Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > ÍNDIA

Mais um jornalista detido

Por lgarcia em 29/08/2001 na edição 136

LÍBANO

O exército libanês prendeu o editor de um importante jornal árabe, na segunda detenção de um jornalista cristão em três dias, informa Hussein Dakroub [The Associated Press, 19/8/01]. Agentes de inteligência militar detiveram Habib Younis, editor-sênior do jornal Al-Hayat, na noite de sábado, dia 18. Younis trabalha para a sucursal de Beirute do Al-Hayat, sediado em Londres.

Desde o dia 7 de agosto, o exército deteve aproximadamente 250 cristãos, acusados de procurar desestabilizar o país. Muitos já foram soltos, mas as ações repressivas foram intensamente criticadas por políticos governistas e de oposição, que acreditam que os militares estejam abusando de seus poderes. O papa João Paulo II apelou aos líderes libaneses para que "os valores da democracia e da soberania nacional não sejam sacrificados pelos interesses políticos do momento".

As autoridades não divulgaram a razão da prisão de Younis, mas o Sindicato dos Repórteres declarou ter sido informado por um oficial que o jornalista teria sido preso porque planejava ir ao Chipre encontrar-se com um oficial israelense. O Líbano está em guerra com Israel e proíbe qualquer acordo com o país. Al-Hayat e o Sindicato dos Repórteres rejeitaram as acusações.

CHINA

Três jovens armados com bastões de beisebol invadiram o escritório do tablóide Next Magazine em Taipei, informa o China Post (23/8/02). Os criminosos, que sequer se preocuparam em usar máscaras ou luvas, destruíram móveis, janelas, computadores e outros aparelhos sem dizer nada. Nenhum funcionário foi ferido.

Para os policiais, o vandalismo foi uma espécie de aviso à Next, cujos editores e repórteres já vinham recebendo telefonemas ameaçadores. O tablóide, que pertence ao barão da mídia de Hong Kong, Jimmy Lai, surgiu há três meses e tem sido duramente criticado por introduzir um estilo paparazzi ao jornalismo local. Mesmo após o ocorrido, a Next anunciou que não mudaria sua postura em relação às reportagens.

ÍNDIA

Em março deste ano, o ministro da Defesa da Índia pediu demissão após alguns jornalistas de internet terem provado seu envolvimento com o mercado ilegal de armas. Agora, estes mesmos jornalistas estão sob investigação para esclarecer como apuraram a matéria.

Os repórteres, que fingiram ser negociantes de armas, chegaram a arranjar prostitutas para três oficiais do exército e até gravaram cenas de um deles com uma garota. Os jornalistas se defendem alegando que trazer mulheres fazia parte de uma tentativa ? bem-sucedida ? de entrar em acordo com os oficiais; do contrário, seus disfarces não pareceriam realistas.

A revista de internet que revelou o escândalo, Tehelka.com, sustenta que os "métodos extraordinários" empregados se justificam por um interesse maior, o público. Mas mesmo Tarun Tejpal, executivo-chefe da revista, aparentou desconforto com os métodos de seus repórteres: "Talvez eles realmente tenham tomado a decisão certa, porque uma história bombástica de corrupção foi revelada", disse. "A decisão foi deles, eu soube depois. Sou responsável por isso, mas a decisão foi deles." Tejpal reconheceu que os jornalistas cometeram uma "transgressão leve; ela pode ser discutida".

O escândalo maculou a reputação da coalizão governista: Bangaru Laxman, presidente do partido Bharatiya Janata, renunciou ao cargo após ter sido filmado aceitando dinheiro de um repórter que fingia ser negociador de armas. O presidente do partido Samata, Jaya Jaitley, e seu correligionário George Fernandes, ministro de Defesa, também foram pressionados a renunciar. Os parlamentares agora pedem a prisão dos jornalistas por arranjarem prostitutas. Pramod Mahajan, ministro influente e líder do Bharatiya Janata, prometeu "investigar qualquer um que tenha violado a lei para ter acesso a notícias em nome do jornalismo investigativo". As informações são de Celia W. Dugger [The New York Times, 24/8/01].

    
    
                     

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