Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > STARMEDIA EM CRISE

Mario Cavalcanti

Por lgarcia em 26/06/2002 na edição 178

WEBJORNALISMO

"Mãozinha para estudantes de jornalismo (II)", copyright Comunique-se, 18/6/02

"Há duas quinzenas escrevi a primeira parte deste artigo, na qual comecei uma coletânea de depoimentos meus sobre o setor de jornalismo online dados a estudantes de comunicação. A idéia é esclarecer as dúvidas mais comuns entre os universitários e simpatizantes desta área. Acompanhe abaixo.

Estudantes – A Internet contém um excesso de informações que muitas vezes torna a leitura um pouco cansativa. Qual fator você considera mais importante para conseguir prender a atenção do leitor?

Mário Cavalcanti – A Web, com todo o seu gigantismo, fez o termo ?overdose de informação? entrar em evidência. Uma pessoa não consegue se informar diariamente em todos os sites de notícias. Existem vários fatores responsáveis por fazer um usuário visitar freqüentemente um determinado site. Considero a preocupação com o visitante um dos mais importantes. O veículo tem que saber tratar suas notícias com atenção e pensando no internauta. É assim que se consegue a confiança do leitor. O segmento é outro grande fator. Um veículo segmentado tem grandes chances de ter usuários fiéis, basta ter um espaço no mercado, público para isso e – batendo na mesma tecla – dar atenção ao conteúdo.

Estudantes – Por apresentar uma maior facilidade na veiculação de informações, a Internet também abriu caminho para a disseminação de boatos e mentiras. Já escutei muitos usuários da Web dizerem que nem sempre confiam nas informações contidas na mesma e muitas vezes recorrem ao jornal ou à TV para terem certeza de um fato. Você acha que isso representa uma ameaça real para os sites de notícias?

MC – Além de outras características, a Internet também ganhou popularidade por ser uma mídia que permite qualquer um ter o seu próprio site de notícias. Isso é uma faca de dois gumes, apesar da fascinante idéia de democratização que a Web carrega. Se não fosse na Internet, dificilmente eu teria o meu veículo, o JW, em outra mídia. Ao mesmo tempo em que surgem bons sites noticiosos e de pequeno porte, surgem também muitas picaretagens. Todos corremos o risco de consumir uma informação falsa, mas acredito que os internautas estão ficando cada vez mais exigentes e astutos. Apesar de sites noticiosos de grande porte ou que já ganharam respeito não correrem muito esse risco, vale lembrar que há a probabilidade de se consumir informação falsa em qualquer mídia, visto que hoje em dia muitos veículos utilizam a Web como ferramenta de pesquisa. Da parte dos veículos, cabe sempre uma boa confirmação da veracidade do que se vai publicar.

Estudantes – Atualmente, a Internet está passando por uma fase tensa, com a quebra de diversos sites. Como está o mercado de trabalho nessa área atualmente? E como você acha que será o futuro do jornalismo na Web?

MC – Posso dizer, por experiência própria e pela quantidade de contatos que eu tenho, que o mercado, para quem quer trabalhar com Internet, está muito disputado. Aliás, o mercado jornalístico inteiro hoje em dia está disputado. Quem é do meio sabe que isso não é novidade. A quebra de diversos sites realmente tem deixado muita gente no olho da rua. Como se não bastasse o mundo inteiro estar passando por problemas econômicos, a Internet ainda é vítima da desconfiança, arrogância e falta de credibilidade de muitos investidores, agências de propaganda e possíveis anunciantes.

Estudantes – Mesmo sendo difícil prever, como será o futuro desta união?

MC – O mais importante é encarar o jornalismo online como um novo meio, uma nova forma de apresentar notícias. Cada meio tem suas características. O jornalismo e a Web têm tudo para estar em permanente lua-de-mel. Isso não quer dizer que a Internet é a melhor mídia, mas é uma com um grande potencial.

Estudantes – Em que medida o Jornalismo Digital representa uma nova proposta jornalística?

