Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > PRÊMIO ESSO

Mario Lima Cavalcanti

Por lgarcia em 04/12/2002 na edição 201

SALON.COM EM CRISE

"Salon.com: luta pela sobrevivência", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 26/11/02

"Lutando para sobreviver, a Salon.com, uma das mais consagradas revistas online, aposta em uma incomum proposta de publicidade: oferecer acesso grátis para quem assistir à propaganda. A notícia, da Associated Press, teve rápida proliferação nos veículos norte-americanos que abordam mídia digital. Mas isso daria certo?

Segundo o site Poynter.org – que já havia previsto tal manobra -, o usuário que, por exemplo, clicasse nos quatro anúncios da Mercedes Benz veiculados no Salon.com, ganhava 12 horas de acesso a todo o conteúdo pago do magazine. A Salon.com está chamando esse modelo comercial de ?Ultramercial? e é uma alternativa para o serviço Premium do site, que custa de US$ 18.50 a US$ 30 por ano. Levando em consideração que um usuário gasta cerca de 10 segundos para clicar nos quatro anúncios, talvez seja um bom negócio, se você não for tão apressado.

A Salon.com já vem lutando por sua sobrevivência há um bom tempo. Em junho deste ano, a publicação quase fechou por não ter uma fonte de investimentos, encarando uma dívida de cerca de US$ 76 milhões e funcionando com somente um terço dos fundos do ano passado.

Apesar dos ?Ultramerciais? parecerem novidades, não é a primeira vez que a Salon.com aposta em uma solução relacionada à publicidade. Em setembro de 2001, foi introduzido no site outro modelo de propaganda onde o usuário, ao clicar em um link, é obrigado a assistir a um comercial antes de ver a página solicitada. A propaganda era exibida apenas uma vez por dia para cada usuário.

Segundo a jornalista e webwriter Monica Abrantes, tal modelo lembra a rotina dos telespectadores: ?Eu particularmente achei um absurdo. Onde está a interatividade? Eles estão impondo uma situação para os internautas. Me senti assistindo à televisão, tendo que esperar o anúncio acabar para ver o que realmente queria?, diz.

Além dos ?Ultramerciais?, a Salon.com continuará com outras estratégias, como o serviço Premium – que possui cerca de 40 mil assinantes – e a venda de conteúdo para outras publicações. Assim é esperado que o magazine se firme de novo financeiramente. O propósito deste artigo era mostrar como uma publicação conceituada como a Salon está tentando se livrar dos maus momentos. De certa forma, essa luta pela sobrevivência pode ser interessante para quem mantém uma publicação online.

O que achou do novo modelo da Salon.com? Deixe o seu comentário registrado. Até a próxima! ;-)"

TRIBUNA DO BRASIL

"TB acusado de cortar por opção eleitoral", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 29/11/02

"Comunique-se recebeu denúncia, por telefone, de alguém que não quis se identificar, dando conta de que o jornal Tribuna do Brasil teria demitido duas pessoas porque votaram no PT, mais precisamente em Geraldo Magela, que concorreu com Joaquim Roriz (PMDB) para o Governo do Distrito Federal. Uma delas seria Lúcia Araújo, gerente de Operações, que se recusou a falar com nossa redação. Duas fontes confirmaram a informação, mas o presidente do diário, Mário Calixto, nega. ?Isso é mentira. Terei que demitir mais 30 pessoas de várias áreas porque a atual folha de pagamento não corresponde ao fluxo de caixa?, rebateu.

As fontes contam que depois de repetir diversas vezes que seus candidatos eram Magela e Lula, Lúcia, além de sofrer com a mudança no relacionamento com Mário Calixto Neto, de quem era amiga, ouviu em alto e bom som do presidente do jornal: ?Eu já falei para mandar embora esses petistas!?.

Calixto afirma que a demissão de Lúcia foi motivada por contenção de despesas.

