Sábado, 26 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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PRIMEIRAS EDIçõES > ENTREVISTA / BORIS CASOY

Luiz Otávio

Por lgarcia em 29/07/2003 na edição 235

TV = RÁDIO

“Jornalista de MG diz que TV está mais parecida com rádio?, copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 28/7/03

“?Aumenta a cada dia o número de pessoas que não suportam mais as obviedades ditas pelos repórteres e apresentadores de televisão, em esportes e telejornais. Muitas já acham que, neste ritmo, a TV vai acabar virando rádio?. O comentário é do jornalista Ivani Cunha – ex-Estado de Minas e ex-assessor da Fundação João Pinheiro – em artigo publicado no site do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG). ?Quando isto acontecer, todos poderão literalmente ‘ouvir’ a TV, enquanto se dedicam a outros afazeres, como ir ao banheiro, fazer tricô e, sobretudo, ler um pouco?, acrescentou.

Cunha ressaltou que a reintrodução da leitura ?e outros hábitos saudáveis? no cotidiano das pessoas vai depender, em muitos casos, ?da abolição da TV enquanto vício adquirido?. Ele lembrou que muita gente, ao chegar em casa, liga o aparelho enquanto permanece em outros cômodos, apenas para ter a sensação de que não está sozinho, em um processo que qualifica como ?o cúmulo da solidão, infelizmente real e concreto?. O jornalista ressalta que, em função deste fenômeno, talvez este veículo ?evolua até a abolição da imagem e sua transformação em rádio seria até muito bem recebida com alegria por parte destes telespectadores viciados?.

?A deusa da imagem é quem manda no Olimpo televisivo e, com o advento da cor, ganhou mais força, tendo prioridade sobre o fato, a notícia, se quisermos nos limitar apenas ao telejornalismo. E isto dá espaço a um grande desmazelo com o idioma. O descuido nas edições permitem, entre outros absurdos, a definição verbal das imagens que aparecem na tela, como ‘este carro foi levado pelas águas depois do temporal’ (imagem do carro) ou ‘fim de jogo, o juiz ergue os braços’ (imagem do árbitro agitando os braços). É como se a televisão tivesse se transformado em um veículo para cegos, ou se tivesse transformado, definitivamente, em uma emissora de rádio?, avalia Cunha.

Ele recomenda que, para constatar os maus-tratos cometidos contra a língua portuguesa na TV brasileira, basta ligá-la em um dia de transmissão esportiva. ?Mas ao assistir a programas jornalísticos ou de auditório, muitas pessoas também já perdem a paciência, e mesmo assim as emissoras resistem em corrigir ou reciclar seus profissionais.? Ele salienta que ?o mais aclamado narrador da TV Globo, por exemplo, dificilmente acerta na regência gramatical e é costumeiro ouvi-lo dizer que ‘o centroavante sai de campo agradecendo ‘aos’ aplausos da torcida?. Cunha conclui sua análise sugerindo que ?alguma boa alma na emissora deveria lhe ensinar o endereço de um sebo, onde poderia facilmente encontrar um dicionário de verbos e regimes?.”

 

ERNESTO VARELA

“Tas lança DVD com 3 horas de Ernesto Varela”, copyright Folha de S.Paulo, 23/7/03

“Marcelo Tas, 43, acaba de finali zar um DVD com uma coletânea de três horas de reportagens de Ernesto Varela, o repórter, personagem criado e interpretado por ele. O caricato jornalista completa 20 anos no próximo mês e tem no currículo passagens pelas TVs Gazeta, Record, SBT, extinta Manchete, além da rádio 89 FM.

No DVD, há entrevistas nos co mícios pelas Diretas, em 1984, com Lula e FHC. Traz ainda a co bertura da eleição de Tancredo, uma polêmica entrevista com Maluf, à época em que disputava a presidência nas eleições indire tas, e um documentário rodado em Cuba. ?A ênfase é política?, diz Tas, no projeto há cinco anos.

O lançamento marca o reencon tro da produtora Olhar Eletrôni co, onde Varela surgiu. Além de Tas, outro então universitário do grupo foi Fernando Meirelles (?Cidade de Deus?). O cineasta por várias dirigiu Varela e/ou foi seu cameraman, que se transfor mou no personagem (oculto) Valdeci. O DVD foi finalizado na O2, produtora de Meirelles.

