Sábado, 15 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Luiz Orlando Carneiro

Por lgarcia em 17/10/2001 na edição 143

JORNAL DO BRASIL

"Deu no JB", copyright Jornal do Brasil, 6/10/01
"Estadistas e usinas nucleares

O artigo de Evandro Lins e Silva intitulado ?Procuram-se estadistas?, sobre ?uma guerra extravagante que começa a causar gravíssimas conseqüências para o mundo inteiro?, gerada pelos ?pavorosos? atos terroristas nos Estados Unidos, gerou várias manifestações de leitores, das quais destacamos as duas abaixo publicadas. Em questão, também, o editorial do JB que criticou a construção de usinas nucleares em área densamente habitada e um dos principais pólos turísticos do país – a Baía de Angra dos Reis.

Guerras

?Brilhante e inspirador o artigo ?Procuram-se estadistas?, de Evandro Lins e Silva, de 30/9. Que o texto possa ser lido e, principalmente, meditado por pessoas influentes, em especial aquelas mais ligadas aos órgãos de relações exteriores do Brasil e de outras nações. Deveria ser traduzido e distribuído. Fico orgulhoso de ser brasileiro e perceber que existem pessoas em nosso país capazes de refletir e propor soluções mais dignas e compatíveis com uma era de fraternidade que todos precisamos construir. Lembro-me agora de algumas palavras de Rui Barbosa que constam da obra de Cecília Meirelles Rui ? ?Pequena história de uma grande vida?: ?A lei da guerra é a lei da força. A lei da força é a lei da insídia, a lei do assalto, a lei da pilhagem, a lei da bestialidade, lei que nega a noção de todas as leis, lei de inconsciência, que autoriza a perfídia, consagra a
brutalidade, agaloa a insolência, eterniza o ódio. Não se evita a guerra preparando a guerra. Não se obtém a paz senão aparelhando a paz?.?Antonio Carlos A. Telles da Silva, Brasília.

?Impressionante que o Jornal do Brasil, que sempre lutou pela isenção de opinião e pela verdade, publique um texto tão reacionário como o do senhor Evandro Lins e Silva (ed. 30/9). Uma opinião totalmente pró-americana, com uma posição do colonizado satisfeito com sua condição. Faltou ao ilustre imortal toda isenção de uma pessoa de visão mais ampla. Esqueceu-se das crueldades excessivas dos EUA em todos os continentes do nosso planeta. Será que o nosso ilustre imortal sabe que o Pentágono tem essa forma porque em cada um dos seus lados é o centro de controle de cada um dos cinco continentes? Faltou analisar essa situação com conhecimento histórico do que já aconteceu naquela região. As interferências da Europa – principalmente a Inglaterra, aliada incondicional dos EUA -, com interesse nas minas de petróleo. E o ódio que os americanos provocaram em toda a população com atitudes como a guerra do Vietnam e as bombas sobre Hiroshima e Nagasaki. Nas cidades japonesas morreram crianças inocentes e a radiação está matando pessoas até hoje. O napalm jogado sobre aquelas crianças vietnamitas, correndo pela estrada em desespero, deveria estar ardendo em suas consciências, eternamente. Mas o senhor Evandro Lins e Silva só se lembra da Segunda Guerra, quando o inimigo era outro, para enaltecer a posição americana. Uma opinião tão antiga como o próprio pó que cobre as peças da respeitável Academia Brasileira de Letras.?José Arnulfo Alves da França, São Paulo.

Angra

?Com referência ao editorial ?Aborto Nuclear?, de 26/9, gostaria de, se possível, obter algumas respostas: 1) O que acontece com as altas autoridades deste país que são sempre as últimas a saber de tudo? 2) O que impede que a fiscalização nuclear atue com o rigor necessário para evitar problemas dessa natureza? 3) Será que ninguém percebe a ?saia justa? dos envolvidos tentando explicar o inexplicável? 4) Não parece patético um evento não usual, nível 1, segundo normas internacionais, ser colocado para a população como um fato comum? 5) Será que vamos ter de assistir a uma nova tragédia (como a da P-36) e depois vermos o ministro da área chegar de helicóptero para, ?consternado?, ver os estragos? 6) Será que vamos ter de ouvir mais uma vez aquelas frases feitas: ?o governo dará apoio às famílias das vítimas?, o governo irá liberar os atestados de óbito para que as famílias possam receber o seguro??.Zeine M. Souto, Rio de Janeiro.

