Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > CLARÍN

Mario Lima Cavalcanti

Por lgarcia em 01/01/2003 na edição 205

WEBJORNALISMO / BALANÇO 2002

"O JOL em 2002", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 26/12/02

"Pois é, mais um ano passou voando, com a mesma velocidade da informação nos dias de hoje. Mas o que o jornalismo online ganhou de bom nesse ano? Tentei relacionar pontos bons e ruins que aconteceram em 2002 nesse cenário cada vez mais atraente.

RSS: o formato Rich Site Summary e os feedreaders ganharam força no início do ano como uma alternativa para quem tem freqüentes overdoses de informação. Criado pela Netscape, objetivava ser comum no mercado para a sindicalização de conteúdo. Agora no fim do ano, é comum ver inclusive weblogs com versões RSS. O assunto foi abordado por mim em março deste ano.

Weblogs: e por falar neles, 2002 foi o ano em que mais se falou em weblogs como veículos de notícia. Aliás, o ano em que grandes comunicadores criaram seus próprios weblogs. Que bom, pois mostra que o assunto não esfriou, muito pelo contrário, gerou de vez um novo globo cibercultural, com uma grande comunidade, que ganhou sites e projetos como o Blogchalking, o Blogdex e o TopLinks.

Telejornalismo online: ou simplesmente TJ online, o campo, que pode-se dizer que surgiu no Brasil em 2000 – com a ida de Paulo Henrique Amorim para o UOL News -, cresceu e projetos não pararam de aparecer, como a allTV, a muito comentada emissora de TV feita para a Internet.

Cobertura online de eventos de grande porte: se formos comparar a cobertura da Copa do Mundo de 1998 com a deste ano, é fácil notar um crescimento na seriedade em relação ao tratamento e publicação de notícias. Quem trabalha com Web desde a Copa da França sabe do que estou falando. A Web definitivamente conquistou seu espaço como veículo sério, mandando bem em qualquer cobertura de grande porte.

Scott Shuger: Talvez o primeiro grande nome do jornalismo online a nos deixar. Webwriter norte-americano, Shuger era redator sênior da Slate Magazine, um dos pioneiros do jornalismo online e autor do weblog Today?s Papers. Morreu no dia 15 de junho, aos 50 anos, em um acidente de mergulho perto de sua residência, em Los Angeles.

A máquina no lugar do homem: no segundo semestre de 2002, a Google lançou sua curiosa seção de notícias, o Google News, um serviço que seleciona as principais notícias do dia e as categoriza, sem a ajuda de humanos, exibindo headlines na home-page que são selecionadas a partir de um algoritmo matemático baseado em como e onde as notícias aparecem na Internet. Sistemas como esse tendem a ser comuns.

Grupos de estudos: iniciativa de jornalistas e estudantes de jornalismo do Rio de Janeiro, os grupos de estudos surgiram da necessidade de se sair do plano virtual para pesquisar e estudar seriamente a prática do jornalismo digital. Com uma proposta diferente dos conhecidos happy-hours de profissionais, tais grupos de estudos têm optado por lugares como bibliotecas de universidades, onde cada integrante leva suas idéias e dúvidas para serem discutidas. O grupo de estudos carioca ganhou inclusive uma lista de discussão para marcar reuniões.

Informação colaborativa: assim como os weblogs, foi outro sistema de propagação de conteúdo que cresceu bastante. Tratam-se de sites onde as notícias/informações são publicadas não só pelas equipes editoriais, mas também pelos próprios leitores, usuários registrados no serviço. O melhor exemplo de informação colaborativa é o Slashdot.org, que começou como um site pessoal, sem sequer estar ligado a um grupo de mídia, e hoje é um formador de opinião. Em 2002, mais dois grandes sites de informação colaborativa voltados para o campo de jornalismo apareceram: Correspondente.net e J-Log.

Newsplex: para fechar o ano, nada melhor como um grande projeto a nosso favor. Criado em novembro deste ano na Universidade da Carolina do Sul, o Newsplex – abordado por mim no artigo anterior – pretende ser um laboratório para se estudar com seriedade a convergência das mídias e a melhor maneira de se trabalhar com notícias. Conforme seus próprios responsáveis, é um protótipo de ?sala de notícias? do futuro, para demonstração, pesquisa e treinamento de novas ferramentas, técnicas e conceitos. O protótipo, como existe hoje, foi desenhado como um modelo voltado para a indústria.

Tirando algumas perdas, até que foi um ano bom para o setor de jornalismo online. E se no final do ano é de praxe fazermos um pedido. O meu em prol do jornalismo online é que em 2003 melhore cada vez mais a sintonia entre o leitor e o produtor de conteúdo. Um próspero ano novo e até a próxima! ;-)"

 

JORNALISMO & POLÊMICAS

"O embuste bem pago", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 26/12/02

"Outro dia um amigo meu, jornalista, me disse que se preocupava com as conseqüências da polêmica pela polêmica – desencadeada por aqueles artigos que, conquanto circenses, têm a robustez necessária para influenciar, para formar e deformar as opiniões.