O quadro surgiu no 1? Vídeo Brasil – Festival de Arte Eletrôni ca, em 1983. E o DVD volta na 14? edição, em setembro, no Sesc Pompéia. Serão lançadas apenas mil cópias, para distribuição gratuita a bibliotecas e outras instituições. Tas planeja uma segunda leva, para comercialização, que marcaria a provável retomada da Olhar Eletrônico. Fará ainda um site pessoal e outro de Varela.”

 

ENTREVISTA / BORIS CASOY

?Paulo Maluf é o pior entrevistado, diz Boris?, copyright O Estado de S.Paulo, 24/7/03

“Dono de um estilo que fez escola, o apresentador do Jornal da Record e do semanal Passando a Limpo, que a partir desta semana passa do domingo para o sábado (23h30), Boris Casoy é responsável por um dos maiores faturamentos de sua emissora. Nesta entrevista, o jornalista passa a limpo sua carreira, revela suas gafes e saias-justas.

Estado – Do que você mais gosta: apresentar notícia boa ou ruim?

Boris Casoy – A boa sempre, embora eu ache, às vezes, que a notícia ruim tenha uma finalidade social. Noticiar a corrupção, por exemplo, é desagradável, mas a denúncia dela tem uma utilidade cidadã.

Estado – O público identifica de imediato o estilo Boris Casoy. O bordão ‘é uma vergonha’ não está gasto?

Casoy – Não, só uso o bordão quando necessário. Mas, quando passo dois ou três dias sem usá-lo, recebo telefonemas e e-mails reclamando. Esse bordão não tem um sentido moralista, mas de indignação.

Estado – Você é responsável por um dos maiores faturamentos da Record. A que atribui essa performance?

Casoy – À seriedade do telejornal, à sua imparcialidade e ao nosso senso crítico. A minha opinião é uma coisa, a linha do telejornal é outra. Não sou a única instância a decidir. Muitas vezes, a opinião da equipe, do diretor, Dácio Nitrini, prevalece.

Estado – Qual é o seu grau de independência na Record?

Casoy – Quando assinei com a Record muita gente duvidava que eu conseguisse manter a minha independência. Garanto que jamais houve qualquer interferência, tanto no Jornal da Record quanto no Passando a Limpo.

Estado – Não o incomoda que o seu telejornal venha colado ao ‘Cidade Alerta’?

Casoy – Não decido sobre a programação. Ao contrário do que muita gente pensa, é grande o número de espectadores do Cidade Alerta que continuam ligados no Jornal da Record.

Estado – Quem foi seu pior entrevistado?

Casoy – Paulo Maluf, porque ele ignora as perguntas que lhe são feitas e usa a entrevista para dar o seu recado.

Estado – Você já perdeu o rebolado diante das câmeras?

Casoy – Quando perco, peço desculpas. Como no dia em que comentei que certos policiais do Paraná tinham sido mais lerdos que uma tartaruga paralítica. O pessoal no estúdio colocou a mão na cabeça: o público poderia achar que eu tinha preconceito contra deficientes. Logo eu, que tenho um defeito na perna por causa de uma poliomielite que me fez ficar até os 9 anos de idade sem andar. Pedi desculpas e expliquei que era portador de deficiência. Posso ter cometido outras atrocidades, mas esta me deixou muito mal.

Estado – Quem é melhor de entrevistar: o presidente Lula ou o ex, Fernando Henrique?

Casoy – Os dois falam de tudo e nem querem saber antes quais as perguntas que serão feitas.

Estado – Algo já o desconsertou no ar?

Casoy – Já, quando entrevistei a cantora cabo-verdiana Cesária Évora. Ela chegou descalça, fumando e de péssimo humor. Arranjamos uma intérprete porque ela só falava no dialeto de sua região. Tinha quase 40 minutos para preencher e Cesária só respondia sim e não. De vez em quando, dizia umas frases maiores que a moça traduzia como ‘ela diz que adora a música brasileira e de se apresentar no Brasil’. Como o combinado, pedi para ela cantar. Ela se recusou e perguntei por quê. ‘Porque eu não quero’, disse.

Depois do programa, amigos de Cabo Verde ligaram para me gozar: ?Tu não sabes o que ela falou de ti.? Cesária me chamou de chato e só queria saber quando o programa ia terminar. A intérprete tinha inventado outras respostas por constrangimento.”

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