Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > MÍDIA PARA JOVENS

Mario Lima Cavalcanti

Por lgarcia em 05/06/2002 na edição 175

ENTREVISTA / ANTONIO BRASIL

"TJ online começa a tomar vulto no Brasil", copyright Comunique-se, 28/5/02

"Quem conhece pelo menos um pouco da vida profissional de Antonio Brasil sabe que se trata de uma pessoa extremamente conhecedora do meio televisivo. Há mais de 30 anos trabalhando como jornalista de TV, Brasil também é professor de telejornalismo e coordenador do departamento de jornalismo da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).

Brasil vem há algum tempo apostando em um campo ainda não muito explorado: o telejornalismo online. Em apenas dois anos, ele já realizou dois seminários sobre o tema, coordenou o TJ Uerj – primeiro telejornal universitário diário na Web – e agora lança uma obra impressa e em CD-ROM sobre o assunto.

Recentemente conversei com Antonio Brasil sobre o atual cenário brasileiro e internacional de telejornalismo (TJ) online:

Comunique-se – Quando surgiu o TJ online no Brasil e no mundo?

Antonio Brasil – Poderíamos dizer que, no Brasil, o TJ online surge com a ida do Paulo Henrique Amorim para o UOL News, em julho de 2000, seguido pela Lilian Witte Fibe, em novembro do mesmo ano, no site do Terra. Nós, do TJ Uerj, produzimos o primeiro telejornal experimental universitário do país a partir de abril de 2001. Estamos há um ano no ar, já transmitimos diariamente ao vivo e temos um arquivo com cerca de 250 matérias produzidas durante esse período. É muita coisa para um telejornal universitário numa universidade pública brasileira.

Quanto ao TJ online no mundo, várias empresas nos EUA começaram a trabalhar especificamente nessa área. Existem muitos exemplos, mas um dos principais é o www.msnbc.com, um projeto conjunto entre a Microsoft e a NBC. Todos nós somos conseqüência direta da tecnologia disponível. Quando passaram a viabilizar o vídeo na rede, os telejornais se tornaram inevitáveis.

Comunique-se – Como você vê o cenário atual de telejornalismo online em universidades?

AB – Estamos começando e crescendo. O projeto original de uma rede de TJ universitário no portal do Telejornalismo.com, do Prof. Luiz Carlos Bittencourt, está começando a gerir novos produtos. Em breve vai entrar no ar o TJ UFRJ e muitas universidades de outros estados já estão se preparando para embarcar na mesma. Seremos uma alternativa ao ?fracasso? da proposta de TVs Universitárias nas TVs por assinatura brasileiras. Imagine um Jornal Nacional ao vivo, com a participação de universidades de todo o país em tempo real e online?

Comunique-se – Quais as vantagens do telejornalismo online em relação ao tradicional?

AB – Até agora as pessoas insistem em nos comparar com o telejornalismo tradicional e não percebem que somos uma proposta totalmente nova. TJ online significa uma verdadeira democratização da produção de telejornais em nosso país. Agora não são mais os donos de TV – com seus impérios econômicos – ou as TVs públicas – com seus compromissos políticos – os únicos detentores da linguagem do telejornalismo. Qualquer universidade, condomínio ou empresa poderá produzir o seu próprio telejornal online. Telejornalismo é uma linguagem, e não um tipo de noticiário restrito às TVs. É uma linguagem poderosa, que tanto pode eleger um presidente como o síndico do seu prédio. Tudo vai depender de como é utilizada.

Comunique-se – Em algum país o TJ online já faz parte do cotidiano das pessoas?

AB – Aqui no Brasil, o TJ online já faz parte do cotidiano dos estagiários e voluntários dos laboratório de TV da Uerj. Eles fazem telejornalismo de gente grande diariamente. Algumas pessoas curiosas já acessam o nosso telejornal com regularidade. Os motivos são vários. Alguns rapazes assistem porque se apaixonam pelas apresentadoras, outros porque acreditam que estão vendo o futuro e outros porque gostariam de fazer algo parecido. Também faz parte do cotidiano de muita gente nos EUA que já vive de TV na Internet e que assiste da mesma forma que algumas pessoas assistiam a TV nos anos 50.

Os TJs farão parte do cotidiano das pessoas quando passarmos a falar algo diferente da TV. Esta é a principal questão. Nosso problema não é tecnologia, mas conteúdo. Temos que mostrar algo diferente da TV. Por enquanto, a primeira TV online do país, a allTV, não passa de rádio jovem FM na Rede, mas daqui a alguns anos será uma opção viável de comunicação segmentada.

