar contra homens públicos. Não se está diante de aspectos da vida privada (…) A atitude do JB não é contra ou a favor do governador Anthony Garotinho nem significa desrespeito à Justiça. Contra a figura do governador o que existe é a nuvem de desconfiança gerada pela sua iniciativa de impedir a divulgação dos diálogos.?

Nem Ivana Bentes nem Mariza Leão. Ivana tem o mérito de ser a primeira jornalista de um grande veículo de comunicação a questionar a qualidade da tão festejada nova safra do cinema nacional. Mas o faz acreditando em que o maior defeito da atual geração seja a distância estética entre o que se faz hoje e o promulgado por Glauber Rocha. Mariza defende a ?geração Carlota? afirmando que esta redescobriu o espectador brasileiro. E cita uma seleção de cineastas – Barretos, Cacá, Nelson Pereira etc. Cabe lembrar que o chamado Cinema Novo foi quem espantou o grande público das salas de exibição. Todos reconhecem a importância do Cinema Novo, mas a verdade, crua e nua, é essa. Quando Mariza justifica o atual momento do cinema nacional, um dos mais pobres em termos de criatividade artística, com aceitação do público, e citando ícones de um movimento que fez o contrário disso, desconcerta toda a história recente do nosso cinema. Ivana defende as idéias de Glauber, como forma de trazer mais qualidade às produções, mais verdade, opondo-se à safra atual que, segundo Mariza, é totalmente influenciada pelo Cinema Novo. Loucura! Em primeiro lugar, Cacá, Barretos etc já não são cinemanovistas há tempos. A produção dessas duas ?marcas? é, atualmente, tão medíocre, tão conservadora, tão sem nada, vazia, que assusta. ?Tieta?, ?Orfeu?, ?O quatrilho? estão mais para as chanchadas dos anos 40 e 50 do que para a revolução estabelecida a partir de Rio 40 Graus. A saída do cinema nacional seria romper com esses modelos e inventar uma nova ordem, assim como aconteceu quando a geração Cinema Novo surgiu. O problema da safra atual é a falta de dramaturgia nos roteiros e o pouco apego dos cineastas modernos à palavra, à literatura, enfim, à dramaturgia. O filme ?Eu, Tu, Eles? é um exemplo disso. A história só começa a partir dos 15 minutos de projeção e o roteiro ameniza todos os conflitos da ação. É uma boa história que acaba não acontecendo e fica presa a pequenas situações de humor e drama, mais nada. O mesmo acontece em ?Central do Brasil?. Em ?O que é isso companheiro??, baseado em fatos da nossa história recente, os acontecimentos são descontextualizados, com graves erros de informação e dados. Sem falar em que dramaturgicamente tira a eficiência da trama. A questão não é opor o cinema conceitual e autoral ao comercial. Mas sim estabelecer o retorno da dramaturgia à tela grande, de histórias bem contadas. Há necessidade urgente de textos bem trabalhados, bem escritos, diálogos bem construídos, ou seja, roteiros bem arquitetados e cineastas sensíveis ao poder da palavra para a construção das imagens. Rio de Janeiro.

Em relação ao editorial ?Razões Terrenas?, de 10/7, gostaria de esclarecer e reafirmar alguns pontos. Concordo plenamente com a opinião do jornal de que ?o transtorno da mudança de nome de uma via pública é incalculável?, acarretando sérias e profundas mudanças nos aspectos socioeconômicos e culturais de uma região e sua população. Entretanto, a importância de uma personalidade ilustre como a do senador Nélson Carneiro não pode ser esquecida – daí o meu empenho em homenageá-lo, ressuscitando o projeto do qual fui autora em 96. De lá para cá, ele ficou engavetado na Câmara justamente para a reavaliação do seu impacto na região. Agora, em 2001, elaborei uma emenda dando ao projeto novo perfil e destino: pretendo homenagear o senador propondo a adoção de seu nome por uma instituição de ensino público, de saúde ou mesmo uma edificação de visibilidade na cidade do Rio de Janeiro. A localização não precisaria estar restrita à Avenida das Américas. Não pretendo, jamais, deixar de levar em conta a opinião da população. Sou completamente favorável à ampla discussão das questões que envolvem a nossa cidade. Mas também acredito que devemos sempre nos lembrar e reverenciar as personalidades fundamentais à nossa história. vereadora – Rio de Janeiro.

Gostaria de ser informado sobre a finalidade (valorização do texto, falta de expressão equivalente em português?) do uso de self-made man no excelente editorial Tapete Vermelho, sobre a morte do comandante Rolim Adolfo Amaro, na edição de 15/7. Juiz de Fora (MG).

A expressão ?self-made man? (pessoa que se faz por si mesma, que alcançou uma situação social superior graças ao próprio esforço) encontra-se registrada no Novo Dicionário da Língua Portuguesa (Aurélio), com o sinal que antecede palavras ou expressões estrangeiras mais ou menos usuais."

 

    
    
            

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