Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES > O DEPUTADO E A MÍDIA

Manchete para uma não-notícia

Por lgarcia em 24/07/2002 na edição 182

CRIME ORGANIZADO NO ES

Victor Gentilli

Nada mais burocrático do que a cobertura da imprensa local e nacional do desenrolar da crise no Espírito Santo, que resultou na queda do ministro da Justiça Miguel Reale Jr. Deixando de investigar os dados levantados nos relatórios, os jornais simplesmente repercutem e reproduzem falas oficiais. Nos jornais do ES, a cobertura é grande, mas cada vez mais difícil, posto que o bem-bom do trabalho dos procuradores é sigiloso e só será divulgado no momento adequado.

Mas vale um registro positivo. No sábado, 20 de julho, A Tribuna, um tablóide capixaba, conseguiu fazer da não-notícia uma boa manchete. Desde que a missão especial aportou no estado, o índice de homicídios baixou significativamente.

"O crime organizado deve estar acuado", registrou um dos procuradores. E o jornal deu uma informação importante ao cidadão.

O DEPUTADO E A MÍDIA

A Federação Nacional dos Jornalistas e o Sindicato dos Jornalistas no Estado do Espírito Santo vêm a público manifestar seu repúdio ao tratamento desrespeitoso do presidente da Assembléia Legislativa, deputado José Carlos Gratz, ao se referir aos jornalistas como "canalhas com a caneta na mão". Lastimável declaração foi feita em público, na última segunda-feira, na presença de profissionais da imprensa local. E não estamos sozinhos: ofensas da mesma natureza vindas do deputado Gratz se tornaram freqüentes contra todos aqueles que lutam para extirpar o crime organizado do estado.

A caneta é o instrumento de trabalho do jornalista. E é com a ajuda dela que tentamos derrubar a muralha da desigualdade social e da corrupção e sustentamos nossas famílias de forma honesta.

Com suas palavras ofensivas, o referido deputado, citado pela CPI do Narcotráfico, tentou derrubar os méritos daqueles que conseguem, com uma caneta e correção, mostrar à sociedade os bastidores do luxuoso prédio da Enseada do Suá, construído e pago, diga-se, com dinheiro público.

O exercício da função pública requer seriedade, responsabilidade e probidade. Não podemos admitir que o Espírito Santo fique à mercê de declarações raivosas e sem fundamento, enquanto respostas sérias precisam ser dadas à sociedade.

A categoria dos jornalistas, que ainda chora a morte do colega Tim Lopes, não se intimidará e continuará exercendo seu papel. O nosso compromisso é com a verdade, com a defesa dos direitos humanos e com a luta contra a corrupção e contra o crime organizado. Vitória, 17 de julho de 2002

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