Comunique-se – O que os leitores podem esperar da obra ?Telejornalismo On-Line em Debate??

AB – Trata-se do primeiro livro brasileiro sobre uma nova área da comunicação: o TJ online. É uma obra modesta. Apesar da falta crônica de recursos e patrocínios, conseguimos fazer o ?I Seminário de TJ Online? e os depoimentos são bastante instigantes. O diferencial fica por conta do nosso compromisso com a linguagem audiovisual da TV mesmo num livro sobre telejornalismo.

A partir de agora, qualquer livro sobre TV ou TJ deveria pensar seriamente em dispor de recursos multimídia. É muito difícil falar de TV e não mostrar as imagens. Os leitores dessa obra poderão tanto ler como assistir aos debates como se estivessem conectados na Internet. Já estamos produzindo o segundo livro com os debates do ?II Seminário Internacional de TJ Online?, que aconteceu no dia 14 de maio, na Uerj.

Nós, do laboratório de TV da Uerj, temos um compromisso com o presente, mas gostaríamos de apontar as alternativas para o futuro. Ficar reclamando de tudo, lembrando o passado e dizendo que o futuro será negro, não ajuda muito. Devemos respeitar os jovens de hoje e reconhecer que, ao contrário das previsões pessimistas, o futuro, com certeza, será melhor."

 

DEFICIENTES & IMPRENSA

"Jornalistas deficientes vencem preconceito", copyright Comunique-se, 29/5/02

"Paulo Rodrigues, Edson Batista Júnior e Marcus Aurélio Carvalho são exemplos de profissionais de imprensa capazes de ultrapassar limites para fazer aquilo de que gostam. Os três têm em comum a profissão e o fato de serem deficientes visuais. Nada que atrapalhe o trabalho. Pelo contrário, os ouvidos estão tão apurados que eles são capazes de fazer coisas que até Deus duvida.

O cearense Paulo Rodrigues é portador de retinose pigmentar, doença degenerativa que resultou na perda da visão. Tem 62 anos e há 18 trabalha em rádio. Passou pelas rádios Clube, Iracema e Metropolitana, todas de Fortaleza. ?Trabalhava na rádio escuta. Toda vez que um time fazia gol eu passava a informação para o programador?, conta. A memória de Rodrigues é tão boa que ele ganhou o apelido de ?homem computador?. Consegue memorizar tudo que escuta durante o dia para fazer uma retrospectiva do esporte em seu programa ?Plantão Esportivo?, que vai ao ar das 23h à meia-noite, na Rádio Verdes Mares. Até os números da loteria esportiva ele decora.

Rodrigues é tão determinado que decidiu aprender a usar o computador e programas voltados para deficientes visuais, como o sistema Dos-Vox, para, em breve, criar um portal informativo só de esporte. ?Minha paixão é o futebol. Almoço e janto futebol?, diz.

Tamanha dedicação foi reconhecida em 1991, quando ganhou o Troféu Imprensa pela Rádio do Povo AM, de Fortaleza. Foi considerado o melhor profissional do ano do meio rádio. Também levou o Bola de Ouro, em 1997.

Edson Batista Júnior, 28 anos, é assessor de Comunicação da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte. É portador de glaucoma congênito. Perdeu totalmente a visão na adolescência. Quando passou para a Universidade Federal de Minas Gerais teve que contar com a Biblioteca, onde gravavam os textos, e com o apoio dos colegas, para estudar.

O primeiro trabalho na área foi para o site Lanetro.com, um guia cultural online. Ele cobria teatro e gastronomia. O mais interessante é que, como trabalhava como colaborador, não tinha contato nenhum com o escritório de São Paulo. ?Nunca souberam que eu sou cego. Não queria que facilitassem as pautas?, conta. O contato com o escritório era feito por telefone e e-mail.

Na Prefeitura, ele é responsável pela rádio escuta. A partir das informações ali colhidas, escreve resenhas e relatórios, enviados por e-mail para a chefia. Também apura e escreve para o informativo diário BH Notícias. Tudo com a ajuda do sistema Dos-Vox.