Citou o exemplo do Diogo Mainardi, da Veja – como bom (?) polemista, ?do contra?… (meu amigo o considera um ?direitaço? – ainda que só para chamar a atenção). Uma amiga – também jornalista – relatou-me, alguns anos atrás, o encontro que teve com uma profissional da imprensa paulista. Foi num bar, casualmente… Bebida pra cá, bebida pra lá… E a colunista famosa revelou: ?Eu não acredito em nada do que escrevo, sou paga para fazer polêmica?.

O prazer pela controvérsia pode ser um sintoma de algum distúrbio psicológico. Vemos, pois, jornalistas inteligentes agindo como crianças que fazem birra, quebram os brinquedos, jogam ?papinha? no lixo – tão somente para chamar a atenção dos pais – os leitores, os ouvintes, os telespectadores, os colegas, os chefes, toda a sociedade…

Neurose ou não, esse povo não rasga dinheiro – antes, multiplica-o. Afinal, o ser humano é sequioso de emoções. Numa sociedade consumista, consome-se de tudo para fugir do desespero do nada. Daí o picadeiro malfazejo que se retroalimenta in aeternum.

A televisão tem sido criticada diariamente por distorcer a realidade. É natural que seja assim: primeiro porque a acusação é procedente e os fatos se avolumam diariamente; segundo porque, num país de maioria semi-analfabeta – incluam-se aqui os diplomados que não sabem interpretar um texto -, o poder da televisão é maior e – sem trocadilho – mais visível. Até mesmo os críticos acabam imantados pela roda abuso-consumo-crítica, girada pela mídia dominante.

Deploramos o sensacionalismo da tevê, mas achamos natural – com um quê de ?cult? – o artigo malicioso, velhaco, que mente para mostrar uma ?nova óptica?, uma ilação ?diferente?. Não me refiro à mentira dos fatos, mas à mentira da interpretação dos fatos, com suas inferências manhosas e sorrateiras, a preparar arapucas para as mentes fracas, sugestionáveis até o extremo da idiotia.

O leitor-consumidor que rejeita a pantomima e – ainda que bem-intencionado – protesta por meio de cartas e e-mails acaba por consolidar o status do polemista. O embate leitor versus tapeador é, no quadro do consumismo inconsciente, um jogo de emoções, uma brincadeira de fundo intelectual e, sobretudo, emocional. Um sem-número de protestos contra o idiota, o louco, o ?aparecido? se traduz em audiência. Constitui o óleo que lubrifica a engrenagem da roda do consumo.

No quadro jornalístico, temos um profissional subjugado pela vaidade, pela autoconsciência desfigurada. Ele se jacta de saber onde está o tendão de aquiles da razão, onde está a brecha do natural e do ordinário – na ciência, o que se repete é tido como um belo ponto de partida, como um fenômeno que pode revelar uma realidade desconhecida; no jornalismo, o ?novo?, o ?estranho?, o ?do contra? são a matéria-prima da prospecção e da simbiose emocionais. O polemista sabe disso e é um mestre na semiótica do inaceitável e, ipso facto, vendável. Divulga a si mesmo, negocia-se como o taumaturgo de um novo ideário, de uma nova leva de valores e contravalores, de uma moral nascente e de uma contramoral candente. É um sofista bem pago, como o eram os da Grécia Antiga. Esses, no entanto, transmitiam – em sua coerência – o que sabiam. Os polemistas profissionais ensinam o que nem eles, nem ninguém sabe. Pois isso não é saber remunerado. É embuste bem pago."

 

CLARÍN

"Dona do Clarín está livre", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 26/12/02

"A Justiça argentina concedeu, na noite desta segunda-feira (23/12), liberdade à diretora do jornal argentino Clarín, Ernestina Herrera de Noble. Ela está sendo investigada pela suposta adoção ilegal de seus dois filhos. A empresária, de 77 anos, fora detida em 18/12 e, depois de ser interrogada, teve decretada a prisão domiciliar.

Fontes da justiça informaram à imprensa, que os juízes Horacio Prack e Alberto Mansur, da Câmara Federal de San Martín, revogaram a ordem de detenção emitida pelo juiz Roberto Marquevich. Em sua declaração a Marquevich, na quinta-feira passada (19/12), a proprietária do Grupo Clarín se declarou inocente. A Justiça procura esclarecer se Ernestina adotou de forma irregular Felipe e Marcela Noble, que, segundo suspeitas das Avós de Praça de Maio, podem ser filhos de presos-políticos desaparecidos na última ditadura militar argentina (1976-1983).

A empresária é investigada pelo suposto uso de documento público falso para adotar as duas crianças, em 1976. Na semana passada, um tribunal de segunda instância suspendeu a ordem do juiz Marquevich, que determinara a retirada de uma amostra de sangue dos filhos adotivos de Ernestina para fazer exames de DNA, que seriam comparados com dados genéticos de pessoas desaparecidas durante o regime militar."

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