Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

PRIMEIRAS EDIçõES > MÍDIA & GOVERNO

Marketing e o "estado de desânimo"

Por lgarcia em 07/10/2003 na edição 245

MÍDIA & GOVERNO

Chico Bruno (*)

Um acontecimento importante, ocorrido na semana passada, nos obriga a voltar à questão da comunicação no governo Lula. Apesar das considerações do assessor especial da Secom Bernardo Kucinski a favor da prestação diária de informações, ao que tudo indica venceu a opção do ministro Luiz Gushiken pelo marketing e a propaganda.

Novamente, após divulgação dos resultados de pesquisa CNI/Ibope, o presidente Lula se dispôs a falar à imprensa radiofônica, em "nova e simpática entrevista coletiva presidencial, com mais promessas otimistas", escreveu Janio de Freitas na Folha de 5/10. Pesquisa, aliás, também não-dissecada pela mídia, como as demais. Na pesquisa anterior, os veículos escolhidos foram a TV Globo e a revista Veja. Desta vez, talvez concordando em parte com Kucinski, decidiu-se por uma coletiva de uma hora, com duas perguntas para cada repórter. Participaram as 10 principais emissoras de rádio do país.

Fica valendo a recente a entrevista do ministro Luiz Gushiken à Folha, em que se refere ao trabalho reservado ao publicitário e marqueteiro político Duda Mendonça, logo denominado pela imprensa como "ministro da Propaganda". E vale a pena observar a propaganda de algumas instituições públicas, que ostentam a marca do atual governo ? o que talvez não seja correto. Nesta questão quem tem que decidir é a Justiça, interpretando as leis.

Pirotecnia do marketing

A campanha dos 50 anos da Petrobras, por exemplo, foi toda estruturada em eficiente plano de marketing, no qual coube até grandes shows populares. Um deles, em Salvador, na Praça Castro Alves, mereceu até flashes transmitidos ao vivo, durante o show, nos intervalos comerciais da TV baiana. Um esbanjamento da empresa e uma demonstração de ganância das agências de propaganda que atendem à Petrobras: no embalo da orientação da Secom, aproveitam para engordar seu caixa com propostas megalomaníacas.

Essa mesma megaestratégia de marketing já havia sido usada nas comemorações do 7 de setembro, quando não foram poupadas nem as paredes cegas das duas torres do Congresso Nacional, utilizadas para a exposição de gigantescos painéis com propaganda do governo federal, o que gerou protestos da oposição.

Como se viu pela coletiva da semana passada, fica explícito que o contato presidencial com a imprensa será sempre determinado pelo marketing, principalmente quando as pesquisas indicarem tal necessidade. Isso revela também que foi infrutífera a viagem de Bernardo Kucinski a Londres e Washington, pois o governo Lula vai continuar deixando de lado a prática aconselhável de contatos periódicos do presidente com os jornalistas credenciados, preferindo a pirotecnia do marketing político. Embora as pesquisas indiquem, como afirma Janio de Freitas, que "nem mesmo o empenho na propaganda conseguiu impedir que o estado de ânimo redobrasse como estado de desânimo".

(*) Jornalista

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