Domingo, 24 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > GAZETA vs. TANURE

Maria Carolina Maia

Por lgarcia em 11/12/2002 na edição 202

GAZETA vs. TANURE

“Tanure briga na Justiça para ter de volta dinheiro posto na Gazeta”, copyright Cidade Biz, 5/12/2002

“A JB Comercial S.A., do empresário Nelson Tanure, recorreu à Justiça para ter de volta a quantia que injetou no ano passado na Gazeta Mercantil em dinheiro. Tanure cobra os R$ 2,2 milhões – hoje R$ 2,5 milhões – que pôs na Gazeta quando o diário econômico fiava parceria com o seu Jornal do Brasil. A Gazeta desistiu do negócio e, um ano depois, ainda não devolveu o dinheiro, que o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro lhe permitiu o condicionamento do arresto – apreensão judicial de bens do suposto devedor para garantia – em garantias bancárias, imóveis e ações. Tanure quer o dinheiro.

?Eles passaram a perna na gente?, diz o advogado Alexandre Carneiro Monteiro, diretor jurídico do grupo JB. ?Nós entramos com a ação para reaver o dinheiro em maio e, desde então, a Gazeta vem nos embromando?, afirma, ?até ofereceu como pagamento uma fazenda que não existe?. De acordo com Monteiro, Tanure prefere receber em dinheiro a receber em ações, porque uma participação na Gazeta nunca foi seu principal objetivo. ?O que ele queria era uma joint venture como a que fez com O Dia, assinada nesta quarta.?

No último dia 28, a juíza Neusa Regina Larsen de Alvarenga Leite, da 21? Vara Cível da Capital do Rio, determinou a penhora dos bens da Gazeta e sentenciou o arresto de seu call center. A central de atendimento é o principal ativo da empresa, com receita anual de R$ 68 milhões. Mas a juíza condicionou o arresto a dinheiro. O JB teria de dar caução para arrendar e ter direito de administrar a central, o que, segundo Monteiro está em desacordo com e a lei, já que o JB é o credor. O advogado recorreu da decisão.

A Gazeta Mercantil vai recorrer da decisão judicial que penhorou seus bens, por considerar que a dívida não é legítima, é objeto de discussão. O recurso será apresentado ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, assim que a decisão judicial for publicada no Diário Oficial da União, o que pode ocorrer ainda esta semana. O diário econômico tem outra dívida, da ordem de R$ 5 milhões, com Sérgio Thompson-Flores, um dos sócios da Worldinvest, que trabalhou no processo de reestruturação do jornal no período de um ano. A Gazeta também está com o aluguel atrasado do imóvel onde está instalada.

Tanure ainda possui debêntures da Gazeta que pertenciam ao Bank of America. O passivo deve ser quitado até 31 de dezembro, com possibilidade de prorrogação por seis meses. Se a Gazeta não pagar, Tanure terá direito a participação no jornal.”

“?Levy foi desonesto com Tanure?”, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 5/12/2002

“Diretor jurídico da Docas Investimentos, holding de negócios de Nelson Tanure, Alexandre Carneiro Monteiro recorreu da decisão da juíza Neusa Regina de Alvarenga Leite, da 21? Vara Cível da Capital do Rio de Janeiro, de condicionar o arresto do call center da Gazeta Mercantil em dinheiro. ?Ao invés de condicionar isso em móveis, ela acabou me onerando. O artigo 816, inciso 2? Código de Processo Cível, não fala em dinheiro. Não temos R$ 2,5 milhões para botar em juízo?, queixa-se Monteiro, afirmando que o único interesse de Tanure, controlador do Jornal do Brasil e da Forbes Brasil, é ter os R$ 2,5 milhões que emprestou para a Gazeta de volta. ?O que o Levy fez com o Tanure foi uma sacanagem, uma desonestidade?, completa, referindo-se à fazenda que Luiz Fernando Levy, presidente da GZM, ofereceu em troca do pagamento da dívida e que, segundo o advogado, não existe.

