Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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Luiz Zanin Oricchio

Por lgarcia em 05/08/2003 na edição 236

CAHIERS DU CINÉMA

"A volta dos bons tempos da ?Cahiers?", copyright O Estado de S. Paulo, 3/08/03

"Vêm por aí novas mudanças na mais prestigiosa revista de cinema do mundo, a francesa Cahiers du Cinéma. Fundada por André Bazin e plataforma de lançamento de críticos que depois se tornaram cineastas, como Jean-Luc Godard, Claude Chabrol e François Truffaut, a Cahiers conheceu fases diferentes em sua história. Da cinefilia mais dogmática ao fundamentalismo maoísta, continuou a fazer a cabeça dos espectadores cordon bleu, mundo afora.

Há alguns anos, a revista decidiu entrar em fase mais pop, por assim dizer.

Reforçou a reportagem e enxugou artigos muito longos. Debruçou-se sobre outros meios, como a TV, deu início (heresia) a um painel de estrelinhas atribuídas por críticos. E chocou os mais ortodoxos ao votar o programa Loft Story como uma das melhores manifestações audiovisuais do ano. Loft Story é o equivalente francês do ?nosso? Big Brother. Com dificuldades financeiras, a Cahiers passou para o controle do grupo do Le Monde. Agora, surgem notícias das mudanças de orientação.

Parece ser mais uma restauração. A tônica das medidas aposta na volta da ?velha? Cahiers, a que todos estavam acostumados. Jean-Michel Frodon, crítico de cinema do Le Monde, foi nomeado diretor de redação, substituindo Charles Tesson, que ocupava o cargo desde a saída de Serge Toubiana. A palavra de ordem de Frodon é trazer de volta antigos redatores, concentrar-se sobre o cinema e publicar textos de referência.

A modernização da Cahiers sempre foi objeto de polêmica. Discussões intermináveis dividiam os oponentes entre aqueles que defendiam a tradicional linha ensaística e os que preferiam um jornalismo mais moderno, quer dizer, mais factual, à americana, e raso do ponto de vista analítico.

Agora é checar se a restauração encontrará ainda leitores dispostos a certo esforço de raciocínio para enfrentar extensas e profundas análises de filmes. Tomara que sim. Afinal, a Cahiers sempre foi uma espécie de dique contra a barbárie do subjornalismo cinematográfico.

Não que tudo o que a nova Cahiers tenha feito seja ruim. Pelo contrário.

Embora tenha se superficializado um pouco, continuava anos-luz à frente da média das publicações de cinema. Um dos exemplos é o número especial L?Atlas du Cinéma, que circulou durante o Festival de Cannes em maio e só agora chegou às bancas do Brasil.

Como o título diz, trata-se de um mapeamento bastante extenso do que aconteceu no ano anterior, 2002, nas principais cinematografias do mundo. Em edição bilíngüe (francês e inglês) a revista traz cifras, informações e análise sobre o cinema de 40 países.

Pelo Brasil, o crítico Pedro Butcher escreveu um artigo bastante amplo sobre a situação atual do cinema nacional. O destaque – e nem poderia ser de outra forma – foi para Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, filme que além de ter chegado à cifra até então inédita de 3,2 milhões de espectadores (depois foi superado por Carandiru, com 4,6 milhões) ainda suscitou uma polêmica, até certo ponto estéril, sobre a estética e a ?cosmética? da fome. Ou seja, sobre a maneira de representar a violência e o déficit social do País.

Outro ?verbete? interessante do Atlas é o dedicado ao cinema argentino, escrito pelo crítico Quintín. Sem medo de desafinar o coro dos contentes, Quintín relativiza o sucesso da nova geração de diretores, ?pomposamente? apelidada de nouvelle vague argentina. O crítico reconhece a existência de jovens de talento em seu país, como Celina Murga e Lucrecia Martel, mas afirma que a indústria cinematogr&aaacute;fica prefere sempre investir em valores seguros, ?divertimentos fáceis como O Filho da Noiva? – este, o mais notório e duradouro sucesso argentino dos últimos tempos, tem arrancado lágrimas, urbi et orbi."

 

LANÇAMENTO / JAZZ+

"Fãs de jazz contam com nova revista especializada", copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 29/07/03

"Nas bancas há cerca de uma semana, a revista Jazz+ é produzida especialmente para os amantes do gênero musical consagrado em todo mundo. Lançada pelas editoras Dexter e Pool, a publicação já saiu com uma tiragem de 10 mil exemplares, em papel couchê e visa a suprir uma carência do mercado editorial no setor.

A revista Jazz+ aborda não só o jazz, mas também o blues, o choro, a MPB e a bossa nova. Nas 68 páginas mensais, o leitor irá encontrar reportagens, entrevistas com músicos consagrados e iniciantes, lançamentos de CDs e um espaço dedicado à programação musical das principais cidades do país.

