Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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PRIMEIRAS EDIçõES > JORNAL DO BRASIL

Luiz Orlando Carneiro

Por lgarcia em 10/10/2001 na edição 142

JORNAL DO BRASIL

"Deu no JB", copyright Jornal do Brasil, 29/9/01

Atentados, culpas e parcialidade

O artigo de Alberto Dines ?A culpa é das vítimas", publicado em seu espaço no Caderno B de sábado passado, foi objeto de várias manifestações de leitores. Para o articulista, ?o simplismo político que antecedeu? os atentados terroristas do dia 11 ?parece que não foi interrompido depois da carnificina?, permanecendo ?intacto e ileso, fumegando ressentimentos?. Os leitores dividiram-se entre os que elogiaram o artigo e os que nele viram ?ressentimento? ou ?parcialidade? por parte do autor.

Terror e Guerra

?Dois artigos, publicados respectivamente em 18 e 22 de setembro, chamaram a atenção por seriedade, equilíbrio, imparcialidade e, sobretudo, lucidez com que abordaram os recentes atentados ocorridos nos Estados Unidos. O primeiro, dia 18, do psicanalista Daniel Kupermann. Sustentando a tese, à luz da psicanálise, de que, na crença dos fanáticos islâmicos, o diferente não deve existir, seja rico ou pobre, grande ou pequeno, capitalista ou comunista. O do dia 22, do jornalista e mestre Alberto Dines, conseguiu resumir, já no próprio título do artigo, de forma irônica, a oportuníssima crítica que fez àqueles tantos outros ?analistas? que, não tendo a suficiente coragem de dizer (como gostariam) um alto e sonoro ?bem feito? diante da tragédia vivida pelos americanos, procuraram minimizar o horror daqueles atos de pura selvageria, tentando, de forma covarde e torpe, encontrar razões para explicá-los, até mesmo (quem sabe?) justificá-los?. Hugo Fernandes de Oliveira Filho, Rio de Janeiro.

?Inteligente e oportuna a crônica de Alberto Dines no JB de 22/9. Está bem que se exija do governo americano ponderação e equilíbrio coerentes com a sua condição de potência hegemônica mundial. Está bem que façamos, e esperemos que a sociedade americana faça, uma reflexão séria sobre as posturas assumidas pelo seu país em diversas conjunturas das últimas décadas, capazes de alimentar ódios e rancores que catalizem insanidades como os atentados de 11/9. Entretanto, choca constatar, na grande maioria das cartas e dos artigos que tenho visto nos jornais, uma ênfase no apedrejamento moral dos Estados Unidos, em contraste com uma tíbia – ou mesmo ausente – condenação do ato terrorista em si. Na verdade, e excluídos os que se manifestam com forte condicionamento ideológico, as classes média e alta brasileiras têm vivenciado com os Estados Unidos uma relação dúbia de amor e ódio, de admiração e despeito. Viajam para lá, mandam seus filhos à Disney World, consomem o lazer e a superficial futilidade da cultura americana, mas voltam sem observar nem aprender nada sobre os valores que estão na base da sua grandeza como nação, sobre coisas como a ética do trabalho, o respeito à lei e aos outros, a coesão e capacidade de mobilização comunitárias, o respeito ao bem comum, e a decisão e determinação no enfrentamento dos problemas que identificam, para mencionar apenas alguns aspectos. Em suma, consome-se e imita-se o trivial, quando não o lixo, e ignora-se a virtude. Seria desejável, pois, simplesmente mais solidariedade humana e menos intelectualismo nas manifestações, pois não é acuando os americanos com diatribes, em momento como este, que os faremos escutar as vozes da sensatez e ponderação que já surgem por lá. Seria desejável, também, que parássemos com a atitude infantil de elegê-los como causa dos nossos males e dos males do mundo, e nos ocupássemos a olhar para o próprio umbigo, superando as nossas mazelas culturais e defendendo nossos legítimos interesses, frente a eles ou qualquer outro país, como nação verdadeiramente adulta?. Carlos Alberto Gusmão, Niterói.

?Causou-me espanto o artigo do jornalista Alberto Dines, de 22/9. Ele coloca as coisas como se nós devêssemos simplesmente nos alinhar a favor dos Estados Unidos. Muitos, no entanto, estão tentando compreender por que o ato terrorista aconteceu. E perguntar, duvidar, questionar, examinar todos os lados da questão são atividades indispensáveis e salutares em qualquer situação. Os fatos, sem dúvida lamentáveis, parecem evidenciar que os Estados Unidos foram vítimas agora, mas já vitimaram muitos antes. E se cada vítima do presente ataque merece toda a nossa simpatia e solidariedade, a Grande Nação poderia botar a mão na consciência e reconhecer que não é tão inocente quanto se quer fazer parecer. Um bom exercício de autocrítica não faria mal, neste momento, nem aos EUA nem a Alberto Dines?. Maria Eugênia Corrêa Lima, Rio de Janeiro.

?Como é inodoro o cheiro do ressentimento no bom Alberto Dines. Li sua coluna de 22/9, como faço todos os sábados. Não posso endossar seu texto. Ele é doutrinário, parcial e sofismático. É uma petição de princípios que ignora o contexto histórico. É uma denúncia vazia de um kantiano desesperado. O ?porém? que tanto o impressiona vem daqueles que percebem que a raiva que pôs abaixo as torres vem de areias distantes. Lá, os EUA são cúmplices do pior tipo de colonialismo contemporâneo. Os massacres em Gaza e na Cisjordânia não requerem manifesto. Não são progressistas ou de esquerda. Não reivindicam Estado mínimo ou formação keynesiana. Aquele pai fuzilado com o filho pequeno talvez tenha sonhado com normas de convivência entre os povos irmãos. Caiu nas balas do expansionismo insano que renega a generosidade sionista. É impossível ser humanista de mão única?. Gilson Caroni Filho, Rio de Janeiro.

Impunidade

?O editorial ?Dívida Moral? de 21/9, tentou mostrar a um partido a indignação que o eleitorado terá por suas manobras para tentar salvar um senador de seus quadros que indubitavelmente está envolvido na malversação do dinheiro público. É revoltante a forma como o acusado e defensores subestimam e ofendem a inteligência da população. Mas há algo mais ofensivo, a impunidade oficial. Há alguns meses dois senadores renunciaram antes de ser denunciados por quebra de decoro parlamentar; a renúncia só aconteceu porque não tinham mais como se defender, as provas contra eles eram irrefutáveis e dessa forma não perderiam seus direitos políticos. Ambos, mesmo tendo cometido delitos, poderão ser candidatos nas próximas eleições. O mesmo poderá acontecer ao ex-presidente do Senado. Portanto, a lei que permite aos que renunciam não perderem seus direitos políticos beneficia os infratores e prejudica os eleitores menos esclarecidos e mais vulneráveis?. Giulio Sanmartini Belluno (Itália).

Colaborou Ruy Sampaio Lima"

    
    
                     

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