?O dono do jornal é um grande aliado de Roriz. Houve tentativa sim, embora não ostensiva, de angariar votos para o Roriz?, diz uma das fontes.

Comunique-se soube que, na semana que antecedeu as eleições, a maioria dos jornalistas vestiu-se de vermelho, para mostrar apoio a Lula e Magela. Apesar do acontecimento, ninguém da redação foi demitido. ?80 a 90% dos jornalistas daqui votaram no PT. O restante só não votou porque temia que, se Magela ganhasse, poderia haver retaliações à Tribuna?, afirma uma das fontes.

Calixto disse que as demissões não devem atingir a redação. ?A empresa não é pública, é privada. Demito quantos eu achar necessário para manter as contas em dia?."

PRÊMIO ESSO

"Uma idéia de sucesso há quase 50 anos", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 2/12/02

"Certa vez, um senhor já de meia idade e muito bem sucedido na vida, ao passar com seu carro importado último tipo em frente a um ponto de ônibus, na periferia da grande cidade e na hora do rush, vislumbrou um rosto conhecido, dentre as dezenas de pessoas que esperavam a hora de embarcar. Parou e ficou olhando para aquele rosto enquanto ganhava tempo na memória para identificá-lo. Viajou a um passado remoto até se lembrar de quem se tratava. Era, sem dúvida alguma, o seu melhor amigo de infância, com quem perdera contato, por conta das mudanças da vida.

Estacionou, desceu e, resoluto, foi procurar o amigo a quem não via tinha 35 anos. E se apresentou, divertindo-se com a desconfiança do sujeito, já quarentão como ele, porém visivelmente mais humilde e judiado pela vida. Ao se descobrirem, foi uma festa, uma grande emoção, abraços apertados e olhares extasiantes – e quem estava ao redor não entendeu nada. Nem precisava.

O senhor de meia idade então iniciou a conversa, buscando saber, depois de 35 anos, como estava o velho companheiro, o melhor amigo dos tempos da tenra infância, o mais inteligente aluno dos oito anos de ensino básico, o menino que sempre tinha uma idéia nova, diferente, pronta para revolucionar o mundo e mesmo para se dar bem na vida, o garoto das mil e uma facetas, sempre inquieto e irriquieto, a cabeça pensante que saltitava entre projetos tão encantadores quanto mirabolantes.

E respondeu o amigo, que sua vida era realmente muito difícil, apertada, mas que não era por falta de talento e de idéias, já que ele continuava tendo novas idéias, embora continuasse, infelizmente, incompreendido pelas pessoas. Sua sina, a ausência de prosperidade, era puro azar.

Ao ouvi-lo, o amigo voltou no tempo e se lembrou do rapaz que realmente tinha uma cabeça a mil, brilhante, mas sem qualquer foco. Mudava de idéia, como de roupa, sem nunca conseguir concretizar efetivamente nada de produtivo. Estaria aí possivelmente a explicação da diferença entre os dois, que foram criados no mesmo lugar, com os mesmos valores, num ambiente muito parecido.

Voltou à realidade, quando o colega que esperava o ônibus lhe disse: ?Fale um pouco de você. Me conte o segredo de seu sucesso.?

O amigo bem sucedido respondeu: ?Eu tive uma única idéia na vida, mas ela deu certo.?

Essa passagem – me perdoem os que a acharam longa ou mesmo boba – é um intróito para comentar uma das mais eficazes e duradouras idéias da área de Comunicação no Brasil, que se aproxima dos 50 anos de vida: o Prêmio Esso de Jornalismo. Não que essa tenha sido a única idéia ou ação da Esso, em sua área de comunicação, de relacionamento com a imprensa, mas foi, sem dúvida alguma, a melhor, a que tem garantido ampla visibilidade e credibilidade à marca por décadas e décadas seguidas (sem uma única interrupção), a que tem resistido bravamente ao tempo. E implantada pela Esso apenas no Brasil.

