Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > RADIODIFUSÃO EM DEBATE

Marcos Pierry

Por lgarcia em 08/08/2001 na edição 133

RADIODIFUSÃO EM DEBATE

"Fórum aquece lobby japonês para TV digital", copyright O Estado de S. Paulo, 1/8/01

Mesmo sem a definição de um modelo a ser adotado no País, a TV digital já faz crescer os olhos das emissoras e publicitários. Não é à toa que o impacto comercial da nova tecnologia ganhou espaço privilegiado no Set 2001 – Broadcast & Cable, feira de negócios e congresso promovidos pela Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão e Telecomunicações (SET), de hoje a sexta-feira em São Paulo. O potencial de mercado da TV digital será pauta de um evento paralelo, o Fórum Set Business, que acontece hoje, com presença de representantes do governo, das redes e das agências.

Só a compra de equipamentos compatíveis ao sistema obrigaria as emissoras brasileiras a investirem US$ 300 milhões no prazo de até sete anos. Em termos globais, incluindo a troca dos quase 60 milhões de televisores em uso no Brasil e serviços agregados possibilitados pelo e-commerce, a movimentação chegaria a US$ 100 bilhões, segundo o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, que fará a abertura do evento, às 9 horas.

Já a escolha de um modelo (americano, europeu ou japonês) de TV digital para o Brasil é um capítulo longe do fim. O resultado não deve sair antes de dezembro e o governo ainda não manifestou sua opção. A SET defende o modelo japonês sob o argumento de ser o único capaz de transmissão móvel em alta definição. Na sexta-feira, defensores de cada padrão venderão seu peixe.

A estimativa de público para os três dias de evento é de 10 mil pessoas, que irão ouvir muito sobre TV digital, mas também sobre outros temas. Por exemplo, amanhã, às 15 h, Daniel Filho (Globo) e José Fernando Pelégio (SBT) falarão sobre efeitos especiais e visuais na TV e no cinema."

 

"Monopólio da Internet pela TV digital é ‘uma tolice’, diz ministro", copyright O Estado de S. Paulo, 2/8/01

"O ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, classificou ontem como ?mais uma tolice? a preocupação com a possibilidade de as emissoras de televisão monopolizarem o acesso à Internet via TV digital. Segundo o ministro, que participou da abertura do evento SET 2001, em São Paulo, a plataforma tecnológica não pode ser utilizada para o serviço de acesso em termos competitivos.

Na terça-feira, o Estado noticiou que os provedores de Internet estão preocupados com a possibilidade de as emissoras controlarem o acesso à rede mundial pela nova plataforma tecnológica. O anteprojeto de Lei de Radiodifusão, em consulta pública pelo Ministério das Comunicações, não prevê o acesso de outros prestadores de serviço de dados à plataforma de TV digital aberta, como ocorre, por exemplo, com as regras para TV a cabo.

Pimenta disse que vem sofrendo ?ataques perniciosos? de pessoas que defendem interesses de grandes grupos, porque o anteprojeto estimula a criação de redes regionais. O ministro anunciou que planeja realizar, na primeira semana de setembro, um seminário internacional para discutir o anteprojeto de lei.

As emissoras compartilham da opinião do ministro em relação ao acesso à Internet via TV digital. ?A plataforma não será meio para a Internet como nós a conhecemos hoje?, afirmou o coordenador da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão e Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão e Telecomunicações, Fernando Bittencourt.

O executivo disse que é inviável a comunicação ponto a ponto, como na Internet, pela TV digital, por causa das restrições de radiofreqüência. A faixa utilizada pela TV aberta equivale a uma capacidade de cerca de 20 megabits por segundo (Mbps), ou cerca de 360 vezes a velocidade de uma conexão discada convencional.

Segundo Bittencourt, seria impossível atender, com esta capacidade, uma cidade grande, como São Paulo, com 4,8 milhões de domicílios com TV. ?Se 8% dos telespectadores utilizassem o acesso à Internet, e alocássemos 25% da capacidade para o serviço, a velocidade para cada um seria muito pequena?, argumentou Bittencourt. Ou seja, um serviço convencional de linha discada seria mais de 4 mil vezes mais rápido do que pela TV.

A conta, porém, não é simples. No caso da TV a cabo, um canal equivale a uma capacidade de 30 Mbps. Segundo o diretor de tecnologia da TVA, Virgílio Amaral, podem ser atendidos a cerca de 6,5 mil usuários com esta capacidade.

Isso ocorre porque, enquanto alguns estão recebendo informações, outros estão lendo e consultando as informações recebidas.


Correio – O diretor regional para América Latina da Philips, Carlos Cardoso, confirmou não ser possível oferecer acesso completo à Internet para todos os usuários via TV digital. ?Não seria como a Internet aberta, mas é possível oferecer um número limitado de serviços, como comércio eletrônico e serviços bancários?, disse o executivo. Cardoso citou a empresa britânica On Digital, que está oferecendo correio eletrônico por meio da TV digital.

O executivo australiano John Bigeni, representante do padrão europeu DVB, disse ser possível oferecer acesso à Internet via TV digital. Outras alternativas de interatividade seriam a linha telefônica convencional e o sistema celular.

Na feira Broadcast & Cable, que ocorre em paralelo com o seminário da SET, a empresa norte-americana I-Blast está demonstrando uma solução de serviço de dados utilizando a faixa de freqüência UHF. Os serviços podem ser acessados por meio da TV ou do computador. A solução da I-Blast permite que se assista a filmes sob demanda, que se compre filmes e livros e receba serviços de informação, em formato da Internet, com sons e imagens."

    
    
                     

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