Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES > MÍDIA ESPORTIVA

Mais uma voz contra Romário

Por lgarcia em 12/08/2003 na edição 237

MÍDIA ESPORTIVA

Antonio Carlos Teixeira (*)

Depois de Diogo Mainardi, da Veja, de Paulo Roberto Martins, da TV Record e da Rádio Globo e talvez de um ou outro cronista espalhado pelo país, chegou a vez de integrante da mídia esportiva carioca criticar abertamente o desempenho do atacante Romário, do Fluminense.

Por que a surpresa? Porque a crônica carioca ? mais do que qualquer outra no país ? cultiva o mau hábito de acomodar-se às circunstâncias, semelhantes às vividas hoje pelo irreverente ex-jogador. A reação dos cariocas à pífia ? no entanto, esperada ? atuação de Romário no seu retorno ao tricolor das Laranjeiras partiu do jornalista Paulo Stein, comentarista do programa dominical Esport Visão, da Rede Brasil, além de notório torcedor do Fluminense.

Os comentários de Stein trazem, sim, perplexidade. No programa de domingo retrasado (3/8), o jornalista carioca fez pesadas críticas à diretoria do Fluminense e a culpou pelo fracasso do time no Campeonato Brasileiro de 2003. Mais ainda por ter apostado novamente num reforço sem eficiência alguma do ponto de vista de produtividade em campo. Romário retornou ao Fluminense depois de breve passeio pelo Golfo Pérsico, cuja viagem mereceu comentário na edição de 19 de março deste Observatório.

Voz ativa

As críticas de Stein, vale destacar, foram feitas barba a barba com o atual técnico tricolor, Joel Santana. Tudo se passou diante de uma mesa estupefata. Afinal de contas, críticas diretas ao Baixinho são vistas como blasfêmia ao ídolo da mídia carioca, mesmo que seus feitos tenham se esgotado faz quase uma década. Nos últimos anos, repita-se, Romário tem-se mantido à custa de forte estratégia de marketing. Nada mais que isso.

Com números, o comentarista desmontou qualquer argumento do surpreso treinador. Afirmou que, com Romário em campo, o esquema tático do Fluminense torna-se frouxo, inconsistente, molengo. Entre outros dados, Stein apontou que o tricolor era o nono colocado do Campeonato Brasileiro quando Romário retornou às Laranjeiras e, naquele domingo, ocupava o 22? lugar.

A mídia esportiva carioca, finalmente, teve voz ativa num episódio envolvendo Romário, graças à personalidade e ao profissionalismo do comentarista. Stein preferiu seguir em outra direção, contrária àquela que está também ajudando a afundar aos poucos o futebol fluminense ? com cartolas se eternizando nos cargos e contratações malsucedidas de jogadores em fim de carreira. Posições divergentes, sim. Condescendência, não. A opinião do jornalismo esportivo agradece.

(*) Jornalista em Brasília

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