Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES > REALITY SHOWS

Marcelo Migliaccio

Por lgarcia em 31/07/2002 na edição 183

REALITY SHOWS

“O jeitinho brasileiro contra um formato desumano”, copyright Folha de S. Paulo, 28/7/02

“O diretor do ?Big Brother Brasil?, J. B. de Oliveira, o Boninho, escapou com criatividade de uma armadilha do destino. Pegou um rabo de foguete ao assumir o ?reality show? comprado à Endemol, para muitos uma idéia fascista que aproveita a sede de fama e dinheiro de boa parte da população para trancafiar anônimos numa casa e escancarar as fraquezas que se potencializam no confinamento.

No primeiro ?BBB?, a coisa ainda foi punk. A bulimia de Alessandra exposta sem escrúpulos, participantes embriagados andando de quatro pela casa, Mariza Orth batendo cabeça com Pedro Bial e a imprevisível vitória do ?Forrest Gump? Kléber Bambam.

Mas, no segundo programa, que terminou na última terça, Boninho e sua equipe conseguiram se safar pela via do humor, dando um jeitinho brasileiro no formato pra lá de desumano.

Controlaram a bebida alcoólica, satirizaram o assédio de Thyrso a Manuela com a ?novela? ?Algemas da Paixão?, brincaram com a falta de asseio da aeromoça Cida e com a pouca cultura dos participantes, além de passarem por cima da transa entre Jéferson e Tarciana e livrarem o versátil Bial da deslocada Mariza.

O êxito do ?Big Brother 2? em audiência deveria ser uma lição para a Globo. Toda vez que a emissora aposta na criatividade de seus contratados, o resultado é surpreendente. Quando, no entanto, ela coloca os garrotes do ibope sobre o instinto criativo da turma, surgem programas sofríveis, como, por exemplo, as novelas ?Coração de Estudante?, agora desfigurada por Carlos Lombardi, e ?Malhação?, o pastiche do pastiche adolescente.”

 

“TVs mesclam programas de bom e mau gosto”, copyright O Estado de S. Paulo / The New York Times, 29/7/02

“Uma olhada na programação de televisão é capaz de provocar um torcicolo no espectador sem que ele precise mudar de canal, pois as grandes redes vão do extremo do bom gosto ao extremo do mau gosto. Independentemente da forma como se meça alto nível e baixo nível – seja pela renda e grau de instrução dos telespectadores, como fazem os processadores de números, seja pelos padrões de senso comum que determinam o que é bom gosto – as redes estão misturando comédias e dramas dos mais sofisticados com jogos e reality shows cada vez mais toscos.

Os altos executivos das redes concordam que essa cisão entre o bom e o mau gosto representa uma mudança permanente no cenário televisivo. Em conversas recentes, concordaram sobre os motivos. As redes estão fazendo sua programação para uma geração que foi criada assistindo programas como o Real World, da MTV e Double Dare, da Nickelodeon, um jogo infantil no qual os jogadores se cobriam com uma substância pegajosa verde.

Pressionadas pelas TVs a cabo, as redes estão agora oferecendo programas originais o ano inteiro. Do ponto de vista financeiro, significa que elas compensam os milhões gastos na produção de um seriado como Friends com espetáculos baratos. Para o telespectador, o resultado é que a televisão de mau gosto chegou para ficar.”

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