Domingo, 16 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Luiz Orlando Carneiro

Por A opção de ACM e Arruda pela renúncia em 30/05/2001 na edição 123

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A VOZ DOS OUVIDORES



JORNAL DO BRASIL

"Deu no JB", copyright Jornal do Brasil, 26/5/01. Colaborou Ruy Sampaio Lima

Os senadores Antonio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda acabaram preferindo renunciar a seus mandatos, a fim de evitar sua provável cassação, livrando-se também da pena acessória de perda parcial de direitos políticos (inelegibilidade). Mas a semana foi marcada pelo debate em torno do ?Tamanho? da pena que deveriam sofrer: cassação ou suspensão temporária dos mandatos. A maioria esmagadora dos leitores que enviaram correspondência ao JB criticou duramente o editorial ?Penas Alternativas?. Selecionamos duas dessas manifestações, que abrem esta seção.

Vergonhoso o editorial de sexta-feira, dia 18/5, intitulado ?Penas Alternativas?. O escriba deixa claro o seu furor contra a ex-diretora do Prodasen, bem como sua ternura para com o venerando senador baiano. Imagino sua tristeza, caso não tenha podido estar em Salvador, quando da pungente homenagem ao respeito e à verdade, prestada por suas compatriotas Gal Costa e Zélia Gattai, entre outros, a tão ilustre brasileiro. Caía bem, neste momento, aquela famosa frase, constantemente pronunciada pelo jornalista Bóris Casoy. Ary Sette Pereira ? Rio de Janeiro.

***

Quando a gente pensa que o JB está tomando jeito, lá vem a velha ladainha dos editoriais em defesa dos velhos coronéis da velha política brasileira. Depois de algumas palavras bonitas (?eivadas de exagero e passionalismo?, ?fortalecer as instituições democráticas?, e por ai vai), talvez para tentar dar um verniz de respeitabilidade à indecência que vem a seguir, o JB dá a sua receita de pizza para o caso da violação do sistema de votação do senado: ACM tem culpa, sim, mas tem ?um passado político a ser considerado? e, portanto, a suspensão temporária do mandato estaria de bom tamanho. Que vergonha! É justamente o ?passado político? do ?pai da Bahia?, sempre acima do bem e do mal, que recomenda uma punição exemplar e não a impunidade. Se o JB não respeita seus corajosos editorialista do passado, que pelo menos respeite o Villas Bôas Corrêa, ali ao lado. Roberto Pimenta ? Rio de Janeiro.

O JB errou ao citar a Constituição de 88. A expressão ?por voto secreto?, daquele texto, foi estranhamente omitida por este jornal no excelente artigo do professor Celso Bastos (Voto Secreto, exigência constitucional, JB ed. 18/5). Acho que a omissão mutila o argumento do autor. Sou leigo em Direito e me atrevo a discordar. A Constituição diz somente que o último ato do drama requer o voto secreto do Senado. Ora, como todo mundo sabe que este ato não acontecerá, pois ACM et caverna já terão renunciado, conclui-se que o sacrossanto voto secreto fica preservado no esplendor do seu ócio. Quanto à sutil separação entre Ética e Direito, confesso que eu não sabia de tamanha infelicidade. Eugênio Vilar Pires ? Rio de Janeiro.

JB ? O JB não errou. O artigo do ilustre constitucionalista ? como ocorre com qualquer outro publicado na página Opinião ? não teve nenhuma linha alterada.

