Segunda-feira, 20 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1037
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Mais transparência com mortos e feridos

Por lgarcia em 11/11/2003 na edição 250

Edição: Beatriz Singer (com Dennis Barbosa)

MÍDIA NO IRAQUE

Reportagem de Seth Porges [Editor & Publisher, 4/11/03] constata que as fatalidades fora de combate e os feridos estão sendo mais divulgados pelos principais jornais americanos, e não apenas as mortes computadas pelo Pentágono, que se restringem às ocorridas em combate.

No dia 3/11, USA Today, The New York Times e The Washington Post citaram o total de mortos no Iraque (378 ou 379), além do número de fatalidades em combate (251). O New York Daily News não deu o número total de mortes desde que a guerra começou, mas publicou um quadro indicando o número de fatalidades em combate (141) e em acidentes (102) desde 1o de maio.

Recentemente, a E&P publicara um artigo, divulgado pelo Observatório da Imprensa [veja remissão a artigo abaixo], em que estimulava a imprensa a noticiar todas as baixas americanas no Iraque, não apenas as relacionadas a combates. Talvez o abatimento do helicóptero americano Chinook, que levou a 16 mortes no dia 2/11, tenha inspirado a mudança.

A E&P também chama atenção para a importância de noticiar feridos. "O interesse nesses números parece estar crescendo", disse Porges em sua reportagem. De fato, em 3/11, o Washington Post e o New York Times deram informações sobre feridos no Iraque. Este último afirmou que "para cada soldado morto, segundo o Pentágono, há outros sete feridos".

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O Exército americano disse no dia 3/11 que está adotando a política de proibir que emissoras de TV e fotógrafos registrem os caixões de soldados mortos no Iraque em Ramstein, importante base aérea americana no sudoeste da Alemanha. Oficiais da base permitiam o acesso da mídia no passado, mas desde o início da guerra no Iraque fora proibido.

Enquanto funcionários do governo americano dizem que a política foi criada em respeito aos parentes dos mortos, outros criticam a falta de acesso da mídia, afirmando que o objetivo é omitir ao público o grande número de caixões, que poderia pôr a opinião pública contra a guerra.

Segundo Erik Kirschbaum [Reuters, 3/11], jornalistas que tentavam entrar em Ramstein para filmar os caixõotilde;es dos americanos mortos com a queda do helicóptero não conseguiram. Permitiu-se apenas a cobertura de soldados feridos.

Um funcionário do Departamento de Defesa negou que tenha havido censura e disse que a proposta da política era proteger a privacidade das famílias "durante esse período de grandes perdas e lutos".

O Los Angeles Times mandou seus repórteres pararem de descrever forças antiamericanas no Iraque como "lutadores da resistência", dizendo que o termo os romantiza e evoca o heroísmo dos tempos da Segunda Guerra Mundial. A proibição foi feita por Melissa McCoy, subeditora-administrativa do LA Times, que deu a ordem por e-mail no dia 3/11 e pediu que se usassem termos como "insurretos" e "guerrilheiros".

O New York Times, por meio do subeditor-administrativo Allan Siegal, disse apoiar a decisão de seu concorrente. "Não temos uma política, mas quando se menciona a frase, soa romantizado para mim", disse.

David Hoffman, editor de internacional do Washington Post, discorda. Segundo Hoffman, o jornal vem usando recorrentemente o termo e não se opõe a ele. Informações de Dan Whitcomb [Reuters, 5/11/03].

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