?No editorial ?Aborto Nuclear?, de 26/9, o incidente de Angra I é utilizado para tentar introduzir argumentos emocionais no debate sobre a conclusão de Angra III. Pelas normas técnicas internacionais, o incidente acontecido em Angra I, há quatro meses, é classificado como ?anomalia? e, ao contrário do que foi insinuado, inúmeros incidentes semelhantes, ocorridos nas 437 usinas nucleares em operação, foram tratados da mesma forma, ou seja, sua divulgação para o público em geral não foi considerada necessária. É falso que o assunto tenha sido mantido em sigilo absoluto, pois foi informado à CNEN, que o divulgou de acordo com os procedimentos que regem casos dessa natureza e apenas não foi divulgado pela imprensa. Portanto, não houve nenhuma fuga dos padrões internacionais. Muito pelo contrário, a central nuclear de Angra opera segundo as normas internacionais e nacionais que regem o assunto e é, constantemente, auditada não somente por técnicos da CNEN como também por técnicos da Agência Internacional de Energiaia Atômica (Aiea), do Instituto de Operação Nuclear (Inpo) dos Estados Unidos e da Associação Mundial de Operação Nuclear (Wano), que têm atestado o cuidado e a responsabilidade da Eletronuclear nos assuntos relacionados à segurança de sua operação. Portanto, qualquer afirmativa em contrário, baseada em meias-verdades, exageros e emocionalismo, não encontra apoio na realidade e as populações de Paraty, Angra dos Reis, Mangaratiba e Itaguaí, bem como os turistas que as visitam, podem se sentir tão seguros quanto as populações vizinhas das centrais nucleares da França e dos Estados Unidos. Finalmente, cabe acrescentar que os argumentos econômicos, técnicos, estratégicos e ambientais a favor da conclusão de Angra III são tão evidentes que temos certeza que não serão frases emocionais vazias, criadas a partir de uma tão clara distorção dos fatos, que irão influenciar a decisão dos membros do CNPE.?Carlos N. M. Coutinho, diretor-executivo da Associação Brasileira para o Desenvolvimento das Atividades Técnicas e Industriais nas Áreas Nuclear eTérmica, Rio de Janeiro.

Guerra e paz

?Como católico, expresso meu repúdio ao escrito por Frei Beto no artigo ?Abençoada guerra?, de 1?/9. Dizer que Sua Santidade não é pacifista por ter defendido sua pátria em armas na Segunda Guerra Mundial é no mínimo acusar todos os brasileiros da FEB de belicosos, bem como os militares de uma maneira geral. Sempre preconceituoso, o articulista pensa que todos ignoramos que o mundo é injusto. O concerto das nações admite o uso da força para a resolução de conflitos, após os entendimentos diplomáticos cabíveis. Que diplomata aceitaria negociar com representantes de terroristas? O que se pode barganhar? Que país possui um tribunal que possa julgar atos do terrorismo internacional? Não há lei que impeça o ato criminoso que se cometeu em Nova York. Não é válida, pois, a posição dos pacifistas, que esperam que apenas os tribunais façam justiça, ou que as coisas se transformem por si mesmas. Vejam que o grande pacifista Mahatma Ghandi teve apenas uma vitória parcial, tanto é que sua região vive em eterno conflito e Paquistão e Índia possuem a bomba atômica para resguardar e conservar a independência advinda do esforço do líder pacifista hindu. Após a queda do Muro de Berlim não há mais a posição dos que costumam ficar em cima do muro aguardando os acontecimentos. Não se trata de escolher entre o bem e o mal, mas de se posicionar. O terrorismo não é um crime comum tipificado em leis, é um ato de guerra, e como tal deve ser tratado, e os EUA são o país em melhores condições para liderar militarmente um ataque ao terrorismo onde quer que ele se encontre e da forma que implique o menor número de vítimas. O papa simplesmente não ficou em cima do muro. Se depender de Frei Beto e dos simpatizantes com suas idéias, jamais acabaremos com o terror.?Paulo Marcos Gomes Lustoza, Rio de Janeiro."

    
    
                     

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