Domingo, 24 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > COCA COLA vs. ANTÁRCTICA

Marcel Gomes

Por lgarcia em 12/06/2002 na edição 176

EUA, RACISMO & MÍDIA

"Se você é branco e vota em Bush, tem chance de falar na TV dos EUA", copyright Agência Carta Maior, 5/6/02

"No que depender dos principais telejornais dos Estados Unidos, a imagem de pátria da liberdade de expressão, tão defendida pelo presidente George W. Bush mundo afora, está desfocada e com chuvisco. Um estudo realizado em 2001 com o noticiário produzido por ABC World News Tonight, CBS Evening News e NBC Nightly News mostra que 92% de todos os norte-americanos entrevistados foram brancos, 85% foram homens e, quando a identificação partidária foi possível, 75% pertenciam ao Partido Republicano, do próprio Bush.

A pesquisa foi produzida pela ONG Fairness & Accuracy in Reporting, que desde 1986 realiza trabalhos críticos sobre a imprensa do país. O monitoramento dos dados coube a Media Tenor, uma empresa alemã com escritório em Nova York e especializada em análise de mídia.

De acordo com o relatório oficial divulgado pela Fair, como é mais conhecida a ONG, a seleção enviesada das entrevistas apresentadas pelos três telejornais, que abocanham um quarto da audiência nos EUA durante a noite, afeta profundamente o processo democrático no país.

?A seleção de fontes favorece interesses das corporação que bancam anúncios nas emissoras, demonstrando uma clara tendência em privilegiar as opiniões de políticos poderosos e personagens do mundo econômico, enquanto vozes que poderiam desafiá-los recebem pouco espaço?, aponta o relatório.

Esta análise fica mais clara, ressalta a ONG, quando se analisa o vínculo político dos entrevistados pelos microfones das emissoras. Os dados mostram que 75% das fontes dos telejornais têm vínculo com o Partido Republicano, 24% com o Democrata e apenas 1% com outros partidos.

Mesmo as reportagens produzidas com políticos não filiados aos dois principais partidos do país focalizaram um personagem que teve vínculos com um deles. Tratou-se do senador James Jeffords, que em maio de 2001 rompeu com os republicanos e deu aos democratas a maioria do Senado. Na verdade, o único líder político independente entrevistado pelos três telejornais foi Ralph Nader, com 0,03% do total de aparições.

Embora os ataques terroristas realizados nos Estados Unidos em 11 de setembro pudessem, em tese, justificar o maior destaque dado às fontes oficiais do Partido Republicano, na prática verifica-se que mesmo antes dessa data o noticiário já era enviesado.

Antes dos ataques, os republicanos registravam 68% das aparições, os democratas 31% e os independentes 1%. No período seguinte, o índice os republicanos subiu para 87%, enquanto o dos democratas caiu para 13% e dos independentes manteve-se em 1%.

A pesquisa da Fair coloca em números, ainda, uma idéia recorrente entre os críticos da grande mídia: a população comum não é ouvida pelos jornalistas. Os dados mostram que apenas 20% das fontes entrevistadas não pertenciam à classe política ou a representantes do empresariado.

As aparições do povo tenderam a ficar limitadas a histórias relacionadas com crimes ou com o mundo do entretenimento, sendo praticamente descartadas quando os temas tratados são ?mais pesados?, como os relacionados ao ambiente político e econômico dos Estados Unidos.

Mais informações sobre a pesquisa podem ser obtidas na página www.fair.org."

 

"Cardeal acusa mídia dos EUA de anticatólica", copyright O Estado de S. Paulo, 8/06/02

"O cardeal hondurenho Oscar Rodriguez Maradiaga, considerado um dos possíveis candidatos à sucessão do papa João Paulo II, atacou a imprensa americana, acusando-a de utilizar métodos estalinistas e nazistas contra a Igreja na cobertura dos escândalos de abuso sexual contra crianças nos EUA.

Em entrevista à revista católica 30 Giorni, o cardeal atacou o vice-presidente da AOL Time Warner e criador da rede de TV CNN, Ted Turner, por ser ?abertamente anticatólico?. ?Os jornais The New York Times, Washington Post e Boston Globe também foram protagonistas e não vacilaram em definir uma perseguição contra a Igreja?, disse.

O artigo faz parte dos esforços coordenados pela imprensa italiana para adotar uma posição contra as críticas à Igreja, antes da reunião dos bispos americanos, prevista para a semana que vem, em Dallas, que vai discutir os casos de abuso sexual. Para o cardeal, os padres que cometeram erros graves devem responder em tribunais eclesiásticos ou civis, mas não ?pode haver caça às bruxas na Igreja?."

 

COCA COLA vs. ANTÁRCTICA

"Band já negocia abertura ao capital externo", copyright O Estado de S. Paulo, 9/06/02

"Começou a guerra dos guaranás. Amanhã, a Coca-Cola entra com representação no Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária (Conar) contra a campanha da concorrente AmBev e o seu guaraná Antarctica. O alvo é um comercial criado pela Carillo, Pastore Euro RSCG, em que a Coca-Cola é identificada com ?os gringos?, por patrocinar outras seleções de futebol, cujas camisas são mostradas, e encerra mostrando o Kuat com a provocação ?e eles chamam isso de guaraná?, enquanto o guaranáAntarctica aparece envolto na camisa da seleção brasileira.

Para o diretor de Marketing da Coca-Cola, Fernando Mazzarolo, o concorrente ?deu um soco em Kuat abaixo da linha da cintura, sem respeitar uma empresa que tem 50 anos de Brasil, usando de uma linguagem xenófoba ultrapassada.?

Para Mazzarolo, o único ponto positivo dessa campanha foi o reconhecimento, pelo concorrente, da existência de Kuat.

A briga começou, porém, com campanha do Kuat, da Coca-Cola, criada pela DPZ em que o tenista brasileiro Gustavo Kuerten, o Guga, pega um guaraná Antarctica e fica jogando o produto, de um lado para outro, até que o vendedor lhe entregue um Kuat, com o qual comemora a performance.

Patrocinadora oficial da seleção brasileira, com contrato por 18 anos, desembolsando US$ 10 milhões por ano, a AmBev aproveita a Copa para divulgar o guaraná Antarctica, enquanto a Coca-Cola, patrocinadora oficial da Fifa, usa o mesmo evento para divulgar seu carro-chefe.

O mercado de refrigerantes movimenta por ano no País cerca de R$ 1,2 bilhão, o que significa que cada ponto de mercado vale R$ 120 milhões. O guaraná Antarctica tem participação de 7,9% enquanto o Kuat de 3,6%. A briga promete novas raquetadas e boladas."

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