Batista utiliza estratégias que facilitam o trabalho. Fotografa tudo que acha que deve ser interessante e que possa contribuir para um texto. ?Fotografo mas sem a intenção de ser objetivo. A máquina fotográfica funciona como uma extensão da visão que não tenho. Quando preciso descrever detalhes de um lugar que estive, fotografo e levo as fotos para minha mulher ou para os colegas de trabalho. Eles descrevem e eu escrevo?.

Marcus Aurélio Oliveira vem construindo uma carreira de sucesso. Atualmente, é coordenador nacional de esportes da Rádio CBN. Também apresenta um programa à tarde. Com 40 anos, 20 deles dedicados ao rádio, ele divide o tempo entre o trabalho de correspondente da Rádio Reb, mexicana, as aulas de História do Rádio e Radiojornalismo nas Faculdades Carioca e Pinheiro Guimarães, as ongs Criar Brasil e UNIRR e palestras e cursos em todo o país.

Oliveira tem apenas 10% de visão do olho esquerdo e não enxerga do direito. Teve catarata seguida de glaucoma. Tem quatro óculos, para andar, ler, enxergar de longe e bifocal.

Desde 1981 ele trabalha em rádio. Passou pela Roquete Pinto, Mauá, Tamoio e Tupi. Nesta última, foi repórter de campo e apresentador. ?Sofri muito preconceito no trabalho. Fui escalado para cobrir a Copa de 86, mas acharam que eu não teria capacidade de realizar a função?, lamenta."

 

MÍDIA PARA JOVENS

"ONG discutirá mídia para jovens", copyright Folha de S. Paulo, 2/6/02

"Discutir a mídia para crianças e adolescentes, refletir sobre a programação das TVs e propor transformações. Esses são os principais objetivos do Centro Brasileiro de Mídia para Crianças e Jovens, ONG em processo final de estruturação (deve ser oficializada dentro de um mês) composta por jornalistas, produtores e pessoas ligadas às áreas de comunicação e educação.

A presidente da nova entidade, Beth Carmona, diretora de programação dos canais Discovery no Brasil, afirma que a idéia surgiu em 1999 -quando ela e um grupo de profissionais organizaram o ?Encontro de TV e Qualidade?, no Sesc Paulista, em São Paulo- e ganhou força no ano passado, durante a 3? Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Jovens, na Grécia. ?Nós queremos que os profissionais que trabalham com a mídia pensem a respeito disso. E queremos também atingir o público consumidor, que, muitas vezes, não dispõe de mecanismos para intervir na qualidade do que vê?, diz.

A ONG já está se organizando para trazer a próxima cúpula para o Brasil. ?Esse evento acontece a cada três anos, e o próximo, em 2004, vai ser organizado por nós, no Rio de Janeiro?, anuncia. Segundo ela, a necessidade de discutir a mídia para crianças e adolescentes é imperativa porque, nessa idade, as pessoas ainda estão em formação e precisam de boas referências. ?Nós achamos que só com a formação e a educação poderemos transformar algo?, diz Beth, que é ?jornalista amiga da criança?, título concedido pela Andi (Agência de Notícias dos Direitos da Infância).

A influência que a mídia exerce sobre as crianças e a formação dos profissionais que trabalham nela são os temas que mais preocupam o grupo. ?Os profissionais saem da universidade, entram num mercado viciado e se esquecem um pouco da sua responsabilidade social. Nós queremos fazer com que eles reflitam sobre o seu trabalho?, afirma Beth, explicando que o grupo se debruçará prioritariamente sobre a mídia eletrônica, ou seja, TV e internet.

O Centro Brasileiro de Mídia para Crianças e Jovens quer preparar as pessoas para uma mídia de qualidade. Mas o que seria isso? ?Uma mídia que possa ampliar o conhecimento, que não deturpe os fatos e que promova a variedade?, diz Beth, diretora de programação da TV Cultura até 1998.

?É um tema que preocupa as pessoas do mundo inteiro. Existem organizações como a que queremos fundar nos Estados Unidos, na Europa e na Austrália.?

Uma das maiores preocupações dessas entidades é a violência a que a TV expõe os jovens. ?Não queremos uma TV cor-de-rosa, onde a violência não exista, mas as ações precisam ser justificadas. A TV é uma concessão pública e tem que ter compromisso com a sociedade?.

Para ela, programas como ?Castelo Rá-Tim-Bum? (Cultura) e ?Sítio do Picapau Amarelo? (Globo) são bons exemplos de programação de qualidade na TV aberta."

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