MC – No jornalismo digital, tecnologia e comunicação caminham juntos. Nos últimos anos, muito desses dois campos foram aproveitados para se propagar informações com mais eficiência. A Internet, principal via do jornalismo digital hoje em dia, também contribuiu para tornar o cenário jornalístico mais ágil. Hoje em dia, qualquer redação, seja online, impressa, radiofônica ou televisiva, utiliza a Internet. Pode-se dizer que o jornalismo digital representa uma nova proposta jornalística, pois é uma área com grandes possibilidades de expansão, tendo em vista a rápida disseminação das tecnologias e a popularização de novos canais de informação, como os dispositivos móveis (como telefones celulares).

Estudantes – Dentre as principais característica hipertextuais existentes na Internet, qual você considera mais relevante para o jornalismo digital?

MC – Acredito que cada uma dessas características tem um papel importante no cenário jornalístico digital. Particularmente, aprecio a interatividade, característica natural da Web e que não vejo muito presente em outros veículos, como a televisão e o jornal impresso. Aprecio a interatividade, pois, hoje em dia, o leitor não quer só ler. Ele quer comentar, discutir, complementar uma informação. O consumidor não quer só receber, ele quer buscar, ir atrás daquilo que lhe interessa.

Como uma pessoa apaixonada e ligada ao campo de jornalismo online, espero, com esse artigo, ter esclarecido dúvidas e ajudado a levantar boas discussões."

"Governo federal faz sua primeira campanha publicitária na Internet", copyright Folha de S. Paulo, 23/06/02

"O governo federal, pela primeira vez em sua história, passou a fazer propaganda em sites da internet. Desde a última segunda-feira, a campanha, que celebra os oito anos de governo de Fernando Henrique Cardoso, pode ser vista em 20 sites de notícias.

Essa mesma campanha já foi exibida nos demais veículos de comunicação -TVs, rádios, jornais e revistas-, como o governo faz habitualmente.

O projeto é chamado de ?comunicação integrada de governo? e mostra números considerados como avanços conseguidos pelo governo, nos últimos oitos anos, na saúde, na educação e na área das telecomunicações.

É mostrada a evolução no número de telefones celulares, de telefones públicos, de usuários de internet, de agentes de saúde da família e da porcentagem de crianças na escola no país.

Segundo a Secom (Secretaria de Comunicação do Governo), responsável pela campanha, não é possível determinar os custos da campanha porque o espaço publicitário foi cedido ao governo federal pela estatal de eletricidade Furnas e pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), que já possuíam essas cotas. O nome das duas aparece em todas as propagandas, até mesmo nas que falam de saúde e educação.

Não foi contratada agência de publicidade. A campanha foi desenvolvida pela própria Secom.

Os custos para veicular propaganda na internet variam. Um site que apresenta a propaganda do governo é o investnews.com.br. Anunciar em sua página inicial pode chegar a R$ 30 mil por mês."

 

STARMEDIA EM CRISE

"StarMedia demite equipe de conteúdo do Rio", copyright Comunique-se, 21/6/02

"O Portal StarMedia demitiu nesta sexta-feira (21/06) toda a equipe de conteúdo do Rio. Foram ao todo dez jornalistas. Segundo fonte na empresa, os funcionários já sabiam das demissões. ?A StarMedia está mudando de sala. Soubemos que só há dez lugares. Não daria para todo mundo?, contou.

A partir de agora São Paulo será o centro do Jornalismo do site. No Rio, só uma pessoa escreverá para o conteúdo: Juliane Calaes, que fará o Guia RJ.

?Desde que a antiga gerente de conteúdo no Rio saiu e foi substituída por Rogério Voltan, que fica em São Paulo, já ficamos de sobreaviso?, diz a fonte.

O site StarMedia vem passando por dificuldades desde o ano passado, quando foi obrigada a sair da Nasdaq devido à suspeita de fraude nas informações contidas no último balanço. Desde então, o foco da empresa passou a ser voltada para a operação mobile (serviços de conteúdo via celular). A direção chegou a vender o site de busca Cadê para o concorrente Yahoo!Brasil. Na época, a direção afirmou que a venda nada tinha a ver com os problemas financeiros da companhia. ?Estamos nos concentrando em serviços corporativos e de internet móvel. O sistema de busca estava fora de nossa estratégia?, disse, em janeiro passado, José Manuel Tost, diretor de operações."

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