Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

PRIMEIRAS EDIçõES > HORÁRIO ELEITORAL

Marqueteiro de Serra “lulou”

Por lgarcia em 16/10/2002 na edição 194

HORÁRIO ELEITORAL

Nelson Hoineff (*)

Pelo que se viu no primeiro dia do programa eleitoral gratuito para a campanha do segundo turno, Lula conquistou mais um forte aliado: o publicitário Nizan Guanaes.

Se depender dos dois programas, o candidato do PT chega com facilidade aos 90% dos votos no dia 27. O segmento criado por Duda Mendonça foi ágil, bem humorado, vitorioso. Comandando um grande programa de auditório com mais de 400 participantes ? todos políticos de sua aliança reunidos em São Paulo ?, Lula fez com que os companheiros chamassem Ciro em conjunto, como se estivessem no auditório do Silvio Santos. De mãos dadas com Ciro e Garotinho, fez o “vem pro Lula você também”. Empolgou os que estavam na platéia e quem via em casa, enquanto mostrava, com fatos, porque só vai participar de um debate ? o agendado pela Rede Globo para a sexta-feira, 25/10.

No programa de Serra, por sua vez, um sonolento Alexandre Machado fazia ao candidato perguntas entorpecidas pela generalidade, que o próprio gaguejava ao responder. A câmera não sabia para onde ir e repetia sua trajetória em movimentos pendulares que devem ter hipnotizado muitos espectadores ? enquanto o candidato não sabia para onde olhar. Dificilmente José Serra e Alexandre Machado terão se lembrado, cinco minutos depois, do que estavam falando naquela entrevista narcoleptiante com sabor de comida de hospital.

O primeiro programa de Serra no segundo turno elegeria qualquer adversário, até mesmo Ciro Gomes. Para os indecisos, não poderia haver presente maior. Para os eleitores em geral, ficou clara a inutilidade de mais conversa. Todos os pontos já foram levantados e as alianças foram feitas. Novidades, se houvessem, teriam que ser apresentadas num único foro: os programas eleitorais na TV.

Fita de segunda

Mas o que se exibiu na segunda-feira (14/10) pela televisão não foi o embate de duas ideologias opostas ou de dois caminhos diferentes para o país. Foi o simples confronto entre um produto bem vendido e outro oferecido sem a menor garra nem a menor convicção. Sem a mais tênue presença da criatividade ou da vontade de mudar.

No fundo, esses programas consolidaram o que haviam feito de início ? e que foi um fator preponderante para a vantagem, a essa altura inalcançável, de Lula. Ao longo da campanha, Duda foi melhor que Nizan em proporção talvez muito maior do que Lula era melhor do que Serra como produto. Se esta foi uma campanha de marqueteiros, o embate acabou sendo desigual.

No processo eleitoral, o PSDB foi o maior aliado de Lula. Serra, sabe-se hoje como se sabia antes, é um produto de dificil vendagem como candidato à presidência. Mais do que Lula, dependia do invólucro publicitário. Acabou sendo ele o show, o candidato de Hollywood. Foi vendido como Lucas na forma, como Mamet no conteúdo. A Serra restou uma embalagem de Babak Payami, de filme iraniano de segunda, simples arremedo de Makhmalbaf. Não vai fazer sucesso nem em festival.

(*) Jornalista

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