Terça-feira, 19 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

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Marcelo Billi

Por lgarcia em 25/12/2002 na edição 204

DONA DO CLARÍN PRESA

"Avós da Praça de Maio aprovam prisão da proprietária do ?Clarín?", copyright Folha de S. Paulo, 19/12/2002

"A associação Avós da Praça de Maio apoiou ontem a prisão de Ernestina Herrera de Noble, 77, principal acionista do Grupo Clarín, que edita o jornal ?Clarín? e é um dos maiores conglomerados de comunicação da Argentina.

Por ordem do juiz Roberto Marquevich, De Noble foi detida anteontem e, até o final da tarde de ontem, não havia sido interrogada. Ela é acusada de falsificação de documentos públicos, supostamente com a finalidade de adotar duas crianças que seriam filhos de desaparecidos políticos.

A Avós da Praça de Maio foi criada em 1976 por mães de desaparecidos políticos que queriam localizar seus netos. Estima-se que cerca de 30 mil argentinos tenham desaparecido durante o regime militar (1976-83). No período, foram sequestrados filhos de presos políticos. As crianças eram abandonadas ou adotadas por famílias que usavam certidões de nascimento falsas. A associação já localizou 73 dessas crianças.

No caso de De Noble, duas famílias desconfiam de que as duas crianças adotadas por ela sejam filhos de desaparecidos e, com a ajuda da associação, recorreram à Justiça para poder identificá-las.

A empresária é acusada pelo grupo há mais de dez anos. Ontem, os principais jornais argentinos publicaram textos que afirmavam que a prisão da diretora do ?Clarín? era ?abusiva? e que a decisão surpreendeu as Avós.

?Se causou surpresa, foi uma surpresa positiva. Há mais de dez anos estamos tentando conversar com a senhora De Noble?, disse Berta Shubaroff, das Avós. Em nota, o Grupo Clarín considerou a prisão abusiva, pois De Noble sempre ?prestou ativa colaboração? para a apuração do caso."

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"Juiz mantém presa a dona do ?Clarín?", copyright Folha de S. Paulo, 20/12/2002

"O juiz Roberto Marquevich negou ontem pedido da defesa de Ernestina Herrera de Noble, 77, para que a empresária, principal acionista do Grupo Clarín (que edita o jornal ?Clarín?), fosse liberada após prestar depoimento.

Presa na terça-feira passada, De Noble é acusada de ter usado documentos falsos no processo de adoção de seus dois filhos, que têm hoje 26 anos.

A associação Avós da Praça de Maio denunciou a empresária há cerca de dez anos, quando afirmava que havia indícios de que as crianças eram filhos de desaparecidos políticos.

Problemas de saúde

Ontem, ela prestou depoimento e se declarou inocente. O juiz não permitiu que De Noble deixasse a prisão depois de depor. Até o final da tarde, Marquevich não havia tomado uma decisão a respeito do pedido dos advogados para que a empresária ficasse em prisão domiciliar.

Os advogados argumentam que De Noble tem problemas de saúde e, além disso, por ter mais de 70 anos, teria direito à prisão domiciliar.

Anteontem, a defesa da empresária já havia tentado evitar a prisão, argumentando que a empresária tem problemas de saúde, mas o juiz negou o pedido e solicitou que uma junta médica examinasse De Noble.

As representantes das Avós dizem que o juiz ?fez o seu trabalho?. O Grupo Clarín emitiu nota em que considera abusiva a prisão."

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"Dona do ?Clarín? vai para prisão domiciliar", copyright Folha de S. Paulo, 21/12/2002

"A Justiça argentina transferiu ontem para prisão domiciliar a empresária Ernestina Herrera de Noble, 77, principal acionista do Grupo Clarín -um dos maiores grupos de comunicação do país. De Noble estava detida desde terça-feira por ordem de um juiz que analisa o caso de suposta falsificação de documentos no processo de adoção de seus dois filhos.

Segundo denúncia da associação Avós da Praça de Maio, é possível que as duas crianças adotadas por De Noble em 1976 sejam filhos de desaparecidos políticos. Anteontem, ela se declarou inocente das acusações de falsificação de documentos e se negou a responder perguntas da Justiça. Segundo o jornal ?Clarín?, ela disse que não havia condições mínimas para um julgamento justo.

A empresária e seus advogados deram poucas declarações. Na defesa, os advogados argumentam que os documentos da mãe de um dos filhos teriam sido falsificados sem o conhecimento da empresária. No outro caso, argumentam que a filha foi adotada seis meses antes do desaparecimento de uma criança cuja família suspeita ter sido entregue a De Noble.

Associações de empresas de comunicação e o presidente Eduardo Duhalde criticaram a atuação do juiz Roberto Marquevich. Na avaliação de Duhalde, ele teria atuado de forma ?teatral?.

Os advogados avaliam que a prisão foi resultado de ?abusos processuais?, que a empresária foi detida antes de ser convocada a depor e que o juiz postergou procedimentos para mantê-la detida."

 

"Dona do jornal Clarín é presa", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 19/12/2002

"Ernestina Herrera de Noble, principal acionista de um dos maiores conglomerados de comunicação da Argentina, o Clarín, foi presa nesta terça-feira, por ordem do juíz Roberto Marquevich. Ela está sendo acusada de falsificação de documentos públicos, supostamente com a finalidade de adotar duas crianças que seriam filhos de desaparecidos políticos da ditadura militar (1976-83).

O jornal reagiu imediatamente e pôs como manchete em quase metade de sua capa o título ?Detenção arbitrária da diretora de Clarín?. Além disso, o jornal fez fortes críticas contra Marquevich, afirmando que, neste tipo de caso, geralmente, o juiz deve enviar uma convocação formal para prestar depoimento e não uma detenção categórica. O Grupo Clarín também explicou que os advogados de Noble pediram à Justiça que ela possa cumprir prisão em casa, já que tem 77 anos e problemas de saúde.

Ernestina adotou as crianças logo após o golpe militar de 1976. Segundo ela, a primeira criança, registrada como Marcela, foi encontrada em uma caixa em frente à porta de sua casa. Em julho de 1976, Noble adotou um menino, Felipe, filho de uma muher que teria dado a criança à dona do Clarín.

A associação Avós da Praça de Maio apoiou nesta quarta-feira (18/12) a prisão da empresária. A associação foi criada em 1976 por mães de desaparecidos políticos que queriam localizar seus netos. Estima-se que cerca de 30 mil argentinos tenham desaparecido durante o regime militar. No período, foram seqüestrados filhos de presos políticos. As crianças eram abandonadas ou adotadas por famílias que usavam certidões de nascimento falsas. A Associação já localizou 73 dessas crianças. Organizações de defesa dos direitos humanos calculam que 500 crianças – raptadas com seus pais ou nascidas em cativeiros – teriam desaparecido nas mãos dos militares.

No caso da empresária, duas famílias desconfiam que as crianças adotadas sejam filhos de desaparecidos e, com a ajuda da associação, recorreram à Justiça para poder identificá-las. Ernestina é acusada pelo grupo há mais de dez anos."

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