O editor-chefe, Vinicius Mesquita, disse ao Comunique-se que, apesar dos leitores da revista fazerem parte de um público bem segmentado, não foi feita nenhuma pesquisa de mercado. ?Por sempre mexer com música e por ser fã de jazz eu senti que faltava uma revista sobre o assunto. É mais uma questão de feeling do que de pesquisa?.

Em meio às dificuldades, Mesquita aponta o fato de ser uma publicação desconhecida. ?O grande problema são os caminhos burocráticos quando você vai atrás de parceiros, quando entra em contato com casa de show. Para cobrir um festival tem sempre credencial para os grandes nomes do jornalismo, os desconhecidos como nós sempre levam desvantagem?, desabafou.

Quem comprar Jazz+ vai encontrar uma publicação com curiosidades e principalmente informação. ?Não somos uma revista didática. Vamos mostrar quem são os grandes músicos do Brasil. Jazz+ fala do dia-a-dia do músico, sua opinião, lançamento de discos e outras coisas bem legais?.

A seção ?Microfone? traz uma entrevista com um grande músico do gênero. Em ?Improviso?, uma reportagem peculiar será contada sobre os personagens do jazz e do blues que fizeram parte ou ainda sonham em entrar para a história da música. Na página ?Vinil?, um comentário sobre aquele velho disco que marcou uma época e ainda traz boas lembranças da velha vitrola.

?Notas musicais? é uma seção que abre espaço para estilos não difundidos com freqüência pela mídia brasileira. Já ?Jazz mix? pretende mostrar a influência do jazz sobre os mais diversos gêneros, como o rap e a eletrônica, ingredientes indispensáveis para a elaboração do Acid Jazz.

Em ?Discos?, críticos especializados farão uma avaliação criteriosa dos CDs que estão sendo distribuídos no mercado nacional e comercializados nos principais centros musicais do mundo. Muitos relançamentos importantes da história do jazz e do blues não recebem uma versão brasileira.

Jazz+ traz ainda a ?Agenda cultural? com a programação do que acontece nos bares, teatros e casas de espetáculos das principais cidades do país. Shows, festivais e pequenos encontros musicais realizados dentro ou fora do Brasil serão comentados em Jam, seção reservada especialmente para as apresentações ao vivo.

Mesquita acredita que o sucesso da revista está no fato dela abordar um assunto que interessa um público específico e fiel. ?O público de jazz é muito carente porque não tem nada que o interesse, por isso ele é fiel o suficiente para manter a revista acesa?.

Mesquita afirma que a editora ainda tem alguns projetos, mas tudo é uma questão de tempo. ?A nossa idéia é mesmo fazer publicações específicas?.

Entre muitos colaboradores fazem parte da equipe, além de Vinicius Mesquita, a editora Juliana Lopez e os repórteres Ronaldo Evangelista e Marcos Pierri.

Jazz+ vai circular em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre."

 

CÁSPER EM GREVE

"Professores da Cásper Líbero entram em greve na segunda-feira", copyright O Estado de S. Paulo, 2/08/03

"Professores dos cursos de Jornalismo e Rádio e TV da Faculdade Cásper Líbero entram em greve por tempo indeterminado a partir de segunda-feira. Cerca de 35 dos 41 profissionais dos dois cursos deixarão de dar aulas, segundo o coordenador do curso de Jornalismo, Mario Vitor Santos.

Nessa carreira, há 740 alunos matriculados, enquanto Rádio e TV tem 172 estudantes.

Os professores exigem a recontratação do ex-coordenador de Jornalismo Marco Antonio Araújo, demitido no ano passado após liderar, segundo Santos, um movimento contrário à decisão da diretoria de aumentar o número de alunos por classe, de 45 para 50.

?Em 19 de fevereiro, foi firmado um acordo público no qual a diretoria se comprometia a não vetar a recontratação do professor Marco Antonio. E agora, eles voltaram atrás?, diz Santos. ?A reivindicação é que o acordo seja cumprido.?

O diretor da Cásper, Erasmo de Freitas Nuzzi, tem outra versão. ?No acordo, a diretoria da Fundação Cásper Líbero (mantenedora da faculdade) disse que não vetaria uma eventual contratação. Eventual não tem prazo marcado e eu, como diretor, não concordei, fiquei com o direito de veto (à decisão).?

Santos contesta e diz que ele endossou, sim, o acordo.

Ontem à noite, Nuzzi se reuniu com o departamento jurídico para tratar da greve. ?Teremos uma decisão na segunda-feira?, disse ele.

As aulas na Cásper começaram na quinta-feira, mas o ritmo só voltaria mesmo ao normal na segunda. Indagado sobre se haverá aulas, o diretor disse: ?As aulas estão normais?.

No entanto, Santos contou que os membros do Centro Acadêmico Wladimir Herzog convocaram os alunos a aderir ao movimento de greve. Eles reivindicam a saída de Nuzzi e da vice-diretora, Tereza Vitali."


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