Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES > ÁFRICA

Mais cortes e demissões

Por lgarcia em 19/12/2001 na edição 152

CNN

Após despedir 400 funcionários em janeiro, a CNN anunciou o corte de mais 30 pessoas, entre elas a apresentadora Joie Chen e o analista jurídico Roger Cossack. O número de demissões representa menos de 1% da equipe da rede, mas ocorre 10 meses depois de a AOL Time Warner ter jurado que não mandaria mais ninguém embora, lembra Lisa de Moraes [Washington Post, 8/12/01].

Muitos demitidos trabalhavam para os quatro programas oficialmente cancelados no dia 7, embora a maioria não fosse ao ar desde 11 de setembro: Burden of Proof, apresentado por Cossack, News Site, por Chen, e os semanais Travel Show e Showbiz This Week. A CNN, no entanto, anunciou a contratação em breve de dois novos âncoras.

Em comunicado à equipe, Sid Bedingfield, vice-presidente executivo e administrador geral da CNN/EUA, chamou as mudanças de "toques finais" à revisão da programação, que durou um ano. Elogiando o trabalho de Cossack e Chen, afirma que sentirão sua falta, mas ressalta a satisfação com os resultados das mudanças recentes, que "incluem a expansão das funções de Paula Zahn, Bill Hemmer, Wolf Blitzer, Greta Van Susteren, Aaron Brown, Judy Woodruff e outros". Nos fins de semana, a rede deve aumentar os noticiários ao vivo e exibir mais vezes a série de documentários CNN Presents e o show People in the News, co-produzido pela revista People.



ÁFRICA

O governo sudanês suspendeu a censura imposta ao principal jornal de língua inglesa do país, o Khartoum Monitor, declarou seu editor-administrativo, Nhial Bol. O National Press Council, agência governamental que fiscaliza a imprensa, avisou que foram suspensas as restrições aos jornais, que incluíam a proibição de matérias consideradas ameaçadoras à segurança nacional. Segundo Bol, outros três jornais em idioma árabe estão liberados pelo conselho, informação ainda não confirmada pela Associated Press em 8/12/01.

O Khartoum Monitor tem criticado o governo pelo desrespeito aos direitos humanos, em especial no sul do país, onde rebeldes cristãos e animistas lutam por autonomia em relação à maioria muçulmana. O próprio Bol e outros funcionários do jornal foram detidos no final de outubro, acusados de comprometer a segurança de Estado, e soltos sob fiança. Atualmente, quatro jornalistas do Monitor estão sendo processados pelo mesmo motivo.

Desenhos dos principais chargistas africanos devem aparecer em jornais de língua francesa para chamar a atenção mundial sobre o assassinato de um importante jornalista de Burkina Faso. A campanha é da organização Repórteres sem Fronteiras (RSF), e tem como objetivo marcar o terceiro aniversário da morte de Norbert Zongo e pressionar para que os suspeitos sejam julgados.

Zongo, editor do semanário L?Indépendant, apurava as acusações de que François Compaoré, irmão do presidente do país, participara da tortura e do assassinato de seu motorista, em janeiro de 1998. Em dezembro do mesmo ano, o corpo do jornalista foi encontrado carbonizado e baleado ao lado de três homens, num carro fora da capital.

Em maio de 1999, uma investigação independente nomeou seis suspeitos: todos faziam parte da equipe responsável pela segurança do presidente Blaise Compaoré; a lista também incluía seu irmão François. Até agora, apenas Marcel Kafando, antigo chefe da guarda presidencial, foi acusado do assassinato de Zongo, quando já estava preso pela morte do motorista. Segundo Penny Dale [OneWorld.net, 12/12/01], a RSF teme que a saúde frágil de Kafando, que já causou o adiamento de várias audiências, prejudique a continuação do processo.

O Comitê de Proteção aos Jornalistas afirma que a investigação original foi desfigurada por muitas irregularidades grosseiras, entre elas a brusca retirada do caso de um juiz que acusou François Compaoré de assassinato. O caso foi então transferido para um tribunal militar. As charges criticam a relutância das autoridades em levar os suspeitos à justiça, e serão publicadas em 50 jornais em 13 países africanos e na França.

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