Monteiro criticou a escolha de Roberto Epelbaum como depositário. Ele atuará como administrador e terá que apresentar um relatório e definir como e quando a Gazeta deverá pagar a dívida com a JB Comercial, de Tanure. ?Eu sugeri o empresário Sérgio Thompson-Flores, mas a juíza não aceitou. Acho que Epelbaum é um profissional respeitado e de credibilidade, mas nunca trabalhou com uma empresa de mídia. Acho que vai titubear nas decisões?, opina. O advogado pretende também entrar com agravo para questionar a escolha da juíza.

Ele acredita que, por mais esforços que Levy faça, não vai conseguir cancelar a decisão judicial. ?Ele pode contratar os melhores advogados e ter uma grande influência política, mas não há lobby que possa mudar isso?.

Quanto aos US$ 30 milhões que a Gazeta deve ao Bank of America, negociados com a JB Comercial, Monteiro informou que, pelo menos por enquanto, Tanure ainda não decidiu se vai querer comprar os debêntures até o dia 31/12 ou se vai querer prorrogar esse prazo, até no máximo dia 30/06/03. Quando Tanure comprar essa dívida ele assume automaticamente o controle acionário da GZM. A única saída da Gazeta seria pagar essa dívida com o Bank of America antes de Tanure se manifestar.

Através de sua secretária, Levy disse que não vai se pronunciar sobre o assunto.”

“Gazeta trava com Tanure disputa na Justiça do RJ”, copyright Folha de S. Paulo, 5/12/2002

“A batalha judicial entre a JB Comercial S.A, do empresário Nelson Tanure, e a Gazeta Mercantil, da família Levy, deve esquentar. A JB, credora da Gazeta, recorreu da decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que condicionou o arresto (apreensão judicial de bens do suposto devedor para garantia) em dinheiro.

?Recorri da decisão para que o tribunal permita que o arresto possa ser feito em imóvel, carta de garantia bancária e ações?, afirma Alexandre Carneiro Monteiro, diretor jurídico da Docas Investimentos, holding de negócios de Tanure.

No dia 28 de novembro, a juíza Neusa Regina Larsen de Alvarenga Leite, da 21? Vara Cível da Capital do Rio de Janeiro, determinou a penhora dos bens da Gazeta Mercantil e sentenciou o arresto de seu call center, considerado o filé mignon da empresa.

Em sua decisão, ela diz: ?Tendo em vista que a devedora ofereceu como bem a ser penhorado imóvel de terceiros deve ser aceita a indicação da parte credora da penhora recair sobre o estabelecimento comercial da executada.? Em sua sentença, ela nomeou como depositário Roberto Epelbaum, que deverá apresentar honorários e forma de administração da empresa em dez dias. Também escreveu: ?Venha a caução na forma do artigo 816, inciso 2? do Código de Processo Cível, que deverá ser em dinheiro.?

A JB Comercial informa que tem a receber da Gazeta R$ 2,5 milhões. ?Queremos receber esse dinheiro?, afirma Carneiro Monteiro. Ele diz que a direção da Gazeta reconheceu essa dívida em documento assinado no dia 11 de dezembro de 2001.

Desde maio deste ano, a empresa de Tanure tenta receber esse dinheiro na Justiça. ?Eles perderam prazo de oferecimento de bens e também chegaram a oferecer uma fazenda que não existe.?

A Gazeta Mercantil vai recorrer da decisão judicial que penhorou seus bens, por considerar que a dívida não é legítima, é objeto de discussão. O recurso será apresentado ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, assim que a decisão judicial for publicada no Diário Oficial da União, o que pode ocorrer ainda hoje, segundo Carneiro Monteiro.

A Gazeta Mercantil tem outra dívida, da ordem de R$ 5 milhões, com Sérgio Thompson-Flores, um dos sócios da Worldinvest, que trabalhou no processo de reestruturação do jornal no período de um ano. A Gazeta também está com o aluguel atrasado do imóvel onde está instalada.

O empresário Nelson Tanure começou seu negócio com a família Levy a partir de um acordo entre a Gazeta Mercantil e o Jornal do Brasil, que pertence a Tanure, para venda conjunta de anúncios em 2000, quando teria colocado os R$ 2,5 milhões no negócio.

A Worldinvest passou a reestruturar o jornal depois que os dois empresários não se entenderam. A parceria também não foi para a frente. Procurada pela Folha, a direção da Gazeta Mercantil não se pronunciou.”

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