Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > JORNAL DO BRASIL

Luiz Orlando Carneiro

Por lgarcia em 29/08/2001 na edição 136

JORNAL DO BRASIL

"Deu no JB", copyright Jornal do Brasil, 18/8/01

"Mentira e impunidade

O artigo ?A ética corporativista do Senado?, do professor Renato Janine, mereceu atenção especial por parte dos leitores. Selecionamos duas apreciações bem diferentes, que abrem esta seção. No seu artigo, Janine acentuou que o Senado tem entendido a ética de maneira bem particular e ?contestável?: ?Ao contrário das outras casas parlamentares, para ele a falha ética não é roubar dinheiro público ou matar: é mentir aos senadores.?

Decoro

?O professor Renato Janine, em seu artigo ?A ética corporativista do Senado?, de 13/8, escorrega feio ao interpretar o decoro parlamentar como ética corporativista. Os dois deputados federais citados no artigo foram cassados também por mentirem em seus depoimentos. O especialista em motosserra também desrespeitou seus colegas durante depoimento na Comissão de Constituição e Justiça. Quanto ao outro deputado, foi denunciado como mandante de assassinato cometido durante o exercício parlamentar. O que leva o Senado ou a Câmara dos Deputados a não ?julgar? crimes cometidos por parlamentares antes do início do mandato não é ?uma interpretação peculiar? mas a impunidade parlamentar. Enquanto existir a imunidade parlamentar tão ampla, alguns eleitos, que não entendem o que fazem no Congresso, continuarão dizendo que sua palavra vale mais do que a palavra de um caseiro ou de um motorista. Enquanto professores-filósofos continuarem distorcendo conceitos para construir sua crítica, alguns iluminados continuarão perguntando: ?você sabe com quem está falando?’.? Paulo Pires de Campos, Brasília.

?O artigo sobre a ética corporativista do Senado, do professor Renato Janine, que o Jornal do Brasil publicou em sua edição de segunda-feira, é uma das melhores e das mais lúcidas análises das que se fizeram sobre a ética no cotidiano das casas legislativas do país. A presença do articulista na mídia, embora esporádica, o que é lamentável, constitui-se numa inestimável colaboração que presta ao país, neste delicado momento de busca de identidade, de maneira que, como brasileiro, mais que parabenizá-lo, quero agradecer-lhe pela aula inteligente e cristalina de cidadania que acabamos de receber. Só se esqueceu de dizer que os senadores brasileiros, além de se constituírem hoje em uma casta que se considera acima do bem e do mal, se aprimoram cada vez mais na arte da hipocrisia. O julgamento do ex-senador Antonio Carlos Magalhães, e aqui falo como baiano, foi uma aula de hipocrisia que se poderia considerar risível, não nos tivesse causado tanto nojo e tantos danos. Tenho fé, contudo, em que o clamor das ruas leve o mais rápido possível a um conceito de decoro parlamentar menos hipócrita, para que a mentira, sem benefícios para o mentiroso nem prejuízo para as Instituições, não continue a ser o único motivo para a perda de mandatos, qualquer que seja sua importância.? Gilson Nascimento, Rio de Janeiro.

Edir Macedo

?Acho lamentável que a equipe do JB abra espaço (Opinião, ed. 14/8) para que o Sr. Edir Macedo tente explicar, através de uma trama repressivo-maniqueísta, a lógica de Deus no cotidiano. Uma vez que esse ponto seja defendido, que ao menos se dê a chance de que pessoas
intelectualizadas debatam o tema. O que não é possível é que nós tenhamos que nos deparar com o bispo Macedo apontando causas metafísicas para a neurose e a ignorância política _ grande mal _ da população brasileira. Que a equipe do JB possa manter um patamar racional de discussão.? Mariano Gusmão, Rio de Janeiro.

JB – A página de opinião do JB está aberta a representantes de todos os credos. E publica, sem preconceito, as idéias de todas as correntes de opinião existentes na sociedade brasileira.