A matéria de sábado, 19 de maio de 2001, publicada na página 9 sob o título Israel e palestinos têm dia sangrento demonstra mais uma vez a forma eivada de preconceito como os jornais brasileiros tratam o povo palestino. No texto, que aborda uma ação do grupo Hamas em Jerusalém, o Jornal do Brasil utiliza seis vezes o termo ?atentado?, comumente associado à palavra ?terrorista?, reservando ?ataques? para designar os bombardeios israelenses. Na outra extremidade da página, sob a rubrica Rotina do terror ? em maiúscula e negrito – , o jornal lista uma série de ações de militantes palestinos. Aí então lança mão quatro vezes do termo terrorista. Não há que negar que tal palavra bem designa a ação de um militante que, sem aviões F-16 carregados de mísseis ou helicópteros com atiradores de elite, torna-se, ele mesmo, em seu desespero, uma bomba humana. Mas por que não aparece lista semelhante, com título igual, em referência às ações israelenses? Será que basta uma farda para que um ataque deixe de ser atentado? Em nenhum momento o bombardeio israelense é tido como terrorista, mas pergunte a um palestino dos territórios ocupados, sobretudo aquele dos acampamentos de refugiados (Uma espécie de campo de concentração dos dias de hoje), se ele também não vive em uma rotina de terror. Rotina d terror sem nenhuma possibilidade de defesa, sem condições de desarmar uma bomba colocada na calçada. Uma rotina de terror que vem de cima, dos aviões, que não permite à vítima ?ser encarada? nem observar o ?olhar frio? de seu algoz, como pôde a adolescente Shibolet, conforme a matéria ?Olha, papai. É um terrorista?, na mesma página. Será que só pode ser designada terrorista uma ação primitiva e não uma ação com equipamentos modernos que matam e ferem muito mais? Será que só é terrorista o palestino? E aquele soldado bem arrumado, bem formado, bem treinado, que com um leve toque de um dedo derrama bombas que matam em maior número, leva à desintegração econômica um povo pobre e sem pátria e empurra para o caos o sistema médico e hospitalar de uma comunidade há tantos anos humilhada? Basta olhar o número de mortos de uma e de outro lado e a quantidade de feridos. A resposta está aí, sem subterfúgios de linguagem. Subterfúgios de linguagem, sim, porque a matéria da página anterior, de igual tamanho, ou quase, intitulada Bomba em bairro rico de Medellín deixa 7 mortos, em nenhum momento lança mão do termo terrorista. A palavra terror só aparece no pé do texto referindo-se a acontecimentos de há 12 anos. O Termo atentado surge apenas duas vezes, uma delas também no pé da página e na mesma situação do passado. Uma bomba em Netânia á atentado, em Medellín é explosão. Uma bomba em um shopping israelense é terrorismo, em um barraco de um campo de refugiado é ação militar, um ataque. Onde está a diferença? Alceste Pinheiro ? Rio de Janeiro.

JB ? A questão levantada pelo leitor é relevante, embora não haja um ?preconceito? do JB com relação ao povo palestino. Qualquer dicionário distingue atentado de ataque, e a palavra terrorismo está intimamente ligada a atentado, da mesma forma que um ataque aéreo é aterrorizante, sobretudo quando atinge civis. Noberto Bobbio, no seu Dicionário de Política, diz: ?Os terroristas combatem contra um Estado de que não fazem parte e não contra um governo (o que faz com que sua ação seja conotada como uma forma de guerra), mesmo quando por sua vez não representam um outro Estado. Não podem organizar exércitos e não conhecem limites territoriais, já que não provêem de um Estado?. Nesse contexto parece bem diferente o recurso à represália utilizado pelo governo de Israel, que é correntemente definido como ?terrorista?.

Exagerou, a meu ver, o JB, na matéria de Luiz Orlando Carneiro, de 15/5,pág. 8, sobre a fraude cometida pela assistente social de Brasília em documento para adoção de menor por sua amiga. O que tem a ver o pai (por acaso ministro) da mulher de 41 anos, maior , casada, totalmente responsável por seus atos? Nada indica envolvimento do pai no erro cometido pela filha. Não deveria esse senhor, a quem aliás não conheço, ter sido poupado da escandalosa e doentia divulgação ? chamada em primeira página e título d matéria do delito cometido por sua filha? Por ser ministro não tem ele o direito à discrição, ao bom nome? Como assinante e leitor do JB não gostaria de ver o meu jornal entrar por essa vertente sensacionalista; mesmo que a circunstância revelada, à margem dos fatos, pudesse ser considerada ?interessante do ponto de vista jornalístico?. A freqüentemente invocada mas nem sempre vivida ética profissional do jornalismo poderia ter preservado aquele senhor do constrangimento a que foi involuntariamente e sem qualquer culpa submetido pelo ?afã da notícia?, ainda que à custa de alguns exemplares vendidos a menos. José Alberto Graziano ? Rio de Janeiro."


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