Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > 5.

Marrom sim, Brown não

Por lgarcia em 14/02/2001 na edição 108

ROCK IN RIO

A respeito do artigo de Luiz Caversan, intitulado “Carlinhos Brown, o mico e a globalização”, quero dizer que concordo inteiramente com o articulista, e se Carlinhos Brown fosse tão nacionalista e antirock-colonialista quanto tentou parecer no grande mico que pagou no Rock in Rio, por que afinal adotou tal nome artístico, Carlinhos Brown? Por que não Carlinhos Marrom? O Brown de seu epíteto artístico é a prova de que ele se rende ao colonialismo quando convém aos seus interesses financeiros. Talvez o Brown tenha ajudado a meter sua música A namorada na trilha sonora do filme americano Velocidade Máxima 2!

Antonio Rayol

 

CINEMA BRASILEIRO

A matéria em questão faz um retrato dourado e falso. Omite o número de cinemas que não exibem filmes nacionais, que não cumprem a lei. Passa de lado pelo fato de São Paulo ter lançado cerca de 29 filmes nacionais em 2000, contra quase 300 estrangeiros. Não diz uma palavra sobre os poucos títulos brasileiros (pouquíssimos) lançados em vídeo. E o mais grave: nenhuma palavra sobre os filmes iniciados há mais de 2 anos e até hoje inéditos ou inacabados, feitos com o nosso dinheiro, com orçamentos altos e incompatíveis com o mercado. Exemplos: o famigerado Chatô, O Xangô de Baker Street (começado em 98), o filme de Carlos Hugo Christensen (que morreu). E o caso O guarani, como ficou? O Brasil parece um país rico quando se trata de praticar o mecenato oficial em nome da cultura. Quanto esbanjamento…

Alfredo Sternheim, jornalista e cineasta

 

PDT

Tenho percebido na imprensa falta de isenção ao noticiar as desfiliações que têm ocorrido no PDT (Partido Democrático Trabalhista). Sem exceções, todos noticiam as desfiliações como o fim do PDT, o “ocaso”, conforme editorial da FSP; necessidade de garantir “sobrevida”, conforme matéria no jornal Valor Econômico. Em todas as matérias, noticia-se a derrota de seu líder, Leonel Brizola, e em nenhum momento a imprensa procurou dar um enfoque diferente e mais coerente com a realidade:

1.O PDT consolidou, nas eleições de 2000, sua posição de 6? maior partido político (perde apenas para PMDB, PSDB, PFL, PT e PTB). O correto aqui é que se contabilize o total de votos obtidos para vereador (que é quando se vota efetivamente no partido), e não no cargo majoritário (quando ocorrem coligações). O PDT não está morrendo, nem passando por um “ocaso”, não tendo, pois, necessidade de “sobrevida”.

2.O PDT obtém resultados significativos a cada eleição. O seu enfraquecimento não ocorre nas urnas, mas sim depois das eleições.

3.Os quadros pedetistas que se desfiliaram não o fizeram por convicção, mas por puro fisiologismo, isto é, apego a cargos. No Rio de Janeiro, ninguém saiu do PDT para ir para o PT, mas sim para o PSB, que é o novo partido do governador, dono da caneta e do Diário Oficial. No Rio Grande do Sul, ninguém saiu do PDT para ir para o PSB gaúcho, mas sim para o PT, partido do governador, e dono do Diário Oficial.

4. A imprensa tenta mostrar o PT como vitorioso e o PDT como derrotado. Mais uma vez, é a tentativa de enfraquecer uma candidatura de centro-esquerda com reais chances de vitória em 2002 (que vem sendo articulada por Brizola, o mesmo que articulou a aliança de centro- esquerda em 1998) e inflar a candidatura do PT, a mais fraca e cujo candidato (Lula) é sabidamente o mais fácil de ser derrotado, haja vista sua dificuldade de penetração entre os eleitores de classe média.

5. A imprensa deveria tratar o assunto de maneira menos tendenciosa. Deveria repudiar os políticos fisiológicos, que se apegam a cargos. São eles os verdadeiros responsáveis pela fragilidade no nosso modelo de democracia, e pelos vícios que a acometem.

Gostaria que fosse debatido neste Observatório o tratamento que a imprensa tem dado ao caso.

Victor Leonardo de Araujo

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