O Prêmio Esso está completando, em 2002, 47 anos de vida. Ele nasceu da tradição da empresa em investir no jornalismo, com o Repórter Esso, o mais respeitado jornal falado do País, em todos os tempos, e que ficou no ar por 27 anos, no período entre 1941, período da 2? Grande Guerra, e 1968, quando o Brasil entrava em seu período mais tenebroso da ditadura militar.

O Repórter Esso se foi, mas quem tem mais de 45 anos ainda guarda na memória o ?taratatantãn? da musiquinha que anunciava o programa, sempre na voz do saudoso Eron Domingues. Era nele que efetivamente a população acreditava, mais do que em qualquer outro veículo de comunicação da época, inclusive jornais e revistas. E isso é um recall, para uma marca, que não tem preço e que, no Brasil, salvo engano, nenhum outro projeto do gênero conseguiu. O Repórter Esso só vai desaparecer dos corações e mentes com o fim das gerações que o vivenciaram. E sempre vai ser lembrado com carinho e saudade.

O Prêmio Esso é outro campeão de audiência e de prestígio. Desde que foi lançado, em 1955, manteve a mesma independência e seriedade e sempre foi o mais cobiçado prêmio de jornalismo do País. Vários outros, neste período, foram e continuam sendo lançados, num movimento que desgastou a fórmula e que do ponto de vista profissional pouco representa, por melhor organizado e valorizado que sejam. Há mais de trinta prêmios para jornalistas instituídos no País, alguns de alcance geral, outros segmentados, alguns dando viagem, outros bolsas de estudos e a maioria dinheiro, mas nenhum chega próximo ao que representa para qualquer profissional deste País ganhar o Esso. É a láurea máxima, o reconhecimento maior, a consolidação de uma carreira, o fator que fará certamente diferença no currículo.

É tanto o prestígio, que, de pouco mais de duzentos trabalhos inscritos até o final dos anos 80, nos anos 90 esse número quintuplicou, obrigando a organização a desdobrar o julgamento em duas etapas, sabedora que não mais era possível a cinco pessoas julgar tantos trabalhos em tão pouco tempo. Por isso, a Comissão de Organização criou a Comissão de Seleção, que indica os finalistas em cada categoria, e a Comissão de Premiação, que escolhe, no dia da entrega, os vencedores.

A Esso sabe o valor que o projeto tem para a marca, e por isso ele tem resistido a tantos anos e tantas diretorias intacto e absolutamente independente. Certamente é uma marca, no Brasil, tão forte quanto a própria Esso, e certamente valeria um bom dinheiro caso a empresa algum dia se dispusse a vendê-la.

Há bons anos, o prêmio é organizado pela dupla Ruy Portilho e Guilherme Bill Duncan, sempre contando nas comissões julgadoras com profissionais do primeiro time do jornalismo brasileiro.

Bill, a propósito, fez uma palestra sobre o prêmio na última 5?.feira (28/11), durante o 5? Seminário A Comunicação Social e Corporativa das Grandes Organizações do Brasil, realizado pela Mega Brasil, em São Paulo. E reservou para os participantes uma emocionante surpresa: a fita com o último programa do Repórter Esso, que foi ao ar no dia 31 de dezembro de 1968, sob o comando de Eron Domingues. Eron teve que ser substituído na locução porque, com a voz embargada, não conseguia mais falar dos grandes acontecimentos cobertos por eles durante tantos anos. Caiu aos prantos, tanto quanto a platéia que ouviu a fita, quase 25 anos depois.

Em termos de programa de relacionamento com a imprensa, não há, efetivamente, qualquer outro com a magnitude do Prêmio Esso. Nenhum jornalista evidentemente vai se deixar influenciar por ele, ao ter em mãos, por exemplo, alguma matéria ruim para a empresa. Mas todos vão ter por ela sempre um grande respeito.

Não precisa mais do que isso.

No próximo dia 17 de dezembro, a empresa anuncia os vencedores de 2002, em cerimônia programada para o Rio de Janeiro."

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