Trauma

?Com grande insatisfação e indignação, minha manhã de domingo, 12/8, foi abalada com a reportagem de primeira página ?Violência dá lição de anatomia?, no JB. É surpreendente, considerando a tradição do JB, a divulgação de uma reportagem de capa como essa, uma vez que há um grande equívoco, quando nos reportamos ao conteúdo da reportagem e nos deparamos com uma visão pessoal de três cirurgiões machistas e uma cirurgiã submissa, o que, convenhamos, é uma amostra viciada e não representativa daquilo com que nos deparamos nas
diversas emergências da cidade do Rio de Janeiro. A reportagem, assinada por Eliane Azevedo, não dá uma lição de anatomia e muito menos, apesar da proposta do título, prestigia os avanços da cirurgia do trauma nos hospitais públicos do Rio de Janeiro. Vivemos um momento em que muitos hospitais públicos denunciam as más condições de trabalho, a ausência de recursos humanos, técnicos e estruturais em quantidade e com o treinamento adequado. Entretanto, as emergências públicas permanecem abertas, atendendo à população com diferentes complexidades de patologias, sejam originadas por trauma ou não, porém sempre à custa dos esforços conjuntos de equipes de pessoas que, independentemente de salários, ambiente adequado e equipamentos disponíveis, adoecem, anonimamente, na execução de suas
atividades profissionais. Os sucessos e insucessos são esperados quando atuamos com a vida humana. O elemento comum a ambos é sempre a atuação de equipes multidisciplinares de profissionais altamente qualificados nos seus diversos campos de atuação, de quem, em última análise, dependem os bons resultados obtidos. O trabalho é de equipe, a visão do cirurgião como um deus maior somente é possível onde falta autocrítica, demonstrando, no mínimo, uma imensa _ do tamanho do ego _ falta de maturidade. A matéria poderia ter explorado o senso ético e profissional do profissional da saúde que atua nas emergências públicas do RJ salvando vidas, e não destacado a atuação de três cirurgiões machistas, egocêntricos e equivocados. Também quanto à atuação da mulher médica nas emergências públicas, foi enfatizada uma visão ultrapassada e irreal da mulher no meio médico, que atinge o ápice quando, ao destacar a participação da mulher na cirurgia, informa que a mesma era namorada do ?chefe do serviço?, deixando a idéia subliminar de que essa seria sua principal, senão única qualidade. Considerando os comentários acima gostaria de propor novo tema para a reportagem: ?Machismo dá lição irreal da prática médica nas emergências públicas?.? Adriana Machado dos Santos, Rio de Janeiro.

A repórter Eliane Azevedo responde: A reportagem não se propôs a fazer uma abordagem estatística do assunto. Portanto, os cirurgiões entrevistados não são uma ?amostra.? Talvez a leitora não tenha compreendido que se tratava de um perfil (com as experiências pessoais) dos três chefes de cirurgia-geral dos hospitais de referência em emergência no Rio. O foco da reportagem foi o atendimento a traumas, não cabendo, portanto, menção a outras especialidades. O cirurgião-geral é o chefe da equipe na emergência _ daí o destaque dado a essa função. A comparação entre Deus e o cirurgião é obviamente anedótica. A questão do machismo na profissão, explicitada por
vários entrevistados, foi exposta de forma crítica, tanto que mereceu texto à parte.

Judiciário

?Foi quase perplexa que li a reportagem publicada no dia 11/8 na Página Dois do JB sobre a presidente do TRT, juíza Ana Maria Cossermelli, em especial no que diz respeito a administrar aquela casa com mãos de ferro, inclusive impedindo que os servidores exerçam seu direito de greve, e punindo aqueles que se aventuram a desobedecê-la. Ora, se os subsídios da
presidente do TRT, segundo li, ?pagam apenas os impostos?, o que pensar dos vencimentos dos demais servidores que, como eu, têm sido expurgados pela política salarial injusta do governo? Ora, se a juíza não consegue sequer sensibilizar-se com aqueles que trabalham ao seu lado… Deixemos de perfumarias e passemos a cuidar dos direitos dos servidores que estão em estado de penúria, assim como de todos os trabalhadores deste país, que trabalham para comer, vestir e, dentro do possível, ter algum lazer, e que lamentavelmente não podem ter sequer educação elementar, nem sonhar em vestir grifes como Yves Saint Laurent ou passear no Champs Elisées, conforme declarou a juíza.? Alessandra Alves, Rio de Janeiro.

JB A leitora, certamente, ficou ?perplexa?, não com a oportunidade da reportagem, mas com a falta de sensibilidade da juíza para com ?aqueles que trabalham ao seu lado.? Na reportagem de Claudia Amorim, a primeira mulher a presidir o Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro explica que deve sua ?situação confortável? à herança recebida do seu pai, o advogado Eduardo Cossermelli, acrescentando ter tido ?o bom gosto de ser filha única.?

Licitações

?Parabéns ao JB pela denúncia de irregularidades em licitações da prefeitura. Na verdade, são pelas contas que se avalia um governo. Mesmo que as realizações e as intenções sejam boas, somente uma análise detalhada dos valores alcançados pode determinar o benefício dos mesmos versus a quantidade de dinheiro empregada. É curioso, porém, que tal desacerto venha de uma administração que tenha sido reeleita, e que as discrepâncias nos valores tenham sido tão altas. Gostaria de parabenizar, portanto, o Tribunal de Contas do Município pela atitude de barrar uma possível corrupção antes que fosse tarde demais.? Paulo Roberto Candeias Rangel, Rio de Janeiro."

    
    
            

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