Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > JORNAL DO BRASIL

Luiz Orlando Carneiro

Por lgarcia em 22/08/2001 na edição 135

JORNAL DO BRASIL

"Deu no JB", copyright Jornal do Brasil, 11/8/01

"Privatização e Contestação

O êxito do programa brasileiro de privatização, sobretudo na área da telefonia, realçado e recente editorial do JB, é contestado pelo leitor que abre esta seção, com a resposta que nos pareceu adequada. Críticas a um outro editorial sobre o abandono da Rodovia Transamazônica e ao artigo "Paraíso fiscal", de João Sayad, foram também selecionados.

Telefonia

Que vergonha o editorial "Preço de Mariola", de 2/8, sobre a privatização da telefonia no Brasil. Usar o exemplo do baixo custo da tarifa para falar com os Estados Unidos como justificativa para ?prova inconteste do êxito espetacular da privatização? é querer passar atestado de idiota a nós brasileiros. Principalmente para os 150 milhões que não têm motivo algum para ligar para os ianques. Diga-nos o editorialista: quantos brasileiros têm esse benefício e os que não os têm? Nós pagamos aqui, mesmo ligando para uma cidade a 20 km de distância, o subsídio para que os gringos que ganharam a telefonia de presente possam falar com sua matriz e fazer remessa de lucro. Se isso é a prova do sucesso da privatização, vem confirmar que os benefícios da entrega do patrimônio nacional não eram uma retórica da esquerda brasileira?. Astrogildo Milagres, Santo Antonio de Pádua (RJ).

JB ? Opinião não se discute. O melhor a fazer é olhar os números, que são frios, não mentem e não se envolvem em polêmicas ideológicas. Desde a privatização das telecomunicações, em 1998, telefone no Brasil deixou de ser sonho de consumo, popularizou-se. Em apenas três anos, o total de telefones fixos subiu de 22,1 milhões para 43, milhões de unidades. O total de celulares pulou de 7,4 milhões para 25,7 milhões. E os terminais públicos (orelhões) dobraram de 589 mil para 1,2 milhão.

Amazônia

Tomei um grande susto ao ler o editorial "Obras Faraônicas", de 1? /8. O que me assustou não foi o fato de a imprensa arvorar-se em historiadora/juíza e tentar analisar um passado que, tecnicamente, ainda não faz parte da história. O que me chocou foi encontrar incongruências em tão poucas linhas. A afirmação ?… a Rodovia Tranzamazônica ? incompleta ? continua ser a caricatura das obras mirabolantes do regime militar (…) como constatou a reportagem do Jornal do Brasil na edição de ontem?, ( 31/7). E mais à frente: ?… Empresários e colonos ainda acreditam numa reviravolta, convictos de que a região pode abastecer o Brasil e o Mercosul de feijão, arroz, açúcar, pimenta-do-reino, cacau, frutas, verduras, legumes, carne. A região é rica em minérios e madeiras. Bastaria criar infra-estrutura e asfaltar a estrada para que tudo aquilo se transforma num imenso celeiro?. Afinal, qual é a idéia do editorialista? A estrada não serve para nada ou basta criar infra-estrutura, asfaltando-a, para transformar o Brasil? É dito ainda que a BR-230 foi ?planejada para cruzar o Estado do Amazonas de leste a oeste e conectá-lo à Região Nordeste (sic)?. Só se for por meio de uma ponte sobre o Estado do Pará, já que este separa aquele da Região Nordeste. Finalmente, mas não menos inconsistente, conclui dizendo que ?a concepção das obras faraônicas como meta de governo esgotou sua possibilidades há muito tempo. A Transamazônica esta aí, empoeirada, incompleta, para servir de exemplo. (sic)?. Exemplo de quê e para quem? Será que para os empresários citados na edição de 30 de julho passado do Jornal do Comércio, os quais têm demonstrado um grande interesse na ligação ferroviária com a costa do Pacífico, mais especificamente, a Bolívia e o Peru, o que facilitaria sobremaneira o acesso de produtos de exportação nacionais aos mercados asiáticos? São 3.822 km, entre Puerto Bayóvar, no Norte do Peru, e Rondonópolis (MT), e daí a Santos (SP), aproveitando os trechos já existentes ou em construção da Ferronorte e da Ferroban e com ramais rodoviários e hidroviários alternativos. Tudo isso interligado por terminais de integração hidro-rodo-ferroviários e articulando-se com o Atlântico através do Rio Amazonas e com o Pacífico. Parece que o exemplo não serve para eles, já que acreditam na importância da integração nacional e do Brasil com os países do sub-continente; importância para a circulação de mercadorias e conseqüente geração de riqueza. Haja vista o exemplo dos sistemas astadunidense (hidrovias e ligações oceânicas) e russo (planejado para vir a ser a principal via de ligação da Ásia com a Europa, passando pala China)?. Paulo Faber, Rio de Janeiro.

Pirataria

Li a reportagem de capa do Caderno B de 18/7, "Obrigado, pirataria". Título e matéria constituem-se em uma verdadeira apologia do crime (que é o que a pirataria é). Se o fato de se reproduzir ilegalmente CDs e outros tipos de materiais eletrônicos possibilitou a determinados cantores um sucesso que as gravadoras não vêm lhe proporcionando, isso em nada justifica que se cometa um crime para se obter determinada vantagem. Pirataria é crime no Brasil, e é fundamental que se lembre que tudo o que pode ser obtido através do crime o pode ser ? sempre ? alcançado de forma muito maior e melhor por meios dignos e honestos?. Carlos da Silva, Rio de Janeiro.

JB Luiz Fernando Vianna, editor do Caderno B, responde: ?O título apenas reproduziu o que estava expresso nas declarações do cantor Orlandivo, um artista de talento que, se fosse depender das empresas fotográficas ?ilegais? estaria para sempre esquecido.

Impostos

Inaceitável o artigo do Sr. João Sayad no JB de 8/8, sob o título "Paraíso fiscal", principalmente quando sugere mais aumento de impostos com arrogante ironia para com o contribuinte. Em 1984, conversando, na Suíça, com uma cidadã (que vivera no Rio de Janeiro por mais de três anos). Quando lhe falei que a dívida externa do Brasil era de US$ 80 bilhões, ela, após duvidar de eu estivesse dizendo a verdade, fulminou: ?Então vocês têm péssimos políticos?. Há muitos anos Delfim Netto dizia que o cidadão não suportaria mais carga tributária, o que foi repetido recentemente pelo lúcido secretário Everardo Maciel. Só o senhor João Sayad que, aliás, vive com ?amargura? do poder há muitos anos, defende essa idéia. Por que será?? Itagyba Martins Miranda Chaves, Juiz de Fora (MG).

Artistas

É lindo ver os artistas de circo (O circo exige respeito, JB de 8/8), principalmente os palhaços, diga-se de passagem, tomarem a ?frente? do Congresso (literalmente). Não houve, portanto, novidade alguma, embora os artistas nos proporcionem belíssimos espetáculos. Tenho a impressão de que os artistas (aqueles que se apresentaram vestidos a caráter), só ?tomaram posse? do que já lhes era de direito há tempo. Enfim, se sentiram ?em casa?."

    
    
                     

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